Torero apresenta a prévia do seu "Filminho de Amor" em Miami

José Roberto Torero, escritor, romancista, cronista, cineasta é uma das personalidades mais conhecidas do cinema brasileiro atual. Torero concorre aqui no 7º Festival do Cinema Brasileiro de Miami com o curta Morte, que já venceu vários prêmios do formato no País. O diretor apresentou agora de manhã a prévia de seu novo filme. Mostrou em vídeo, para um grupo reunido na sala de imprensa do Townhouse Hotel, que abriga os convidados do festival.O filme ainda não está concluído e Torero fez os efeitos sonoros, além de preencher as lacunas deixadas pelo narrador. Deveria chamar-se Filme de Amor. "Mas aí veio o filme do Júlio Bressane e agora talvez vire Filminho de Amor", diz Torero. Talvez não seja, porque o ´inho´ tem um caráter depreciativo e não se trata disso. Torero fez um filme para dessacralizar e desconstruir as comédias românticas."Tudo começou quando eu integrei um grupo de estudos com amigos. Analisamos não só filmes, mas também essas revistas românticas do tipo Sabrina. Chegamos à conclusão de que nas histórias de amor oferecem um paradigma de narração que resolvemos estudar." Não só estudar, mas também recriar, de maneira crítica. Denise Fraga, que estrela Cristina Quer Casar, que também compete aqui no Festival de Miami, é a protagonista feminina. Cássio Gabus Mendes faz o herói. Ele é diretor, ela, fotógrafa. O filme descreve todo o processo de uma história romântica, desde a escolha dos personagens até o inevitável happy end.Paulo José oferece a voz ao narrador. É o Deus ditatorial que conduz a história. Gabus Mendes, como o diretor do filme dentro do filme, vive rebelando-se contra ele, mas o narrador onipotente determina os rumos da história e, quando considera as cenas insatisfatórias, obriga a equipe a refazê-las. Marisa Orth, presente no elenco de Durval Discos, um dos filmes que concorrem ao troféu Lente de Cristal, faz a vilã, Lilith, disposta a tudo, até chegar ao crime, para separar a dupla romântica.O filminho de amor de Torero, sem nenhuma conotação pejorativa, foi feito em 16 mm, com a verba de um edital para telefilmes. A verba era de R$ 300 mil, e Torero informa que só ultrapassou este total em R$ 10 mil. Percebe-se que está feliz da vida com seu trabalho. É uma brincadeira com a linguagem, divertida e inteligente pela maneira como desconstrói códigos enraizados no inconsciente do público, não só pelo velho folhetim, mas também pelo cinema e pela televisão. Do grupo que assistiu ao vídeo, participaram a diretora Betse de Paula e a atriz Dira Paes, de Celeste e Estrela, um filme - sobre a dificuldade de filmar no Brasil - que integra a competição de longas em Miami. As duas adoraram. Para quando o lançamento? "Não sei, ainda tem muita coisa para ser feita." Talvez fique pronto para pleitear uma vaga no Festival de Brasília do cinema Brasileiro, mais para o fim do ano. Ou para voltar como concorrente a Miami, no ano que vem.

Agencia Estado,

07 de junho de 2003 | 19h15

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