'Tropa de Elite' recebe mais críticas que aplausos em Berlim

Revista 'Variety' diz que o filme faz uma "celebração da violência que flerta com filme de recrutamento nazista"

estadao.com.br,

08 Fevereiro 2013 | 12h51

O filme Tropa de Elite foi fortemente criticado no site da revista especializada Variety que o compara a Rambo, de Sylvester Stallone. O texto diz que Tropa de Elite "eleva a poderosa Polícia Militar do Brasil ao heroísmo estilo Rambo". A crítica fala ainda em uma "celebração da violência que flerta com um filme de recrutamento nazista".  Veja também:'Rambo IV' é a guerra de um herói que tenta se humanizarMadonna traz 'sabedoria' e tumulto ao Festival de Berlim "O filme foi acompanhado por grandes debates acerca da glorificação da brutalidade dos métodos policiais", diz a Variety, que afirma que a história é um "retrato fiel da violência nas favelas do Rio e da corrupção galopante que a sustenta". O Batalhão de Operações Especiais (Bope) é chamado de "pequena força tática enviada às favelas para matar sem pensar".  "No entanto, na sessão da tarde em Berlim, a obra de José Padilha foi aplaudida de pé", como afirma o crítico do Estado Luiz Carlos Merten, que participa da cobertura do Festival de Berlim. O filme foi exibido na segunda-feira, 11, de manhã no Festival de Cinema de Berlim, onde concorre ao Urso de Ouro, o prêmio máximo da Berlinale. Na matéria que traz uma entrevista com José Padilha, a publicação Hollywood Repórter critica o diretor e afirma que "Tropa de Elite mostra corrupção generalizada e a violência dentro da polícia". Por outro lado, o jornal El País elogia a obra de Padilha e a chama de 'bom cinema'. "Padilha nos assegura, com bom cinema, que a corrupção generalizada é a moeda de troca na qual estão enfronhados os guardiões da lei, gente que pratica sistematicamente a tortura e o assassinato seletivo ou indiscriminado sem ter que prestar contas a nenhum tribunal", diz a publicação.  Sessão para a imprensa, por Luiz Carlos Merten  Em Berlim, na sessão de imprensa após a exibição do filme, não houve aplausos nem vaias, como se o público não soubesse direito como resistir a um filme tão forte e impactante.  À tarde, na sessão oficial, impressionado com a imagem do policial que aponta seu revólver para atingir a cara do traficante a seus pés, o público ficou uns 15 segundos em rigoroso silêncio. Em seguida, rompeu num aplauso que foi crescendo, e as pessoas levantaram-se para ovacionar Tropa de Elite.  O diretor lavou a alma. Num encontro promovido pela Embaixada do Brasil com as equipes de filmes nacionais presentes na Berlinale, Padilha disse: "Algumas pessoas vieram comentar que os alemães ficaram impressionados. Pela reação da platéia, posso acreditar que sim". Wagner Moura, o Capitão Nascimento, passou a tarde dando entrevistas. "O que deu para sentir foi que o filme mexeu com as pessoas. É um filme que expõe nossa cara e faz pensar." Tropa está na corrida pelo Urso de Ouro. Uma coisa é certa: o júri viu Tropa na malfadada sessão da manhã. A expectativa é de que isso não traga prejuízos ao filme.

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