''Tropa de Elite' não venceu por unanimidade', diz Costa-Gavras

Presidente do júri da Berlinale diz que havia contrários ao filme, mas que o 'diálogo' decidiu o Urso de Ouro

Luiz Carlos Merten, de O Estado de S. Paulo,

08 Fevereiro 2018 | 07h59

No seu discurso de agradecimento, no palco do Berlinale Palast, José Padilha disse que era ainda mais emocionante receber o Urso de Ouro atribuído pelo júri presidido por um cineasta que virou herói para toda uma geração de diretores latino-americanos por sua grande fase política nos anos 60 e 70. Ao lado do diretor de Tropa de Elite, Constantin Costa-Gavras sorriu, mas nada comentou. Neste domingo, 17, o herói sentou-se ao lado do repórter do Estado no aeroporto de Tegel, na capital alemã, à espera do vôo para Paris. O repórter do Estado acompanhou o movimento de Costa-Gavras desde que ele passou pela segurança. Havia dois lugares disponíveis na sala. O pensamento positivo ajudou e Costa sentou-se ao lado do repórter.   Não se desperdiça uma oportunidade como esta. Agradeci a Costa-Gavras por sua coragem em premiar o filme brasileiro. Ele disse que não havia nada a agradecer. Não havia feito favor algum. "Não vou dizer que tenha sido por unanimidade. Havia pessoas contrárias a Tropa de Elite no júri, mas nada que não se pudesse resolver pelo diálogo. Conversamos muito e, no final, o senso comum prevaleceu. É um filme muito forte, muito importante. Ajuda-nos a compreender a sociedade brasileira, e não apenas esta. Corrupção e violência são pragas que avançam em todo mundo. Com as especificidades de cada lugar."   Um pouco antes de falar com o presidente do júri de Berlim, o repórter do Estado havia encontrado uma jornalista estrangeira que reclamara do excesso de diálogos de Tropa de Elite. "O público de língua inglesa prefere a ação ao diálogo", ela disse. Costa-Gavras disse que o medo das palavras é típico de pessoas que não querem pensar.   O repórter aproveita para falar da filha do diretor, Julie. Ela assina A Culpa É do Fidel. "O filme de sua filha foi (ainda é?) um grande sucesso nos cinemas brasileiros." Ele responde - "Já me haviam dito isso." Como pai, o que ele pensa de A Culpa É do Fidel? "O problema é que sou suspeito e tudo o que disser pode ser creditado à ação de um pai-coruja. Mas estou muito orgulhoso de Julie. Ela fez um filme justo no tom, sem nenhum excesso. E a menina que faz a protagonista é notável. É um filme muito promissor." Ele não se importa de virar o pai de Julie Gavras? "Que pai se importaria?", responde. O sorriso não deixa margem à dúvida de que Costa-Gavras é o pai feliz de uma cineasta talentosa.

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