Pandora Filmes
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'Troca de Rainhas' e 'Unicórnio' estão entre as estreias de cinema da semana

Chegam aos cinemas nesta quinta, 16, ainda, 'Abrindo o Armário', 'Como É Cruel Viver Assim' e 'Medo Viral', entre outros filmes; veja trailers

Luiz Carlos Merten e Luiz Zanin Oricchio, O Estado de S. Paulo

16 de agosto de 2018 | 06h00

Entre as estreias de cinema desta semana, destaque para o filme do francês nascido no Senegal Marc Dugain, Troca de Rainhas, o documentário nacional Abrindo o Armário, o drama Unicórnio, baseado em histórias da escritora Hilda Hilst, e a comédia dramática brasileira Como É Cruel Viver Assim. Veja, também, o trailer dos filmes que estreia nesta quinta, 16.

DRAMA

Casamentos sem amor e acordos de Estado 

Troca de Rainhas 

(França-Bélgica/2017, 100 min.) Dir. Marc Dugain. Com Lambert Wilson, Olivier Gourmet, Anamaria Vartolomei, Juliane Lepoureau, Catherine Mouchet

Autora do romance em que se baseou Benoît Jacquot para fazer Adeus, Minha Rainha, Chantal Thomas fornece agora o material para Troca de Rainhas, de outro francês, Marc Dugain, nascido no Senegal. O filme passou no Festival Varilux. É ótimo. Aluna de Roland Barthes, Chantal trabalha com seriedade. Adeus mostra a derrocada de Maria Antonieta pela lente de uma aia. Troca de Rainhas aborda os casamentos arranjados da realeza europeia.

Para fortalecer os laços entre França e Espanha e impedir novas guerras, o regente francês, Filipe de Orleans, propõe um duplo casamento. Luís XV, de apenas 11 anos, se casará com a infanta espanhola, de 4, e a filha do próprio Felipe, de 12, se casará com o herdeiro do trono de Espanha, de 16. O garoto espanhol enamora-se da noiva prometida. Ela o rejeita. Luís XV também é mal influenciado por amigos gays que desconsideram a menina espanhola.

Talvez por ter vindo das colônias, Dugain tem um olhar duro para a falsidade da corte. Discute a função dessas uniões arranjadas – produzir herdeiros. Há urgência de ambos os lados, e impossibilidades idem. São crianças! O filme aborda o assassinato da infância e a supressão dos sentimentos em negócios de Estado. Quando o herdeiro espanhol pede tempo para tentar conquistar a garota por quem se apaixonou, pai e mãe surpreendem-se – “Mas o amor nunca entrou nessa negociação.” Suntuosamente filmada e iluminada, a produção enche os olhos e se beneficia de participações ilustres.

Olivier Gourmet, dos filmes dos irmãos Dardenne, faz o regente francês e Lambert Wilson, o atormentado rei espanhol, que carrega a culpa pelas guerras – e mortes – que provocou. Mustii, o herdeiro espanhol, é um fenômeno da música belga. No final, Troca de Rainhas conta uma trágica história de amores impossíveis. E tem, gloriosa no papel da impotente babá do rei francês a Thérèse de Alain Cavalier – Catherine Mouchet, que também faz agora, 40 anos depois, a imperatriz virgem no início do novo Cacá Diegues, que abre Gramado, O Grande Circo Místico. / L.C.M.

DOCUMENTÁRIO

Crítica ao absurdo da discriminação sexual 

Abrindo o Armário

(Brasil/2016, 87 min.) Dir. de Dario Menezes, Luís Abramo. Com MC Linn da Quebrada, Ciro Barcelos, João Silvério Trevisan

Entre os muitos retrocessos da atual sociedade brasileira, sobram alguns avanços. Entre eles, o reconhecimento dos direitos LGBT, uma luta ainda por ser travada de maneira mais ampla, mas que já deu alguns passos adiante. Nesse contexto, é lançado o documentário Abrindo o Armário, mesclando depoimentos de artistas veteranos, como o do escritor e cineasta João Silvério Trevisan aos de jovens como Linn da Quebrada e Viper Venomous. O filme tenta – e consegue – mostrar o absurdo que significa discriminar alguém por conta de sua sexualidade. / L.Z.O

DRAMA

‘Unicórnio’ reinventa texto de Hilda Hilst

Unicórnio 

(Brasil / 2017, 122 min.)Dir. de Eduardo Nunes. Com Bárbara Luz, Patrícia Pillar, Lee Taylor, Zé Carlos Machado

A escritora Hilda Hilst (1930-2004) esteve no foco da mídia ao ser a homenageada da Flip (Festa Literária de Paraty) deste ano. Um dos eventos foi a apresentação de Unicórnio, adaptação para o cinema de um dos primeiros relatos de Hilda em prosa, presente no livro Fluxo-Floema. Não haveria diretor mais adequado para fazê-lo. Eduardo Nunes (de Sudoeste) é um cineasta que aposta mais na construção de climas e sensações do que em linhas narrativas retas e sem ambiguidades. Fez um filme belíssimo, cheio de alusões e elipses. Para cinéfilos de fino trato. / L.Z.O.

COMÉDIA DRAMÁTICA

Vida de subúrbio, pela lente de Julia Rezende

Como É Cruel Viver Assim

(Brasil/2017, 107 min.)Dir. de Julia Rezende. Com Marcelo Valle, Fabiula Nascimento, Paulo Miklos, Débora Lamm

Na entrevista que deu ao Estado, Fabiula Nascimento, enquanto mulher liberada, do seu tempo, disse que entendia a dona de casa suburbana de Como É Cruel Viver Assim. No filme de Julia Rezende que estreia nesta quinta, 16, ela possui o próprio negócio – um instituto de beleza – e, mesmo assim, participa do destrambelhado plano de assalto promovido pelo marido. Intui que aquilo não vai dar certo, mas vai por amor. Julia filma bem, reúne um elenco ótimo – além de Fabiula, o marido da diretora, Sílvio Guindane, Marcelo Valle, Paulo Miklos, etc. Humor nos limites da tragédia, riqueza de observação humana e social. Muito bom. / L.C.M.

 

TERROR

‘Medo Viral’, o terror que vem do aplicativo

Medo Viral/ Bedeviled

(EUA/ 2016, 91 min.)Dir. de Abel Vang, Burlee Vang. Com Saxon Sharbino, Bonnie Morgan, Brandon Soo Hoo 

Uma garota morre em circunstâncias misteriosas e tempos depois seus amigos recebem uma chamada de seu celular, convidando-os a baixar um aplicativo. No começo, o APP parece apenas um desses auxiliares digitais que realizam tarefas para os usuários (Spike Jonze fez Her, um filme interessante sobre esse tipo de inteligência digital). Mas logo o sobrenatural se instala, aterrorizando os jovens, como é de praxe nesse tipo de projeto. Pouco imaginativo, o filme dos irmãos Abel e Burlee Vang limita-se a sustinhos baratos e a uma tentativa de associar terror a tecnologia. Previsível. / L.Z.O.


AVENTURA

Em busca da infância perdida​

Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível

(EUA/ /2018, 104 min.)Dir. de Marc Forster. Com Ewan McGregor, Hayley Atwell, Mark Gatiss

No novo live action da Disney, o garotinho que se envolveu em aventuras no Bosque dos Cem Acres com seus bichinhos de pelúcia cresceu e perdeu o rumo. Agora seus amigos de infância precisam ajudar Christopher Robin a se recordar do garoto brincalhão que ainda existe em seu interior.

DOCUMENTÁRIO

Olhar especial sobre a região yanomami

Como Fotografei os Yanomami

(Brasil/2017, 72 min.) Dir. de Otavio Cury

O documentário, que tem direção de Otavio Cury, faz um retrato aprofundado dos profissionais de saúde que trabalham na região indígena yanomami. São enfermeiros e técnicos que dedicam suas vidas a tratar os habitantes de pequenos abrigos isolados na floresta.

FICÇÃO CIENTÍFICA

Os sobreviventes num mundo apocalíptico

Mentes Sombrias

/ The Darkest Minds 

(EUA/ 2018, 104 min.) Dir. de Jennifer Yuh Nelson. Com Amandla Stenberg, Harris Dickinson

Num mundo apocalíptico, onde uma pandemia mata a maioria das crianças e adolescentes, alguns sobreviventes desenvolvem poderes sobrenaturais. Assim, eles são tirados de suas famílias pelo governo e enviados a campos de custódia. Ruby (Amandla Stenberg) é um deles e precisa se esconder.

COMÉDIA DRAMÁTICA

Daniel Auteil, também diretor. E dos bons

A Outra Mulher

(França/2018, 84 min.)Dir. de Daniel Auteuil. Com Daniel Auteuil, Gérard Depardieu, Sandrine Kiberlain

Além de grande ator, Daniel Auteuil revelou talento ao estrear na direção com o belo A Filha do Pai, baseado em Marcel Pagnol. Por isso mesmo, há expectativa por seu novo longa, A Outra Mulher, que também tem Gérard Depardieu, Sandrine Kiberlain e Adriana Ugarte no elenco.

AÇÃO

Fuqua e ‘Protetor 2’, de olho na montagem

O Protetor 2

/ The Equalizer 2

(EUA/ 2018, 121 min.)Dir. de Antoine Fuqua. Com Denzel Washington, Pedro Pascal, Bill Pullman

Quem viu O Protetor e o remake de Sete Homens e Um Destino sabe que o diretor Antoine Fuqua é um gênio da montagem. Cineasta negro, cavou seu espaço em Hollywood com filmes fortes – e violentos. Com Denzel Washington, promete arrebentar na sequência O Protetor 2.

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