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Tom Hanks interpreta piloto herói em novo filme de Clint Eastwood

A história real de Sully, o piloto que evitou um desastre aéreo em Nova York, sob o olhar de Clint Eastwood

Pedro Antunes , O Estado de S. Paulo

15 Dezembro 2016 | 06h00

LOS ANGELES* - Por quatro dias, o calhamaço de papéis foi deixado de lado por Clint Eastwood sobre sua escrivaninha. O título escrito ali, “Filme sem nome sobre o Milagre do Rio Hudson”, não havia captado a atenção do diretor norte-americano. Por quatro dias, a agente dele ligava e repetia a mesma pergunta: “Você já leu o roteiro daquele filme sobre o Milagre do Hudson?”, dizia ela do outro lado da linha. “Percebi que algo havia realmente chamado a atenção dela”, contou o senhor Eastwood em um bate-papo com a imprensa internacional sobre Sully – O Herói do Rio Hudson, filme que chega às telas brasileiras nesta quinta-feira, 15.

Eastwood achava que sabia tudo o que precisava a respeito da aterrissagem forçada do voo 1549 da US Airways no Rio Hudson, que corta o Estado de Nova York e banha o lado oeste da ilha de Manhattan, poucos minutos depois de decolar do aeroporto de La Guardia com direção a Charlotte, em 15 de janeiro de 2009. “Lembro-me de acompanhar com muita atenção todo o noticiário sobre o ocorrido”, recorda o diretor. Diante da insistência da agente, deu uma chance ao roteiro de Todd Komarnicki, criado com base no livro escrito pelo piloto Chesley “Suly” Sullenberger, o responsável por conseguir manter o avião no ar e pousá-lo nas águas negras e gélidas do Hudson sem perder nenhuma vida a bordo – as 155 pessoas, entre passageiros e tripulantes, sobreviveram. “Eu me apaixonei por essa história.” 

Eastwood, aos 86 anos e com 4 estatuetas do Oscar na estante, impressiona pela paixão com que fala sobre seus filmes – e seu currículo conta com 38 deles como diretor e 68 créditos como ator. Ao chegar à última página do roteiro, Eastwood entendeu. Não se tratava da história de um acidente aéreo evitado, mas, sim, de um homem levado a duvidar de si ao ser acusado de negligência por pousar a aeronave na água. Seria Sully o herói ou o vilão? Ambos? 

UM ATO DE CORAGEM

Tom Hanks caminha apressado, cruza a sala onde Aaron Eckhart e Clint Eastwood estão sentados e segue em direção à sua cadeira. Para e dá uma gargalhada: “Estamos, então, falando de bigodes?” Todos na sala riem, inclusive Eckhart, que dizia ter gostado do visual de Jeff Skiles, o copiloto do voo 1549, da US Airways, e braço direito de Chesley “Sully” Sullenberger, interpretado por Hanks. Os personagens na vida real foram responsáveis por pousar, em caráter de emergência, uma aeronave no rio Hudson, em Nova York, após perder os dois motores ao serem atingidos por uma revoada de pássaros minutos depois de decolar do aeroporto de La Guardia. O que poderia ser uma tragédia foi evitado pela destreza de Sully, auxiliado por Skiles. 

Sully – O Herói do Rio Hudson acompanha com detalhes não apenas a queda e a sobrevivência de todos os presentes no avião, um total de 155 pessoas, entre civis e tripulantes. O novo filme de Clint Eastwood navega pelos mares tortuosos nos quais Sully, sempre preocupado com a segurança de todos e tendo mais de 30 anos de experiência pilotando aeronaves, chega até a questionar o próprio ato. 

Eastwood se interessou pelo roteiro aí, quando o avião já estava em segurança, boiando nas águas escuras do Hudson, e Sully passou a ser investigado pela National Transportation Safety Board, que é uma agência regulatória independente que investiga acidentes de avião e outras formas de transporte. Sully, vivido por um Tom Hanks de cabeleira embranquecida, se vê diante da dúvida de que talvez tenha colocado todos a bordo em perigo ao forçar o pouso no rio, quando alguns especialistas apontam que ele poderia ter manobrado a aeronave de volta ao La Guardia. Isso passou a atormentar o piloto. “Pensamos em inserir os sonhos, ou pesadelos nos quais o pouso de emergência não dava certo, para que ficasse claro que tipo de coisa passava pela cabeça de Sully após essa experiência”, contou o diretor. 

Clint Eastwood, aliás, foi ao encontro do verdadeiro Sully para conversarem sobre levar a história dele às telonas. “Sully mora próximo de Oakland (no Estado norte-americano da Califórnia). Tom e eu somos de lá. Tom era a minha única opção para viver esse personagem e fomos visitá-lo”, relembra Eastwood. “E, de repente, tudo começou a se encaixar.” 

Sully, o verdadeiro, fez pequenas ponderações no roteiro. Hanks, contudo, queria mesmo era saber como a cabeça do piloto funcionava diante de uma situação de risco. “Ele me disse que não existe tempo para pensar. Você simplesmente segue”, conta Hanks. “Um herói é aquele que coloca a própria vida em risco pelos outros. Não para receber um elogio de que fez a coisa certa. Sully levava centenas de pessoas para voar todos os dias. Para mim, isso já fazia dele um herói”, concluiu. 

MUDANÇA DE DATA

Sully teve a data de estreia no Brasil, anteriormente prevista para 1.º de dezembro, adiada em respeito à queda do avião que levava o time de futebol Chapecoense, nas proximidades de Medellín, na Colômbia, no dia 29 de novembro. 

* O REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DO ESTÚDIO

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