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'Última Ressaca do Ano' invade a festa da firma

A fórmula permite algumas observações periféricas interessantes sobre o mau funcionamento do capitalismo e, claro, tem Jennifer Aniston

Luiz Carlos Merten, Impresso

08 Dezembro 2016 | 20h43

Diretor de Minha Mãe É Uma Peça, o 1, André Pellenz promete para o ano que vem a comédia Festa da Firma, com Marcos Veras, que, por sinal, está muito bem no papel dramático de O Filho Eterno. O diretor Paulo Machline nem precisou remontar sua adaptação do livro de Cristóvão Tezza para melhorá-la em relação à versão que passou no Festival do Rio. Bastou reduzir o volume (alto) da trilha e o excesso de música. Virou outro filme. Mas o assunto, enfim, não é Filho Eterno nem Marcos Versas, e sim outra festa da firma que não a prometida por André Pellenz.

Estreou nesta quinta, 9, A Última Ressaca do Ano, com Jennifer Aniston e Jason Bateman, que já formaram dupla em Coincidências do Amor, dos mesmos diretores, Will Speck e Josh Gordon. Desta vez, a trama se passa num escritório. Morre o dono e instala-se a disputa pelo poder entre os filhos. T.J. Miller quer manter o negócio, Jennifer quer fazer uma limpa geral, demitindo os funcionários e até o irmão, para se estabelecer como CEO. Ele tem a ideia de promover uma grande festa de Natal, envolvendo um cliente em potencial e o dedicado funcionário (Bateman) que terá de lidar com as ambições e os humores de Jennifer.

Ela é um fenômeno. Sobreviveu ao fim de Friends, ao fim do romance com Brad Pitt, filma sem parar, virou celebridade na mídia dos EUA. É raro olhar na banca uma revista de ‘gossip’ (fofoca) que não tenha Jennifer Aniston na capa. Tudo o que ela faz vira notícia. É a verdadeira queridinha da ‘América’. O novo filme sugere um Se Beber não Case natalino. Como na série de comédias cult, o problema é o excesso de bebida, não num casamento, mas agora numa festa de Natal. Quem nunca foi numa, e nunca bebeu, atire a primeira pedra.

O grande problema de A Última Ressaca do Ano é que, se o espectador viu o trailer, já terá visto as melhores piadas. Todo mundo bebe demais, as coisas escapam ao controle e a festa vira um pandemônio. Você já viu isso a sério – bem, mais ou menos – nas bacanais da agência de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese. Gente bebendo, fazendo sexo no banheiro, vomitando. Talvez, em busca de efeitos pastelão, os diretores exagerem ao pendurar personagens no lustre e fazê-los esborrachar a cara, ao cair. Outro exagero talvez sejam as tradicionais piadas de flatulência. Há muito deixaram de oferecer surpresa. Viraram lugar comum de um certo humor, e a surpresa é ver como ainda funcionam para o grande público.

O que A Última Ressaca do Ano tem de mais interessante, no limite, é o fato de possibilitar algumas leituras, digamos, laterais. Em termos de roteiro, os protagonistas, com seus conflitos, fazem avançar a história. Os restantes estão lá para promover a destruição. É, no mínimo, curioso. Em Fábrica de Loucuras, de Ron Howard, há 30 anos, só para lembrar um exemplo, a turma do colarinho branco, face à disputa das montadoras japonesas, tem de mostrar valor. Na América que elegeu Donald Trump, a massa quer ver o circo pegar fogo. Como mensagem natalina, é punk, mas bem pode ser o sintoma de uma insatisfação geral. No Brasil, também? Afinal, o que se anda destruindo por aqui não está no gibi.

 

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