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Um desafio entre amigos para Robert De Niro

Ator participa de 'Última Viagem para Vegas', comédia em que contracena com colegas de estilos bem distintos

Elaine Guerini/Especial para o Estado/Tóquio,

07 de dezembro de 2013 | 18h27

Aos 70 anos, Robert De Niro foge cada vez mais dos gravadores, dos microfones e das câmeras. Quando é obrigado a dar entrevistas, nos lançamentos de seus filmes, ele insiste em responder com poucas palavras, como quem não quer esticar a conversa. "Não tenho muito o que contar", disse o ator, sempre disposto a simplificar as razões que o levam a rodar um filme ou o processo de criação dos seus personagens. "Certos estão os meus filhos por não darem a mínima para o que eu faço’’, afirmou o vencedor de dois Oscars, de melhor ator por Touro Indomável (1980) e de melhor coadjuvante por O Poderoso Chefão 2 (1974).

O nova-iorquino com 100 títulos no currículo ("Nunca imaginei chegar a esse número") aceitou atuar em Última Viagem para Vegas simplesmente por duvidar da química entre os protagonistas. "Quando recebi o roteiro, fiquei intrigado pela proposta de criar uma dinâmica entre atores de estilos diferentes, que ainda não tinham trabalhado juntos", contou De Niro, referindo-se aos colegas de cena Michael Douglas, Morgan Freeman e Kevin Kline, na comédia atualmente em cartaz nas telas brasileiras.

Dirigidos por Jon Turteltaub, eles encarnam amigos de infância que se reencontram em Vegas, após muitos anos separados, para uma despedida de solteiro. O personagem de Douglas, um advogado rico de Malibu, está prestes a se casar com garota com idade para ser sua filha, façanha que os amigos reprovam. Freeman é um avô que cuida dos netos em New Jersey, após ter sobrevivido a um infarto, enquanto Kline é um sujeito aposentado que leva vida de casado monótona na Flórida. De Niro completa o quarteto vivendo um viúvo inconsolável que passa o dia de roupão em sua casa no Brooklyn.

"Interpreto o mais carrancudo da turma, o que não me incomoda", disse ele, em Tóquio, onde participou da 26ª edição do festival de cinema japonês sediado em Roppongi Hills. No papel do viúvo que vai para Vegas a contragosto, o ator reage muito mais do que age. Mas nem por isso é ofuscado pelos companheiros. De Niro transmite muito do que o personagem pensa e sente só com o olhar. "Não saberia dizer se isso é uma qualidade. Como ator, estou longe da perfeição."

A trama de Última Viagem para Vegas é toda pontuada por piadas sobre a velhice, sempre enfatizando a rabugice, o estilo ultrapassado ou a perda de vigor dos personagens veteranos. "Não me lamento por estar envelhecendo. Só fico surpreso por estar nesse negócio há tanto tempo", afirmou De Niro, acostumado a rodar uma produção atrás da outra. Só em 2013, atuou em sete longas-metragens.

"Não sei se isso faz de mim um workaholic. Desde muito jovem, trabalho arduamente e não consigo parar", contou o ator, que acumula outras funções. Ele produz filmes, comanda o Tribeca Film Festival e é sócio de vários empreendimentos, como hotéis e restaurantes – entre eles, a rede Nobu, em parceria com o chef japonês Nobu Matsuhisa. "Se parasse com tudo, não saberia o que fazer. Não conseguiria jogar golfe o dia todo."

O pouco tempo que sobra, entre um compromisso e outro, De Niro dedica aos seis filhos. Do casamento atual, com Grace Hightower, nasceram Elliot, de 15 anos, e Helena, de dois. O ator também é pai dos gêmeos Aaron e Julian, de 18 anos, da relação com a atriz Toukie Smith. Com a primeira mulher, a cantora e atriz Diahnne Abbott, De Niro teve Raphael, de 37 anos, além de ter adotado Drena, da primeira união de Diahnne. "Tento vê-los sempre que posso. Um dos meus maiores arrependimentos na vida é não ter passado mais tempo com o meu pai", contou.

Esse é um dos motivos que leva o ator a produzir atualmente o documentário Robert De Niro Sr., sobre o pintor expressionista que morreu em 1993, aos 71 anos. No filme assinado por Perri Peltz, para a HBO, o ator é um dos entrevistados, resgatando as lembranças do pai e contando como ele o influenciou em sua trajetória profissional. "Quero que meu pai seja lembrado pelo artista que foi. O filme também é uma forma de trazê-lo para perto de mim."

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