Pixar Animation Studios
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Tom Hanks fala dos prazeres e perigos de dar voz a Woody em 'Toy Story 4'

Ator revela seu carinho pela franquia por ela ter como tema a família e a força da amizade e também lembra as exigências de interpretar um brinquedo de criança; assista ao trailer

Darryn King, The New York Times

25 de junho de 2019 | 03h00

Em 1995, Tom Hanks emprestou sua voz a Woody, o fiel xerife de Toy Story da Pixar. Desde então, Hanks se tornou avô, enquanto os filmes evoluíram para uma meditação comovente sobre o crescimento e a passagem do tempo. Toy Story 4, em cartaz em São Paulo, encontra Woody seguindo em frente mais uma vez, com o que parece ser – por enquanto, pelo menos – como um final conclusivo.

Aqui, Hanks, prestes a fazer 63 anos, em 9 de julho, fala sobre a franquia e o que ela diz sobre família e os prazeres únicos e exigências de interpretar um brinquedo de criança. Esses são trechos editados da conversa.

O processo de gravação de Woody mudou muito?

Ele ainda grita um bocado. (Gritando) ‘Pessoal, vamos lá! Temos de ir! Nós simplesmente não podemos deixá-la lá, pessoal! Vamos!’ Ele é, de certa forma, a bússola de responsabilidade para todos na sala. Há momentos em que o meu diafragma fica dolorido no final de uma sessão de gravação de quatro ou cinco horas, só porque o desafio é arrancar todas as opções possíveis para cada diálogo. É toda encarnação de indignação e surpresa e desapontamento e angústia e pânico, exagerado ou indiferente. Felizmente, como eu não fumo nem bebo muito, minha voz soa mais ou menos a mesma.

Como ver Woody no mundo se compara a ver seu próprio rosto em um pôster de filme?

Nós estávamos na Disneylândia com as crianças. Você sabe que eles estão sempre tendo desfiles e coisas assim, e houve uma coisa, uma extravagância absoluta, e Woody é uma parte disso. Nós estávamos lá assistindo e minha filha – que está com 30 anos, a propósito – na primeira vez que o viu, começou a chorar. E eu disse: Foi ótimo, não foi? Mas ela lembrou para mim que Woody fará parte disso pelo resto do tempo, da mesma forma que Mickey faz. E isso não é pouco, eu sou Woody.

Você tem um carinho especial pelos filmes ‘Toy Story’?

Acredite ou não, eu realmente acho que eles são importantes. É um grupo disparatado de brinquedos, mas existe essa sensação de tanto a família verdadeira como a família ampliada, que é representativa da vida de qualquer pessoa, incluindo as crianças pequenas, que podem ficar encantadas com brinquedos que ganham vida. Este é sobre seguir em frente, você sabe. A criação dos casais e a mudança devem acontecer na vida. Porque estamos mudando para sempre.

Muitos dos filmes são sobre família. Qual o impacto disso em você como pai?

Esses são simplesmente filmes magníficos, exatamente por esse motivo. Há o momento (em ‘Toy Story 3’) em que a mãe de Andy está no quarto vazio de Andy e tem essa percepção. A mãe estava lamentando o fato de que seu filho era adulto e não era mais seu filhinho. Eu não estou nem nessa cena e fui tocado por ela. Você pensa, como eles conseguem animar e deixar tão profundamente certo? Este é o mesmo filme no qual todos os brinquedos pensam que estão prestes a encontrar o seu fim em um inferno de fogo. E o que eles fazem, é um se esforçar pelo outro. Isso é muito bem cotado lá. Você nem pode chamar isso de desenho animado. Trata-se de uma profunda síntese do verdadeiro sentimento humano.

Como você lida com cenas emocionais quando está no estúdio com o roteiro?

É um alongamento imaginário. Até o ponto da exaustão. Como você está apenas usando sua voz, não pode sair do microfone, não pode usar nada da sua fisicalidade. Você tem de imaginar essa fisicalidade. De muitas maneiras, essa é a antítese de tudo que você faz como ator.

Como assim?

Eu achei muitas vezes que a única coisa que eu poderia fazer seria fechar meus olhos. Não ver o palco e as pessoas lá, e tentando criar um local para trabalhar. Minhas últimas sessões eu as fiz com as costas voltadas para o suporte do microfone. Eu não acho que poderia ter feito as últimas sessões de gravação de outra forma. Se houvesse uma centelha de autoconsciência em algum dos diálogos, teria sido insatisfatório.

Eu acredito que Tim Allen, que dubla o personagem Buzz Lightyear, o avisou sobre essas últimas cenas.

Quando estávamos nos aproximando do que eu sabia que seriam as últimas sessões de gravação, Tim me enviou um texto, dizendo: (rudemente) “Você já terminou as últimas páginas? Ainda hoje estou tentando superar isso”.

Tem sido uma jornada bem longa com esses personagens.

São quatro filmes completamente diferentes. Não há uma fórmula para eles. E eles não são uma produção em série. Demora um pouco para que eles vejam a possibilidade de elaborar essas histórias que valerão a pena. Eu acho que eles, provavelmente, iriam se jogar da ponte da Baía de São Francisco-Oakland se eles tivessem feito um filme de Toy Story e todo mundo dissesse que estava tudo bem. Isso não iria colar. E eu acho que essa pode ser uma das razões pelas quais eles estão dizendo, bem, depois de Toy Story 4, nós não sabemos qual será o futuro disso.

O que você se lembra do personagem Woody?

Eu lembro da primeira vez que conheci o Woody. Eles queriam que eu aparecesse porque eles tentariam essa nova forma de animação. E lá estava Woody e todo o pessoal. Eu assisti a esse teste provavelmente seis vezes seguidas e pensei, como eles fizeram isso? Não como eles fizeram a imagem, mas como eles criaram uma faísca de vida tão perfeita?

E seus netos? Eles gostam de ‘Toy Story’?

Eles já viram todos os filmes e muitas vezes. É a babá perfeita. O que é interessante é, acho, porque eles ouvem a voz de seu avô e sabem que sou Woody, acho que a descrença não está tão em suspenso quanto, por exemplo, para Frozen – Uma Aventura Congelante. Tudo isso estava na área de abrangência. Elas são garotas. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

 

 

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