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Último Noitão do Belas Artes do ano será dedicado a Agatha Christie

Em qualquer de seus livros, você encontra a informação de que, após a Bíblia e Shakespeare, ela segue sendo a autora mais editada do mundo

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2017 | 06h00

Incrível, fantástico, extraordinário – mal o Belas Artes anunciou nas redes sociais que o Noitão desta sexta, 1.º de dezembro, o último do ano, seria dedicado a Agatha Christie, os internautas esgotaram a lotação das duas salas previstas, comprando os ingressos antecipadamente. A solução foi abrir uma terceira sala, mas será arriscado tentar comprar os ingressos na hora.

Vai ser um fim de semana cult no conjunto de salas da Consolação. No sábado, 2, à tarde ocorrerá às 16h20 a última, sim, a última sessão de Relatos Selvagens, a comédia de Damián Szifrón que completou mais de três anos (três anos e um mês) em cartaz.

E, na noite de sexta, 1º, a partir das 23h30, os mistérios de Agatha. Como sempre, o Noitão anuncia dois filmes baseados na obra da escritora – Morte sobre o Nilo, de John Guillermin, e Testemunha de Acusação, de Billy Wilder – e promete um terceiro como ‘sessão surpresa’.

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Em qualquer de seus livros, você encontra a informação de que, após a Bíblia e Shakespeare, ela segue sendo a autora mais editada do mundo. Agatha Christie morreu em 12 de janeiro de 1976 – há 41, quase 42 anos. Nesse período, o mundo mudou, e não apenas na geopolítica.

A internet popularizou-se, as redes sociais explodiram e Agatha segue soberana. O mais impressionante é que os dois detetives que ela criou – um belga com cabeça de ovo e bigodes arredondados de nome Hercule Poirot e uma solteirona que vive numa minúscula aldeia do interior, Miss Marple – vivem na contracorrente da agitação dos tempos modernos. 

Poirot horroriza-se à menor sugestão de sair por aí investigando, ou correndo. Idem, Miss Marple. Ele conversa com as pessoas, convencido de que, se elas forem estimuladas a falar, terminarão revelando ‘coisas’.

Depois, M. Poirot exercita suas células cinzentas e decifra o mistério dos crimes. Miss Marple também observa e ‘pensa’, mas o método dela possui uma particularidade. Embora sua aldeia seja pequena, a natureza das pessoas é a mesma em todo lugar e é observando o carteiro, o leiteiro, o jardineiro, a ajudante de cozinha, etc, que a astuta Miss Marple invariavelmente chega ao criminoso(a).

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Esse Noitão tão especial pega carona na estreia de Assassinato no Expresso do Oriente, que o ator e diretor Kenneth Branagh realizou com base no livro de 1934, quando o trem do título, além de ser o mais luxuoso, era também o mais moderno do mundo.

Hoje em dia, os trens estão em desuso, exceto os de alta velocidade, mas isso não impediu o shakespeariano ‘Ken’ (Branagh) de fazer do expresso do Oriente o cenário (quase) único do crime brutal que será resolvido por M. Poirot.

No final, vejam só, o detetive está sendo chamado para investigar outro crime – no Egito. É que Hollywood já está anunciando o remake de Morte sobre o Nilo, na convicção que Assassinato no Expresso do Oriente vai repetir, e até superar, o sucesso da versão de Sidney Lumet, de 1974.

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Nesta noite, outro Poirot (Peter Ustinov) vai investigar o assassinato no Nilo e a bordo do barco que singra o rio há um elenco de astros e estrelas – Bette Davis, David Niven, Mia Farrow, Angela Lansbury, George Kennedy, Maggie Smith, etc. Cada um tem direito a seu momento de brilho, cronometrado pelo diretor Guillermin.

Em matéria de elenco, o de Testemunha de Acusação, embora mais enxuto, não é menos estelar – Marlene Dietrich, Charles Laughton, Tyrone Power. O último é acusado do assassinato de uma viúva. Sua mulher testemunha contra. A reviravolta do desfecho virou clássica. Os livros de Agatha privilegiam o mistério. Wilder introduziu o ‘suspense’.

 

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