'Última Parada 174' recria sequestro de ônibus no Rio

Filme de Bruno Barreto representa o Brasil no Oscar, na disputa por prêmio de melhor filme estrangeiro

REUTERS

08 de outubro de 2023 | 17h11

Concorrente brasileiro a uma das cinco vagas da disputa ao Oscar de filme estrangeiro, "Última Parada; 174", de Bruno Barreto, revisita a tragédia de 12 de junho de 2000, no Rio de Janeiro. Na ocasião, um sequestrador, Sandro do Nascimento, manteve reféns num ônibus durante várias horas. Ao final do dia, a última refém, Geisa Gonçalves, de 21 anos, acabou morta. O sequestrador foi assassinado na viatura, depois de rendido, pelos policiais que o prenderam, como apurou o inquérito. Com a parceria do experiente roteirista Bráulio Mantovani, que participou da escrita de "Cidade de Deus", "Tropa de Elite" e "Linha de Passe", Barreto constrói uma história ficcional, transformando em dois os protagonistas do drama, usando jovens atores selecionados em testes junto a várias comunidades cariocas. Uma série de acontecimentos trágicos define a vida de dois meninos, Sandro (Michel Gomes) e Alessandro (Marcello Melo Jr.). Filho de Marisa (Chris Viana), mãe viciada, ainda bebê Sandro é levado por traficantes, como "pagamento" de uma dívida de drogas da mãe. Expulsa do morro, Marisa reconstrói sua vida, tornando-se evangélica. E nunca pára de procurar o filho perdido, que fugiu da casa da tia e cresceu nas ruas. Neste ambiente, ele conhece Alessandro, que teve uma vida parecida com a sua, mas, ao contrário de Sandro, tornou-se violento e conhecido pelo codinome de "Alê Monstro". Os garotos acabam dormindo nos degraus da Igreja da Candelária, de onde escapam de ser mortos num massacre - outro fato real, ocorrido em 1993 e tirado da biografia do verdadeiro Sandro do Nascimento, sobrevivente desta tragédia. Uma passagem pelas unidades de internação de menores coloca os dois meninos ao alcance de Marisa, que ainda procura o filho. Pela idade e pelo nome, pode ser qualquer um dos dois. O encontro da mãe não evita, porém, o sequestro do ônibus e as mortes do sequestrador e da refém. O filme evita, porém, atribuir a morte de Sandro aos policiais, o que foi comprovado em inquérito na época. Quanto às chances de o filme conseguir a vaga entre os cinco candidatos ao Oscar de filme estrangeiro - modalidade em que Bruno Barreto concorreu em 1998 com "O Que É Isso, Companheiro?" -, ainda são incertas. O anúncio só deverá ser feito no final de janeiro de 2009. O crítico da prestigiada revista norte-americana "Variety", Todd McCarthy, em comentário publicado em setembro passado, disse que o filme de Barreto "não traz nada de novo aos vários retratos de pobres e desesperados da sociedade brasileira levados às telas". (Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

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