Tudo sobre minha mãe em um minuto, desafia festival

Beto Brant, Fernando Meirelles eTata Amaral - a fina-flor do cinema paulista tem em comum nocurrículo o fato de que todos já fizeram filmes para o Festivaldo Minuto. Ao longo dos últimos anos, o festival se consolidou eaté se profissionalizou, mas o desafio continua o mesmo. Comopassar o máximo de informação no mínimo de tempo? Às vezes, é sóuma imagem, mas é tão impactante que permanece com o espectador.Você pensa no Festival do Minuto e, se acompanhou alguns, muitosou todos, não importa quantos, uma imagem que vem é a do olhosendo costurado, que tornou o vídeo A Inveja, de MirellaMartinelli, o grande vencedor da segunda edição. Ao longo da semana e até odomingo, dia 23, o público poderá ver os 35 trabalhosselecionados para a mostra competitiva. O júri de seleção foiformado por Marcelo Masagão, que criou e realiza o evento, pormeio da sua empresa Agência Observatório, por Francisco CésarFilho e Duda Mendonça. Na maioria das edições anteriores, o temafoi livre. Só em 1995 e 96, foram propostos temas aosparticipantes - a questão da cidadania, no primeiro, eautobiografia, no segundo. Este ano, o festival volta a sertemático - o tema proposto é mãe. No ano que vem, será de novo."Vamos trabalhar com as mínimas diferenças", diz Masagão. Elechega a citar as diferenças entre paulistas e baianos oupernambucanos, por exemplo. Talvez pudesse citar as diferençasentre homens e mulheres, mesmo que não sejam tão mínimas assim,mas esse já é o tema de seu documentário de longa-metragem, NemGravata nem Honra. No seu 12.º ano, o 10.º Festival do Minuto, compatrocínio da Petrobras, teve um recorde de participantesbrasileiros. Iniciado em 1991, o Festival do Minuto deveria estarcomemorando seu 12.º aniversário, mas como houve falta depatrocínio em dois anos - 1999 e 2002 -, a edição que começahoje é a de número dez. "Normalmente se inscrevem entre 550 e 600 títulos",explica Masagão. Este ano, foram 700. Em compensação, diminuíramos produtos estrangeiros. "Por falta de patrocínio, não pudemostrabalhar o festival com antecipação, para garantir um maiornúmero de participantes de fora." Mais importante do que onúmero, é a qualidade. "Dá para ver que as pessoas estãoaprofundando sua relação com a tecnologia. Elas ousam mais,testam os limites das mídias e dos suportes." Por isso mesmo, osparticipantes puderam enviar trabalhos realizados em qualquertipo de equipamento capaz de produzir imagens em movimento.Câmeras de vídeo, câmeras de fotos digitais, que produzemseqüências de fotos, e até animações em formato flash,produzidas no computador, com 12 frames. A abertura ocorre hoje, no CineSesc (Rua Augusta,2.075). E as exibições, durante toda a semana, serão realizadasem 62 pontos da cidade, incluindo o Museu da Imagem e do Som, oMIS, na Av. Europa, 158, na Videoteca da PUC, da Mackenzie, nascasas de cultura municipal, CEUs, Rede SESC e Bibliotecaspúblicas. Este número deve aumentar ainda mais e o 10.º Festivaldo Minuto vai itinerar pelo Brasil até completar 92 pontos deexibição em 11 Estados. O minuto deixa de ser só um tema e viraformato, linguagem. O desafio é vencer a efemeridade, produzindoimagens que alcancem algum tipo de transcendência. Masagãolembra que a publicidade rouba tanto do cinema. Ele não seenvergonha de ter roubado a essência do tempo da publicidade,mas ressalta que aqui não são sabonetes para vender. Um júri sóde mães - Didi Wagner, Cláudia Costin, Tata Amaral, LaísBodanzky, Débora Duboc e Zita Carvalhosa - escolheu osvencedores, que serão anunciados hoje. Muitos participantesdesenvolvem situações, outros utilizam imagens para expressarconceitos, como Mirella Martinelli fez em 1992. Um dos trabalhosconceituais deste ano mostra três mulheres. Avó, mãe e filha,numa escada (geracional), ilustram a frase que diz que mãe é bom mas dura demais.

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