Turma da Mônica está em "Cine Gibi - O Filme"

Cinemeiro desde os anos 1940 - o pai o levava para ver filmes quase todas as noites -, Mauricio de Sousa comemora a volta ao cinema após 17 anos de afastamento. A Turma da Mônica em O Bicho Papão e Outras Histórias é de 1987. Havia inflação, falta de controle nas bilheterias, todo tipo de dificuldade tecnológica. "Se continuasse a fazer cinema iria à falência", avalia o animador. Com a valorização da produção nacional, ele lança hoje Cine Gibi - O Filme, com a Turma da Mônica."Ele é o meu público-alvo", diz Mauricio de Sousa, apontando o filho, Marcelinho. O menino adorou, mas se você pergunta ao próprio Marcelinho por que gostou ele responde - "Porque foi meu pai que fez." A expectativa de Sousa é multiplicar o gosto de Marcelinho e ampliar o mercado para seus produtos impressos e audiovisuais - no Brasil e no exterior. Ele está voltando com força. A UIP pôs dinheiro no projeto e faz a distribuição. Até o fim do ano, Cine Gibi estréia na Itália, onde os gibis com a Turma da Mônica vendem muito bem. O começo é muito simpático. Cine Gibi projeta Mônica, Cebolinha, Cascão, Magali e Bidu num clipe que reconstitui cenas famosas de clássicos - Casablanca, Cantando na Chuva, Titanic, os filmes da série Indiana Jones. Na seqüência, a turma contracena com Luciano Hulk, Vanessa Camargo, Fernanda Lima e a dupla Paulo e Thiago em esquetes que fazem o link entre as histórias que compõem o Cine Gibi. Elas foram adaptadas das revistinhas - com algumas modificações - e duram 7 minutos em média, cada uma. Mauricio de Sousa diz que faz filmes para as crianças bem pequenas. Mas sabe que formou gerações de adultos que ainda se divertem com seus gibis e filmes (e passam esse gosto para os filhos). As histórias do Cine Gibi chamam-se - Em Busca do Nariz de Isabele; Concurso de Beleza; Amor Dentuço; Caça Sansão; Cenário para Meus Brinquedos e Irmão Cascão. Mônica e seus amigos procuram a peça que falta num quebra-cabeças; enfrentam um vampiro e um cientista maluco que transforma o coelhinho da dentuça num gigante feito King Kong. E o Cebolinha, que não quer uma irmã, tenta fazer de Cascão seu irmãozinho - com resultados desastrosos. Nem Mauricio de Sousa sabe explicar a universalidade de seus personagens tão brasileiros. "Chico Bento faz o maior sucesso na Indonésia", admira-se. Está cheio de planos. Quer fazer uma animação computadorizada com Horácio, outra mais tradicional sobre viagem no tempo. Seu objetivo são os desenhos com histórias mais longas, unitárias. Mas ele pretende seguir o formato do Cine Gibi, fazendo outros filmes baseados em histórias dos quadrinhos. Seu sonho é conseguir apoio dos Ministérios da Educação e Cultura para transformar parte de seu estúdio numa escola de animação, formando técnicos. O cinema, ele explica, não atende só a uma necessidade pessoal, artística. "É vital para nossa necessidade de expansão", avalia. Para a versão italiana de Cine Gibi, por exemplo, ele vai substituir o elenco brasileiro de carne e osso por figuras conhecidas da TV e do cinema de lá.

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