Trailer da Disney usa humor contra os chatos de cinema

Não há coisa pior dentro da sala de cinema do que espectador mal-educado. Para tentar amenizar a ação dos sem-desconfiômetro, os exibidores apostam suas fichas na influência dos institucionais educativos - aqueles que, antes de as sessões terem início, fornecem dicas básicas de boas maneiras numa sala. A Disney teve uma ótima sacada ao criar um "institucional" simpático, protagonizado por uma banda de sapinhos, a Frankie e as Rãs, e veiculado nas telonas brasileiras desde o fim de 2006. É que, além de chamar atenção para o bom comportamento dentro do cinema, o trailer funciona como mais um canal de divulgação para o longa de animação da Disney A Família do Futuro (Meet the Robinsons), que deve estrear no Brasil no dia 6 e que conta com os tais sapinhos no elenco. Diretor-geral da Columbia Tristar Buena Vista (a Buena Vista Internacional é distribuidora da Disney no Brasil), Rodrigo Saturnino confirma que essa idéia nasceu justamente para reforçar a exposição do filme, aliado a outras estratégias de marketing. "Não é o primeiro caso, fizemos isso em Irmão Urso", comenta ele. Assim como ocorreu com os dois alces conscientes no trailer educativo de Irmão Urso, na animação curtinha de A Família do Futuro (tem menos de dois minutos), o sapo cantor solta o verbo numa versão bem-humorada de I Heard it through the Grapevine, famosa na interpretação de Marvin Gaye. Ele não quer saber de gente chutando sua cadeira no cinema, nem de aturar o barulho de pipoca sendo devorada. "Seu celular começa a tocar quando o filme começa/ Você fala alto durante a melhor parte(...)/ Esta não é sua sala de estar", mandando recado, a quem a carapuça servir, para que os celulares sejam desligados e os comentários, deixados para depois que o filme terminar. A campanha tem circulado por muitos países, legendada em vários outros idiomas, como espanhol, holandês, sueco, ucraniano e até dialeto napolitano. A dublagem não funcionaria, segundo o diretor da Columbia, porque precisaria haver preocupação com a rima e a sincronia. Os sapinhos nem são os protagonistas de A Família do Futuro - que conta a história de um brilhante garoto inventor, responsável por uma máquina do tempo -, mas já fazem sucesso entre os cinéfilos. "A gente não tem o feedback para saber se o público está entendendo a mensagem, mas ela é feita de uma maneira agradável. É mais interessante, engraçado, o público reage mesmo", acredita Saturnino. De acordo com a rede Cinemark, uma das exibidores do trailer, o curta de animação está sendo muito comentado: os gerentes têm recebido elogios e, por seu site, internautas manifestam aprovação. Os sapinhos são veiculados em 50% das salas da rede, e a outra metade exibe o trailer institucional convencional. A Cinemark afirma não poder medir quanto o público é sensibilizado pelos apelos desses personagens, mas espera que, pelo sucesso do trailer, as pessoas sigam as recomendações. Coincidência ou não, há sessões em que a platéia segue à risca as dicas de boas maneiras. Mas isso não é recorrente. Antes de uma das sessões de Letra e Música, no Pátio Higienópolis, por exemplo, parece ter havido uma falha de comunicação. "O público que costuma freqüentar o cinema desse shopping não se mancou", disse administradora de empresas Alexandra da Silva, de 27 anos. "Enquanto ainda tocava a música, o casal atrás de mim chutava minha poltrona e a moça com duas crianças, sentada na fila ao lado, sacudia o saco de pipoca com tanta força que o som dela quase encobria o da música. É uma pena, seria uma ótima forma de lembrar as pessoas que a liberdade delas termina onde começa a minha, mas acho que é muito sutil."

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