Pagu Pictures
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'Tungstênio' e 'O Amante Duplo' estão entre as estreias da semana nos cinemas

Veja o que entra em cartaz nas telonas e programe-se para o fim de semana

Luiz Zanin Oricchio e Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

21 Junho 2018 | 06h00

Tungstênio - BOM

+++ 'Tungstênio': expressionismo à baiana

Em Tungstênio, Heitor Dhalia (de Nina e O Cheiro do Ralo), põe em foco uma Bahia consumida por conflitos sociais, em que pequenos malfeitores convivem com policiais pouco confiáveis. A fronteira entre os dois campos é tênue, para não dizer inexistente. A história é baseada na HQ homônima de Marcello Quintanilha. Dois pequenos meliantes, Liece (Pedro Wagner) e Poró (Sergio Laurentino) pescam usando explosivos, prática predatória proibida por lei. São observados por um indignado militar da reserva, o ex-sargento Ney (José Dumont), e por um pequeno transgressor, o jovem traficante Cajú (Wesley Guimarães). Este é informante de um policial violento, Richard (Fabrício Boliveira), chamado a intervir no caso dos pescadores ilegais.

Richard mantém um relacionamento abusivo com Keira (Samira Carvalho), que ameaça abandoná-lo, mas hesita em fazê-lo. A história tem narrativa em off com a voz de Milhem Cortaz. Mesmo tropeçando às vezes, a trama evolui. Põe em evidência a complexidade de uma sociedade de papéis um tanto indefinidos, em que todos suam para sobreviver e portanto vivem em situação de conflito permanente. Tudo parece um tanto gritado e exasperado demais, talvez porque o diretor tenha escolhido um registro menos naturalista que expressionista, tom mais adequado para retratar um país como o Brasil. Nesse ambiente em que todos parecem se entredevorar, não falta espaço para a ternura, muitas vezes diluída no excesso de violência. O elenco é quase todo excepcional. Boliveira faz um tipo truculento e no entanto frágil no âmago do seu ser. Dumont é o ex-milico rígido, mas dono de um coração. Wesley Guimarães é um jovem promissor e o mesmo se pode dizer de Samira Carvalho. Tungstênio é um filme de valor, com seus impasses e entraves. Retrato febril do povo brasileiro que, como o metal aludido, é maleável e resistente, senão não teria resistido até agora./LUIZ ZANIN ORICCHIO

O Amante Duplo - REGULAR

+++ Filme 'O Amante Duplo', de François Ozon, destaque do Festival Varilux de cinema francês

Sempre preocupado com questões de sexualidade e identidade, o francês François Ozon propõe seu filme talvez mais perturbador. Em O Amante Duplo, Marina Vacth, que ele já dirigiu em Jovem e Bela, de 2013, se envolve com seu psicanalista, mas faz descobertas surpreendentes sobre a personalidade dupla do (agora) companheiro. Ozon propõe imagens que podem até soar enigmáticas - um olho numa vagina - e o relato erótico lá pelas tantas adquire contornos de horror. Mas ele mantém não só o clima como propõe um desfecho também psicanalítico, como num thriller de Alfred Hitchcock. Jerémie Rénier, que faz o amante duplo, é um ator conhecido dos filmes dos irmãos Dardenne - A Criança, O Garoto da Motocicleta, A Garota Desconhecida. Saint Laurent, a versão de Bertrand Bonello, já lhe proporcionara um outro tipo de papel e personagem. Em conversa com o repórter, Rénier admitiu que nenhum outro diretor explorou sua virilidade na tela. “Mas François dizia que, se não fosse assim, o filme estaria perdido.”/LUIZ CARLOS MERTEN

Dedo na Ferida - BOM

Tempos atrás, o grande ensaísta Jean-Claude Bernardet disse que o cinema brasileiro era especialmente tímido no tratamento crítico de três temas: as Forças Armadas, o sistema financeiro e a mídia. Para provar que é exceção à regra, Silvio Tendler vem agora com este documentário sintomaticamente chamado de Dedo na Ferida, sobre o sistema financeiro. Através de entrevistas com gente como David Harvey, Costa-Gavras e Maria José Fariñas, não deixa pedra sobre pedra. Toma partido de ideias anticapitalistas e vê a especulação como fonte dos males contemporâneos, a partir da bolha imobiliária americana que jogou o mundo todo numa crise econômica da qual ainda não saiu. Através dos depoimentos, mas também de imagens e material de arquivo, procura demonstrar como somos dominados pelo fluxo incontrolado do capital. E de como a especulação caótica limitou até mesmo a autonomia dos Estados nacionais e sua capacidade de planejar. É um filme de tese, bem embasado, que assume seu lado e não tem medo de criticar o que existe de mais poderoso e intocável em nossos dias, o dogma absoluto da economia de mercado./LUIZ ZANIN ORICCHIO

Canastra Suja - RUIM

Em Canastra Suja, Caio Sóh busca o retrato em ¾ do que seria uma família disfuncional. Batista (Marco Ricca) e Maria (Adriana Esteves) formam o casal em aparência feliz, com suas duas filhas e um filho. Só que ele é alcoólatra e ela mantém um caso fora do casamento, ainda por cima com o namorado da filha mais velha, Emilia (Bianca Bin). Acresce que o filho, Pedro (Pedro Nercessian) não vê qualquer motivo para estudar ou trabalhar. A caçula, Rita (Cacá Ottoni) encontra-se ainda mais distante e parece sofrer de autismo. O quadro é apresentado de modo algo teatral e evoca o universo de Nelson Rodrigues. Tudo seria muito promissor, ainda mais quando se tem um elenco com Marco Ricca e Adriana Esteves, capazes de imprimir sutilezas e nuances mesmo a textos pouco propícios. Acontece que nem eles conseguem salvar a trajetória de uma trama que afunda cada vez mais numa espécie de sordidez estetizada. O já citado Nelson Rodrigues conseguia extrair lirismo da pantanosa condição humana. Não é para todos./LUIZ ZANIN ORICCHIO

Desobediência - ÓTIMO

+++ Sebastian Lelio filma amor entre mulheres e reafirma seu talento em 'Desobediência'

+++ Weisz e McAdams, duas Rachel vivem caso de amor em 'Desobediência'

Sebastián Lelio ainda não recebera seu Oscar - por Uma Mulher Fantástica - e já estava trabalhando no cinema de língua inglesa. O primeiro filme norte-americano do chileno é esse belíssimo Desobediência, que propõe questões importantes sobre a representatividade feminina LGBTQ+./LUIZ ZANIN ORICCHIO

O Caminho dos Sonhos 

Na década de 1980, os jovens Theres (Miriam Jakob) e Kenneth (Thorbjörn Björnsson) cantam pelas ruas da Grécia para financiar suas férias. No entanto, a relação dos dois é interrompida depois que a mãe de Kenneth sofre um acidente. Após 30 anos, eles se reencontram e a paixão entre os dois reascende.

Hereditário 

Após a morte da matriarca, a família Graham começa a enfrentar acontecimentos sobrenaturais assustadores. Preferida da avó, Charlie passa a ter comportamentos estranhos. Perturbador, aterrorizante e chocante são algumas definições para o filme que é considerado O Exorcista desta geração.

Rei 

No século 19, o aventureiro francês Antoine de Tounens (Rodrigo Lisboa) viaja para o continente sul-americano, onde cria sua própria monarquia. Com ajuda dos índios do sul do Chile, ele se declara o rei do local. No entanto, o governo do país tenta impedir esse reinado. Inspirado em fatos reais.

Jurassic World: Reino Ameaçado - REGULAR

+++ J.A. Bayona dá toque de terror ao novo 'Jurassic World'

O novo filme do 'reboot' de Jurassic Park substitui o salto alto de Claire pelo coturno e a aventura desenfreada do primeiro Jurassic World pelo horror que tanto atrai o diretor espanhol J.A. Bayona. Mas Chris Pratt no papel do mocinho, como nas velhas matinês, resolve a parada./LUIZ CARLOS MERTEN

Amores de Chumbo 

O casal Miguel e Lúcia vai comemorar 40 anos de união, mas o clima de festa acaba quando chega Maria Eugênia, uma mulher que teve um caso com Miguel no passado. Ao mesmo tempo que velhos rancores voltam à tona, é lembrado o momento político e social da época de chumbo da ditadura militar no Brasil.

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