'Tropa de Elite' tem a coletiva mais concorrida do Festival

Diretor José Padilha diz que seu filme não é de direita e antecipa estréia por conta da pirataria

Luiz Carlos Merten, do Estadão,

07 Outubro 2002 | 19h56

Foi a coletiva mais concorrida do Festival do Rio 2007, que termina nesta quinta, 4. O diretor José Padilha, o produtor Marcos Prado e os atores Wagner Moura, André Ramiro, Caio Junqueira e Fernanda Machado foram à tenda do festival, armada na praia de Copacabana, para falar do filme que virou um fenômeno - Tropa de Elite. Começaram informando que a estréia, programada para dia 12, foi antecipada para esta sexta, dia 5, em Rio e São Paulo. Nestas duas praças, São Paulo capital e interior, Tropa de Elite será lançado com 140 cópias - 120 em 35 mm e as restantes para exibição digital. O que alterou a estratégia de lançamento? A pirataria, claro.   Trailer de Tropa de Elite   "Aqui ao lado está se realizando na manhã desta terça, 2, um debate sobre pirataria. O caso de Tropa de Elite virou exemplar. Como se trata de uma economia informal, é impossível obter dados confiáveis ou exatos, mas os especialistas calculam que um milhão de cópias do DVD pirata já foram vendidas", disse o produtor. O fenômeno ultrapassa as fronteiras do cinema brasileiro. Terá efeito no público? "As estimativas de público são sempre apenas isso, estimativas, desejos. Não queremos trabalhar com abstrações. Inicialmente, pensávamos num público de 1,5 milhão de espectadores. Hoje, não sabemos se a pirataria vai prejudicar ou se vai atrair espectadores. Pessoalmente, acredito que Tropa de Elite poderá fazer em torno de 5 milhões de espectadores", projetou Marcos Prado.   Resposta   José Padilha respondeu às acusações de que seu filme é de direita, ou fascista. "Quando fiz Ônibus 174, expondo o ponto de vista do criminoso, fui chamado de radical de esquerda. Agora, me lançam no outro extremo. O fato de expor, desta vez, o ponto de vista da polícia não me faz compartilhar a sua visão de mundo e da sociedade. O capitão Nascimento (personagem de Wagner Moura) não é um herói. Há toda uma construção do personagem para apresentá-lo como um homem em crise, um homem que duvida da sua dedicação à polícia e cuja vida familiar está destroçada."     Falando do papel da classe média no apoio à violência que a vem transformando em refém - é o consumo que alimenta o tráfico, o filme deixa claro -, o ator André Ramiro, que era bilheteiro de um cinema na Zona Sul do Rio, comparou o tráfico à pirataria, guardadas as proporções. Meticuloso com as palavras - "Muita coisa vem sendo dita e publicada de forma impensada" -, José Padilha expõe a sua opinião pessoal. "A solução dessa guerra passa pela descriminalização das drogas e a liberação da maconha. Se as pessoas podem fumar e beber, duas atividades nocivas, por que só a maconha tem de ser criminalizada?" Mas ele sabe que o problema é amplo - "Não será resolvido com uma canetada."

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