Três filmes para lembrar James Dean nos 60 anos de sua morte

Três filmes para lembrar James Dean nos 60 anos de sua morte

Morto em um acidente de carro quando tinha 24 anos, o ator virou um mito reverenciado até hoje; veja vídeos

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 de setembro de 2015 | 09h00

Anton Corbjin já fez um elogiado filme – Control – sobre Ian Curtis, vocalista do Joy Division que se suicidou aos 23 anos. Ele agora faz um recorte muito particular da vida de James Dean. Em Life, Jimmy Dean começa a despontar como astro quando encontra o lendário fotógrafo da revista de mesmo nome, Dennis Stock.

Foi Dennis quem tirou algumas das mais famosas fotos de Jimmy Dean, em especial aquela em que ele, de sobretudo escuro e um cigarro na boca, caminha por uma Nova York fantasmagórica. Há quem diga que, sem o click de Dennis, Dean talvez não tivesse voado tão alto.

James Dean! Nascido em Marion, Indiana, em 8 de fevereiro de 1931, ele morreu num acidente de carro numa estrada da Califórnia, em 30 de setembro de 1955. Isso significa que estão se completando 60 anos da morte do astro.

Ele tinha 24 anos. Fez apenas sete filmes – o último, nem sequer havia estreado. Começou com pequenos papéis em 1951, aos 20 anos, em O Marujo Foi na Onda e Baionetas Caladas, filme de guerra de Samuel Fuller. Em 1952 e 53, fez mais dois filmes como coadjuvante – Sinfonia Prateada, de Douglas Sirk, e Atalhos do Destino.

Passaram-se dois anos e, em 1955, com a estreia de Vidas Amargas, de Elia Kazan, e Juventude Transviada, de Nicholas Ray, houve a consagração. Em 1956, quando estreou aquele que ficou sendo seu último filme – Assim Caminha a Humanidade/Giant, de George Stevens –, já estava morto.

Dean, que o público chamava carinhosamente de Jimmy, adorava velocidade. Comprou um Porsche, com o qual corria a toda velocidade nas estradas do Texas, durante a filmagem do clássico de Stevens. O filme já estava concluído, mas ainda não fora lançado quando houve o acidente fatal.

Só para lembrar, foi também num Porsche que Paul Walker, o parceiro de Vin Diesel na série Velozes e Furiosos, morreu décadas depois. Walker tinha 40 anos. Dean, pouco mais que a metade. O fato de haver morrido tão jovem consolidou o mito. O público podia, eventualmente, evocar o James Dean envelhecido de Giant. Mas na primeira metade do filme e nos dois longas que esculpiram o mito, o que ele colocou na tela foi a personificação da rebeldia e das angústias próprias da juventude na década de 1950.

Ator do Método – o estilo de representação que Lee Strasberg e Elia Kazan desenvolveram no Actors Studio, com base nas teorias do russo Stanislawski –, Dean começou no teatro, e não com um personagem qualquer. Fez o imoralista, com base no texto famoso do francês André Gide, que venceu o Prêmio Nobel de Literatura em 1947.

Gide criou frases que ficaram famosas – “Crê nos que buscam a verdade; desconfia dos que dizem que a encontraram”; “As coisas pertencem a quem sabe desfrutá-las”, etc. Mais do que isso – sua juventude foi marcada por severos conflitos de identidade e sexualidade. Tendo adoecido gravemente durante uma viagem à África, Gide liberou-se e assumiu que era homossexual.

Jimmy Dean também era, embora talvez fosse mais correto defini-lo como bissexual. A jovem Liz Taylor, por quem seu personagem (Jet Rink) era apaixonado em Giant, tomou-o sob sua proteção numa Hollywood que tolerava a homossexualidade, mas estigmatizava os gays.

Jimmy cumpriu o protocolo. Namorou uma starlette italiana que teve seu momento em Hollywood – Annamaria Pier Angeli. Até nisso a morte prematura contribuiu para o mito. James Dean não envelheceu e foi morto, presumivelmente, por michês, como Sal Mineo, que foi seu colega de elenco em Juventude Transviada.

Seus personagens não eram só atormentados. O Cal Trask de Vidas Amargas, que Kazan e Paul Osborne adaptaram do romance À Leste do Éden, de John Steinbeck, vive com o irmão a relação de Abel e Caim e, numa cena de grande intensidade, arrasta o outro ao bordel, para que conheça a mãe prostituta.

Juventude Transviada chama-se, no original, Rebel Without a Cause, Rebelde sem Causa. Mas o filme de Nicholas Ray, com roteiro de Stewart Stern, não faz outra coisa senão apresentar causas para a rebeldia de Jim Stark (é o nome do personagem). Jim não encontra apoio na família e despreza o pai, que considera covarde.

James Dean era insuperável nessas cenas de descontrole emocional. Desnudava os sentimentos, chorava e gesticulava como se estivesse morrendo de tanta dor. Se a família não ajuda, Jim criava a família substituta com Natalie Wood e Sal Mineo.

Todos tiveram mortes trágicas – a de Dean, no acidente de carro; a de Natalie, num acidente de barco, e até hoje muita gente em Hollywood desconfia que foi assassinada; Sal, morto por um michê. 

Os três grandes filmes – míticos – de James Dean estão disponíveis em DVD e Blu-Ray. Existem caixas dedicadas ao astro. Basta rodar o disco de Juventude Transviada. O trio Jimmy/Nat/Sal abriga-se no planetário, buscando uma saída fora deste mundo. Graças aos papéis no cinema e às fotos de Dennis Stock – interpretado por Robert Pattinson, da série Crepúsculo, no filme de Anton Corbjin (e o filme sugere um vínculo homossexual entre ambos) –, Dean virou ícone cultural.

Ele teria hoje 80 e tantos anos (84!), mas a imagem que ficou é a do eterno jovem. Há 60 anos, o homem que o socorreu, um mecânico chamado Rolf Wüterich, jura que ainda estava vivo, apesar da coluna partida e da hemorragia interna. No auge da dor, ele ouviu Jimmy murmurar – clamando pela mãe ou por Deus?

Em Hollywood, na Calçada da Fama, sua estrela é uma das mais visitadas. E em Fairmount, Indiana, seu túmulo está sempre florido.

Em 1957, apenas dois anos depois de sua morte, o jovem Robert Altman, então com 32 anos, fez o documentário The James Dean Story. Em 1982, aos 57, Altman adaptou a peça Came Back To the 5 & Dimme, Jimmy Dean, Jimmy Dean, de Ed Graczyk, e fez o filme que se chamou James Dean – O Mito Sobrevive (no Brasil).

Conta a história de amigas texanas que eram jovens e sonhavam com o astro enquanto ele filmava com Elizabeth Taylor e Rock Hudson a obra cultuada de George Stevens, perto da casa delas. Interpretadas por Cher, Sandy Dennis, Karen Black e Kathy Bates, as amigas se reúnem para lembrar o aniversário da morte do astro e aproveitam para acertar velhas contas. São todas ‘as viúvas’ de Jimmy.

 

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