Tragédia e romance nas estréias do fim de semana

O fim de semana reserva duas outras estréias para quem quiser fugir de Garfield ? O Filme e A Batalha de Riddick. O longa francês, O Adversário de Nicole Garcia, e Jogo de Sedução, do estreante Matthew Parkhill, que conta com o fenômeno latino Gael García Bernal, o jovem Che de Diários de Motocicleta, no elenco.O Advsersário é baseado na história real do caso Romand, um homem que matou toda a família na França. O filme, começa pelo fim, depois que o protagonista, que agora se chama Faure, já cometeu os crimes. O Adversário foi ignorado pelo júri, mas causou forte impressão nos críticos ao integrar a competição do Festival de Cannes, há dois anos. Tudo bem que o júri presidido por David Lynch tenha premiado O Pianista, de Roman Polanski; a injustiça foi ter ignorado Daniel Auteuil como melhor ator. Ele está excepcional no filme. Nicole Garcia lembra-se de haver acompanhado na mídia o caso desse homem que levava vida dupla e, desmascarado, matou a família inteira. Naquela época, ela nunca pensou em Romand como um personagem capaz de interessá-la. O personagem só começou a surgir quando ela leu o livro do jornalista Emanuel Carrère, que cobriu o caso para a revista Le Nouvel Observateur. A partir da leitura de Carrère, Nicole percebeu o que havia de trágico na figura desse homem que chega ao crime. Achou que dava filme. No começo, Faure é o sujeito perfeito como representação da sociedade burguesa. Mas Faure não é nem mesmo um caso de hipocrisia. É o que o torna tão visceral. Os problemas começam quando ele perde o emprego e resolve manter as aparências. Quando seu dinheiro termina, ele dilapida o patrimônio do pai. Quando a verdade está para vir à tona, mata. Trata-se de um filme extremamente perturbador, para se dizer o mínimo Por outro lado, Jogo de Sedução começa no caminho de uma comédia romântica. A historinha pode ser dita da seguinte forma: Carmem (Natalia Verbeke) está em vésperas de se casar com o noivo, Barnaby (James Darcy), quando conhece o latin lover Kit (Gael García Bernal). O triângulo se instala. Barnaby é inglês e rico. Carmem vem da Espanha e seu passado é nebuloso. Kit é brasileiro, sim senhor. Os dois latinos são pobres e estão tentando fazer a vida fora de casa, por motivos diferentes. A espanhola é desenhada com todos os estereótipos possíveis, a começar pelo nome, prosseguindo pelos dados de caráter que a definem como voluntariosa e pela profissão, dançarina de flamenco. O brasileiro de Gael é mais discreto. Candidato a ator, mora numa espelunca e vive ameaçado pelo despejo. Nos primeiros movimentos, o filme até que promete. Parece que teremos alguma coisa de passavelmente novo, mesmo porque se trata de obra de estreante, Matthew Parkhill. Há um certo charme na maneira de filmar, no posicionamento da câmera, em seus enquadramentos e movimentação. O chato é que, nesse tipo de filme, o diretor ou chove no molhado, escorregando pelo óbvio, ou procura o extremo oposto e corteja a originalidade a preço da verossimilhança. Parkhill opta pela segunda opção e por isso o filme, a partir de certo momento, vai parecendo cada vez mais artificial. O pior ainda é que, quando tudo termina, se constata que, afinal de contas, nem mesmo a trama, por mais estapafúrdia que pareça, é lá tão inovadora assim.

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