Dick Halstead/Time Life
Dick Halstead/Time Life

Última semana da 41.ª Mostra tem violência na Córsega e Ronald Reagan

Evento chega ao fim com filmes que ainda podem surpreender

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2017 | 06h00

E a 41.ª Mostra vai chegando ao fim. Na quarta, 1.º, ocorrerá a premiação – da crítica, do público e do júri oficial, que outorga o Prêmio Bandeira Paulista, escolhendo o melhor/melhores entre obras previamente selecionadas pelo público. Na quinta, 2, começa repescagem. Um dos bons filmes que vocvê ainda pode ver nesta segunda é o francês Uma Vida Violenta, que, de alguma forma, dialoga com O Fantasma da Sicília, há pouco estreado nas salas.

Paul Vecchiali, homenageado deste ano, nasceu em Ajaccio, na Córsega. Thierry de Peretti, o diretor de Une Vie Violente, também. O filme estava na Semana da Crítica, de Cannes, em maio – como Gabriel e a Montanha, de Fellipe Barbosa. De Peretti explicou a origem de seu filme. Havia um surto de violência na Córsega, onde já se passava seu filme anterior, Les Apaches. Não se trata realmente de fazer autobiografia, mas fazer do filme um experimento pessoal, compartilhado com o espectador.

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Havia uma onda de violência na ilha, nos 1990. E, ao mesmo tempo, um garoto que admirava o Cure e os filmes de Maurice Pialat podia viver dentro da ‘normalidade’, seja lá o que isso significa. O filme abre-se com duas cenas aparentemente desconectadas. Um jovem em Paris e um brutal assassinato, uma execução. O espectador não tem nenhuma noção de tempo. O passado invade o presente, como uma reminiscência. Uma Vida Violenta é sobre um homem que vem da burguesia, oscila numa vida de crimes – mais o menos violentos –, antes de se ligar a um movimento político radical.

O maior interesse do filme está no elenco, no trabalho do diretor com atores e não profissionais da região. Como não havia um roteiro fechado, por meio de um ateliê eles conseguiram agregar experiências pessoais a seus personagens. Só como curiosidade – o filme de encerramento, na quarta, será L’Atelier, de Laurent Cantet, sobre os desdobramentos de um ateliê literário que, de certa forma, engloba as tensões políticas e sociais que dividem a França na atualidade.

Justamente para quem se interessa por política há outro filme imperdível – The Reagan Show, da dupla Pacho Velez e Sierra Pettengili. Ronald Reagan, notório canastrão de Hollywood, foi o presidente dos EUA que, aliado à premiê inglesa Margaret Thatcher, exerceu decisivo papel no redesenho econômico e estratégico do mundo nos anos 1980.

John F. Kennedy foi o primeiro presidente norte-americano de TV, no sentido de que nunca, antes, a televisão exercera influência no processo presidencial. Kennedy percebeu o que estava por vir – a civilização da imagem. Usou o veículo. Reagan radicalizou o conceito da presidência como espetáculo. O filme, feito só com material dos arquivos da Casa Branca, é exemplar como análise do que os diretores dissecam como ‘o show de Reagan’ 

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