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'Tubarão' mostra os dentes na telona 40 anos depois

Clássico de Steven Spielberg volta aos cinemas norte-americanos neste fim de semana

Fernando Mexia, EFE

20 de junho de 2015 | 20h35

LOS ANGELES - O filme Tubarão volta a fincar os dentes na bilheteria esta semana para comemorar o aniversário de 40 anos de sua estreia nos Estados Unidos em 20 de junho de 1975, uma data chave para entender a estratégia de verão atual de Hollywood e determinante para a carreira de Steven Spielberg. O filme sobre um grande tubarão branco que ameaça uma aprazível cidadezinha costeira persiste no imaginário coletivo tanto por suas cenas aquáticas como pela trilha sonora de John Williams, que recebeu um dos três Oscars que o filme conquistou em 1976. Tubarão ressurgirá com a mandíbula aberta em 500 cinemas neste domingo nos EUA pela mão da Turner Classic Movies e da Universal Pictures, o mesmo estúdio que há quatro décadas esteve perto de matar o esquilo antes de sua barbatana mortal surgir na telona.

A verdade é que, de início, ninguém imaginou que Tubarão fosse se converter no sucesso que foi. Era um projeto menor para o Universal Studios, que naquele ano tinha suas esperanças depositadas em O Hindenburg, um longa metragem sobre o histórico desastre do zepelim alemão homônimo cujo orçamento era quatro vezes o do tubarão, fixado em cerca de US$ 4 milhões (US$ 17,5 milhões atuais). Spielberg, que tinha 27 anos, só havia dirigido um filme (Louca Escapada), era desconhecido na indústria e entrou no projeto por acaso. 

Os produtores Richard Zanuck e David Brown preferiram outro diretor, embora o posto finalmente ficasse vago por divergências criativas.

Zanuck acreditou no talento do jovem cineasta, segundo contaria anos mais tarde no documentário Jaws: The Inside Story (2010), ao qual defendeu perante o estúdio quando as coisas começaram a desandar.

Tubarão era um projeto oportunista baseado no best-seller do mesmo nome escrito por Peter Benchley, que em 1974 estava fazendo furor nas livrarias. Urgia lançar o filme o quanto antes para aproveitar o sucesso literário, de modo que a pressa foi um fator desde o início.

Quando Spielberg assumiu o comando, ele tomou a decisão de rodar no oceano - na costa atlântica diante do povoado Martha's Vineyard, em Massachusetts - o que representou um desafio técnico que ele não havia imaginado. Até então, Hollywood havia evitado o mar aberto por ser um ambiente à mercê de elementos incontroláveis. O diretor, entretanto, queria a textura das ondas, o realismo da força do mar que, naquela época, não se podia simular por computador e não se podia conseguir num tanque de água num estúdio ou num lago.

A experiência confirmou os temores dos veteranos da indústria. A filmagem sofreu interrupções constantes, umas vezes por problemas meteorológicos e outras, a maioria, por falhas técnicas que obrigaram Spielberg a reformular a forma de fazer o filme. Os modelos de tubarão mecanizados fabricados para Tubarão que seriam os protagonistas se estropiavam tanto que não se avançava, de modo que o diretor optou por prescindir deles para a maioria das cenas.

"O que faria Hitchcock numa situação dessas?" se perguntou Spielberg, que decidiu substituir o peixe por planos subjetivos e tomadas em que se percebe sua presença abaixo da superfície, embora nunca se o veja.

Além disso, durante a filmagem, um barco afundou, bobinas com material já gravado encharcaram, e trabalhou-se com um roteiro que mudava a cada dia. O que seria 60 dias de filmagem demorou 157 e custou US$ 14 milhões.

Spielberg esteve a ponto de desistir. Em Hollywood o assinalavam como culpado e ele achou que Tubarão destruiria sua carreira. O estúdio esteve a ponto de despedi-lo e cancelar o projeto. Richard Dreyfuss, que encabeçou o elenco junto com Roy Scheider e Robert Shaw, ficou tão farto, que criticou o filme depois de concluir as filmagens e numa entrevista admitiu que não lhe agradava o trabalho que havia feito.

Palavras das quais logo se arrependeu. Com o produto na mão, a Universal Studios planejou uma estreia em massa (450 cinema) e uma extensa campanha promocional em todo o país que incluiu numerosas ações de marketing, algo inovador em relação aos lançamentos mais escalonados (e menos arriscados). E Tubarão arrasou.

Em 1975, o público fazia fila para ver o filme, que ficou em cartaz durante meses e devorou a bilheteria até arrecadar mais de US$ 470 milhões na época (mais de US$ 2 bilhões atuais) em todo o mundo.

Spielberg passou de ser questionado a, segundo suas palavras, ganhar a liberdade para fazer "qualquer filme", enquanto Hollywood descobriu que, ao contrário do que pensava, o verão era um grande momento para vender ingressos.

Tradução de Celso Paciornik 

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