Três estrangeiros levam o choro ao cinema

O primeiro filme sobre o choro, estilo centenário, pai dos outros que surgiram no Brasil, será feito por três estrangeiros, o finlandês Mika Kaurismaki (diretor), o suíço Marco Foster e o italiano Bruno Stropiana (produtores). Projeto Sarau (título provisório) já terminou a fase de filmagem. Mika, que já fez outro documentário, Moro no Brasil, mapeando a música popular contemporânea, queria mostrar ao mundo (e também aos brasileiros) o nosso gênero mais tradicional."Não conto a história do choro, mas como é tocado hoje. Entram os antecedentes, alguma imagem de arquivo, mas os próprios músicos contam a história", explica o diretor. O filme terá pouca conversa e muita música, geralmente executada na presença do público. Uma das locações foi na Barca do Choro, invenção do próprio Mika. O Teatro Municipal de Niterói também abrigou algumas cenas importantes, reunindo do veterano Jorginho do Pandeiro (do Época de Ouro, ainda com Jacob do Bandolin) aos adolescentes Emerson e Aquiles (este de 13 anos), alunos da Escola Portátil de Música, em Cordeiro, no interior fluminense. O show, em abril, lotou a pequena e centenária sala de espetáculos e foi conduzido pelo Trio Madeira Brasil (Zé Paulo e Marcelo Gonçalves nos violões e Ronaldo do Bandolin) que recebeu como convidados Yamandú, Marcos Suzano, Guinga, entre outros."A idéia do filme veio de um show do Madeira Brasil lá na Suíça. O choro é o gênero brasileiro menos conhecido lá fora e mesmo aqui no País, mas é riquíssimo e, bem trabalhado, será sucesso no mundo inteiro", diz Marco Foster, arquiteto suíço que morou na Bahia nos anos 70 e, para divulgar o choro pelo mundo afora, virou produtor de cinema. "O Trio Madeira Brasil conduz o filme, mas queremos mostrar também quem é o músico que faz choro.""Buena Vista" - Produtor de Xangô de Baker Street, Estorvo e Veneno da Madrugada, novo filme de Ruy Guerra, Stropiana viabilizou o filme ao conseguir pouco mais de 25% do orçamento de R$ 1,6 milhão no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), pela Lei do Audiovisual. "Negociamos o que falta com distribuidoras nacionais e estrangeiras. Eles comparam esse filme com Buena Vista Social Club (sobre música cubana)." Foster ressalta as diferenças entre os dois filmes. "Buena Vista é um disco que virou filme e nossa idéia e partir do filme para DVD, disco e até turnê. Além disso, enquanto Win Wenders, diretor do Buena Vista, retratou a música tradicional cubana, falamos do choro atual, mais que de sua evolução desde século 19", comenta. O filme será montado fora do Brasil e tem estréia prevista para o ano que vem, em grandes festivais de cinema da Europa.

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