Trajetória de Maria Leopoldina inspira documentário

A história do Brasil império é quase sempre direcionada aos imperadores d. Pedro I e d. Pedro II. Mas as imperatrizes, relegadas a um segundo plano, tiveram participação de destaque, tanto na independência do Brasil, quanto nos bastidores do segundo reinado. Foi para resgatar parte dessa memória que o cineasta Dimas de Oliveira rodou o documentário Maria Leopoldina - Imperatriz do Brasil, que será exibido nesta terça-feira no TBC.A imperatriz Leopoldina assumia o poder sempre que d. Pedro I se ausentava e destacou-se por ser a precursora do abolicionismo. Foi ela quem redigiu a declaração de independência do Brasil. Ela era apaixonada pelo País e era muito respeitada por sua visão moderna e avançada. Foi mãe de d. Maria II, que tornou-se uma das mais respeitadas rainhas de Portugal, sendo responsável pela unificação do país.Quando desembarcou no Brasil, vinda da Áustria para casar-se com D. Pedro I, mostrou que diferia das princesas de então. Enquanto o costume era trazer uma comitiva de mulheres da corte para fazer companhia, dona Leopoldina trouxe consigo um grupo de botânicos, zoólogos e geólogos.Eles foram responsáveis pelo maior levantamento das riquezas, flora e fauna brasileiras. Todo o material obtido encontra-se hoje no museu brasileiro de Viena, na Áustria, que possui um acervo de fazer inveja ao Brasil. Sua morte causou uma comoção nacional comparável à que se viu quando da morte de Getúlio Vargas e, mais recentemente, de Ayrton Senna. Na época, o País parou por uma semana e o comércio ficou de luto por um mês.A segunda imperatriz brasileira foi dona Amélia. Ela chegou ao Brasil em 1820, vinda de Milão, com apenas 17 anos e foi a segunda mulher de D. Pedro I. Neta de Napoleão, permaneceu apenas dois anos no poder, tempo suficiente para modificar os costumes e colocar ordem na corte.Ela expulsou a marquesa de Santos, então amante de seu marido, do Brasil, juntamente com parte dos colegas de boemia do imperador. Foi também responsável por fazer d. Pedro I vestir-se mais formalmente. Ele tinha o costume de despachar com os ministros de ceroulas e chapéu de palha.Outra imperatriz de destaque foi dona Teresa Cristina, mulher de D. Pedro II. Ela teve o mais longo período de poder: 46 anos. Era considerada modelo de mãe e mulher, nunca se envolvendo em escândalos e dedicando-se à assistência social. Foi também responsável pelo envio do compositor Carlos Gomes à Europa, onde ele desenvolveu seu estudo de música.Apaixonada pelo Brasil ela abalou-se ao ser expulsa do País (às 3 horas da manhã), junto com o marido e toda a corte, apenas com os pertences pessoais, quando a República foi proclamada. Exatos 40 dias depois, ela morreu e uma de suas últimas frases teria sido: "Morro de tristeza e de saudades".Segundo o diretor Dimas de Oliveira, entre a pesquisa e o fim das filmagens, foram nove meses de trabalho. "Um parto", brinca ele. O documentário alterna cenas de ficção, que recriam fatos importantes, com depoimentos de historiadores e do príncipe dom Luiz de Orleans e Bragança, descendente direto de d. Pedro I. A narração é da atriz Norma Blum.Maria Leopoldina - Imperatriz do Brasil - Às 19h30, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), Rua Major Diogo 315, tel. 3113-4622.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.