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'Tudo Que Aprendemos Juntos', com Lázaro Ramos, é um dos favoritos no Festival do Rio

Anúncio dos vencedores será feito nesta quarta-feira

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

12 Outubro 2015 | 20h53

RIO - Encerrado segunda-feira, 12, com a exibição de El Clan, do argentino Pablo Trapero - recordista de público no país vizinho e vencedor do prêmio de direção na recente Mostra de Arte Cinematográfica de Veneza -, o Festival do Rio realiza esta noite a cerimônia de premiação, no Cine Odeon, agora transformado em Centro Cultural Luiz Severiano Ribeiro. Treze longas disputam o Redentor para a melhor obra de ficção. O festival exibiu muitos bons filmes, mas apenas quatro ou cinco credenciam-se à premiação pelo júri presidido por Walter Carvalho.

E o Redentor vai para... O repórter gostaria de jogar suas fichas em Aspirantes, do estreante Ives Rosenfeld, mas a disputa promete ser dura. Há o veterano Ruy Guerra, que pode ser recompensado por Quase Memória, que adaptou do romance de Carlos Heitor Cony. Há o jovem Gabriel Mascaro, com seu vigoroso Boi Neon. Há o exigente Vinícius Coimbra de A Floresta Que Se Move, baseado em Shakespeare. E há o emocionante Sérgio Machado de Tudo Que Aprendemos Juntos, que causou verdadeira comoção no domingo à noite, durante sua apresentação oficial no Lagoon. Machado codirige com Fernando Coimbra o documentário Aqui Deste Lugar, que, num certo sentido, é irmão gêmeo de Tudo Que Aprendemos Juntos.

O documentário é sobre três famílias que recebem a Bolsa Família, em diferentes regiões do Brasil. Por menor que seja o valor, esse dinheiro tem servido para elevar a autoestima e garantir a sobrevivência de uma parcela muito significativa de brasileiros. Jovens permitem-se criar projetos de vida, sonhar. Tudo Que Aprendemos Juntos inspira-se na história real da formação da Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Lázaro Ramos faz um músico em crise, e acuado pela falta de dinheiro. 

No desespero, aceita dar aulas de música numa ONG, na favela. Exigente e perfeccionista, ele começa se chocando com a falta de disciplina e perspectiva dos jovens, mas termina se comprometendo com eles. A realidade social da periferia e a possibilidade de refazer o concurso da Osesp em que fracassa no começo paralisam Laerte (é o nome do personagem). Ele vai continuar com seus garotos e garotas? Vai retomar sua vida, deixando a garotada entregue à própria sorte?

Prepare seu coração (e o lenço). Tudo Que Aprendemos Juntos aposta na emoção na esperança. Havia o temor de que o discurso edificante enfraquecesse o filme. Depende do olhar do público, claro, mas há uma certa ambivalência que não deixa de refletir o Brasil atual, o País real, em choque com o que o talvez queiramos construir, uma história de cartão de crédito, muito interessante. Vão vencer os sentimentos? Aspirantes e Boi Neon são mais ousados nesse sentido. E quanto a Quase Memória, o próprio Ruy Guerra exortou o público a ver seu filme com o coração, sem se preocupar em ‘entender’. A expectativa termina logo mais, e o júri terá trabalho também ao escolher as demais categorias. Melhor ator, atriz, coadjuvantes. Há muita gente jovem e talentosa concorrendo com veteranos de prestígio.

No domingo, o festival já fez a entrega do Félix, numa festa realizada no Centro Cultural Banco do Brasil, do Rio, na Candelária. O Félix substitui a Mostra Mundo Gay, que até há pouco abrigava os filmes dedicados ao universo LGBTQ. Eles estão espalhados por todas as seleções, mas com troféu próprio. Com o Félix, foi criado um troféu com o nome de Suzy Capó, programadora do festival que morreu no começo do ano. O Prêmio Suzy Capó recompensa um nome de destaque do universo LGBTQ. A vencedora do primeiro Troféu Suzy Capó foi a midiática Rogéria, que há décadas tem imposta sua persona na revista, no cinema e na TV. Quanto aos filmes, o Félix principal foi para Tangerina, de Sean Baker, dos EUA. O Brasil ficou com o prêmio do júri para Beira-Mar, da dupla gaúcha Filipe Matzembacher e Márcio Reolon.

Tangerina integrou a seleção de Sundance, no começo do ano. Independentemente do prêmio, que veio coroá-lo, o filme teria feito história de qualquer maneira. É interpretado por atrizes transexuais e foi todo filmado com iPhones. A história é sobre uma trans que sai da cadeia, na véspera do Natal. Ela esteve 28 anos confinada e agora descobre que seu antigo cafetão não lhe foi fiel. 

Sin-Dee (é seu nome) resolve tirar o assunto a limpo e mergulha na noite de Los Angeles com uma amiga. A odisseia das duas desenrola-se nas muitas subculturas da cidade. É uma Los Angeles como você nunca viu na tela. Beira-Mar é sobre outros dois amigos, numa praia invernal. Um deles tem um objetivo, o outro o acompanha. Rola um clima. Beira-Mar integrou a seleção de Berlim, em fevereiro. No Rio, passou na Mostra Novos Rumos.

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