Um clube faz 100 anos procurando a piada perfeita

Talvez o mantra do celebrado New York Friars Club devesse ser ?Se você não consegue rir de si mesmo, de quem você rirá?? Com a costumeira selvageria humorística, os membros do clube, famosos por suas línguas ferinas, reuniram-se ontem à noite para celebrar os 100 anos da provecta entidade e rir um da cara do outro.?Não parecemos muito gastos, depois de todos esses anos?, disse Freddie Roman, o deão do clube nos últimos 35 anos. ?Ok, bem, talvez Pat Cooper esteja.?(Ele referia-se a Pat Cooper, nome artístico de Pasquale Caputo, um dos mais conhecidos humoristas americanos desde que surgiu, em 1963, no programa The Jackie Gleason Show e passou a dominar os palcos das melhores casa de show dos Estados Unidos).Mesmo o normalmente sério prefeito Michael Bloomberg, presente para declarar a segunda-feira, 14, como o ?Dia do Centenário do Friars Club? (Clube dos Frades), entrou no clima.?Temos aqui algumas das pessoas mais engraçadas do mundo... e Pat Cooper?, disse. Colocando o humor de lado por um momento, Roman relembrou a todos a importância da história do clube.?Nossa história é a história do show business?, disse. ?Sobrevivemos ao vaudeville, ao burlesco, a fita de oito faixas, ao talk show de Chevy Chase e à proibição de fumar do prefeito Bloomberg. Todos vocês parecem muito mais saudáveis.?A despeito de todas as aparências ? cadeiras de roda, andadores, tubos de oxigênio ? os frades (friars em inglês) estão rejuvenecendo, garantiu Roman. A idade média é de 50 anos, comparada com 65 nos anos 60, e 300 dos 1.500 membros do clube tem menos de 45. Indiferente ao respeito por tanta idade, o comediante Gilbert Gottfried, que, aos 49, era um dos mais jovens participantes da festa, gracejava com a lista do grupo geriátrico.?Olhe em volta. Se seu coração ainda está batendo, então você pode ser um frade?, Gottfried espicaçou. ?Se você se moveu, nos últimos 100 anos, então é um dos nossos.?Fundado em 1904 por um grupo de assessores de imprensa, o clube logo começou a atrair humoristas e comediantes de todo o tipo. Alguns dos homens mais engraçados do século, como Milton Berle, Buddy Hackett e, naturalmente, Pat Cooper, foram ou são membros.Ser sócio tem seus privilégios. O prédio no centro de Manhattan, conhecido como ?o monastério?, tem um restaurante, um bar, uma sauna e uma barbearia.Mas, além de garantir a seus membros um lugar para trocar piadas, o clube ajudou humoristas doentes ou duros, financeiramente ou espiritualmente, com risadas.?Há um ano nosso abade, Alan King, que já faleceu, estava em pé no bar e desmaiou?, lembra Roman. ?O bartender colocou uma toalha de mesa sob sua cabeça e perguntou ?Mr. King, está bem?? e Alan respondeu ?Eu ganho a vida?.?Alguma coisas, entretanto, mudaram. Em 1988, depois de 84 anos, o clube permitiu que mulheres se juntassem à turma, a começar por Liza Minnelli.?Era diferente quando eu comecei: só homens e todos feios. Agora temos todos essa mulheres aqui?, rejubilou-se Roman. ?E elas realmente trouxeram vibração ao clube.?O Frears Club também teve seu quinhão de controvérsia. Em 1993, na saudação ao novo membro Whoopi Goldberg, seu amigo Ted Danson apareceu com a face pintada de negro, fazendo com que Montel Williams, titular de um talk show, se retirasse em sinal de desaprovação e vários humoristas negros se manifestassem sobre o incidente. Posteriormente, o clube pediu desculpas.No fim da contas, é tudo por uma boa piada, dependendo do público.?Prepare-se para algumas péssimas piadas quando vier aqui?, aconselha de qualquer forma, o frade Ted Faraone, um publicitário.

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