Ugo Giorgetti começa a filmar "O Príncipe"

Luzes, câmera - ação! Ugo Giorgetti começa amanhã a rodar seu novo longa, O Príncipe. Ele roda uma cena numa feira livre, de manhã, e à tarde outra cena, mais importante, no Centro Cultural São Paulo. O príncipe, interpretado por Eduardo Tornaghi, visita uma exposição. São trabalhos de uma amiga do personagem e de uma amiga do diretor, a fotógrafa Marlene Bérgamo, que fez as fotos da filmagem de Sábado e Boleiros, os filmes precedentes de Giorgetti.Há dois anos e meio o diretor vinha trabalhando para o grande momento que começa amanhã. A fase de captação não foi apenas difícil - "foi um horror", diz Giorgetti. Considerado um dos melhores diretores de São Paulo e do Brasil na atualidade ele passou todo este tempo tentando convencer os investidores. As leis de incentivo, das quais é dependente o cinema brasileiro, colocam nas mãos dos diretores de marketing das empresas o poder de decisão sobre o produto no qual vão colocar o dinheiro retirado do imposto de renda devido.Com um orçamento em torno de R$ 1,8 milhão, não se pode dizer que O Príncipe seja um filme caro. Está acima do teto de R$ 1 milhão fixado pela secretaria do Audiovisual nos seus programas de incentivo à produção de baixo orçamento. Mas é bem menos do que produções problemáticas como Chatô, que criam a má vontade de setores da imprensa, do público e dos investidores contra o cinema brasileiro que, afinal, é sério e não tem mais picaretas que outras áreas da atividade artística e econômica, no País e no exterior.Do orçamento de R$ 1,8 milhão, Giorgetti conseguiu captar cerca de 3/4. Isso lhe permite rodar O Príncipe - colocar o filme na lata, como se diz -, mas não garante a finalização. Não é empecilho para a fome de filmar de Giorgetti. Ele vai fazer O Príncipe, de qualquer jeito. Vai filmar em película, que prefere, com equipe reduzida - como convém às exigências do projeto -, mas se não houvesse jeito filmaria em digital , "em VHS, no que fosse preciso". Os principais investidores são a Nossa Caixa e o BNDES.Filme escuro - Por que tanta urgência de filmar? O título faz referência ao personagem representativo do sistema político proposto pelo escritor e estadista florentino do século 15. Você pode até nem saber quem foi Maquiavel, mas com certeza já ouviu e até empregou o adjetivo "maquiavélico" para definir pessoas amorais, para as quais os fins justificam os meios e que não recuam diante de nada para atingir seus objetivos. O sujeito maquiavélico, em bom português, é astucioso, velhaco, trapaceiro.No filme de Giorgetti, o príncipe é um intelectual, bem preparado, que ficou afastado do País durante 20 anos, vivendo em Paris. Inesperadamente, ele tem de voltar e encontra uma São Paulo que não reconhece mais, amigos em processo de transformação. Nem as pessoas nem a cidade são mais o que eram. São Paulo, como sempre, é fundamental para Giorgetti, que tem mapeado, com seus filmes, a deterioração urbana da capital paulista. Em O Príncipe, resgata bairros que não têm sido muito visitados pelo cinema, como o Bom Retiro. E incorpora, à sua trama, o apagão, como expressão do Brasil de hoje. "Vai ser um filme escuro", avisa.Serão oito semanas de filmagem, a partir de amanhã. A captação de imagens deve terminar em 10 de agosto. Depois, um mês e meio de montagem, mais um mês e pouco para a mixagem, a finalização. Giorgetti estima que terá a primeira cópia pronta só em novembro, sem tempo, portanto, de lançar O Príncipe no Festival de Brasília. Como sempre, ele vai soltar a câmera entre numerosos personagens para fazer o seu comentário sobre as pessoas e que será também, obliquamente, um comentário sobre o Brasil. Além de Eduardo Tornaghi, estão no elenco: Elias Adreatto, Éwerton de Castro, Otávio Augusto, Bruna Lombardi e Nídia Lícia.

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