Tom Hanks fala demais em Cannes

Tom Hanks soltou a língua hoje durante sua aparição no Festival de Cannes para promover o novo filme dos irmãos Joel e Ethan Coen, The Ladykillers, uma divertida e irônica comédia sobre a importância do acaso em nossa vida, que ele protagoniza e está na competição pela Palma de Ouro. Hanks disse que admira a sensibilidade imprevisível e desigual dos Coen. "Mas eles também são incompreensíveis, quer dizer, descompromissados", ele disse, se corrigindo. Depois brincou: "Eu tenho tantas perguntas sobre Barton Fink - Delírios de Hollywood e os Coen não podem me responder."A aparição de Hanks foi um dos eventos mais esperados do dia. O ator volta agora à comédia depois de anos em papéis dramáticos como os que lhe garantiram dois Oscars por Philadelphia e Forrest Gump. Uma jornalista chinesa se exaltou durante a coletiva de imprensa e levantou um pôster enorme dos tempos de Hanks como ator de comédia e pediu um autógrafo. Era um cartaz do filme Uma Dupla Quase Perfeita, de 1989. "Não me lembro desse filme", brincou o ator que ganhou o Oscar duas vezes. Um dos jornalistas perguntou: "Era uma comédia?". "Bem, isto ainda está em debate pelo mundo todo", zombou Hanks.Baseado no filme homônimo britânico de 1955, The Ladykillers, a nova versão traz a marca dos Coen. Cinco homens passam por músicos para tentar roubar um banco através de um túnel cavado na casa de uma velhinha que lhes aluga um quarto para "ensaiarem". Um imprevisto muda os planos do grupo, numa sucessão de problemas enfrentados pelo cabeça do grupo que tem também um fortão, um oriental impassível, um boboca para quem tudo sai errado. Este é o 11.º filme dos irmãos Coen e muitos deles já foram apresentados em Cannes, entre eles Fargo (1996), O Homem Que Não Estava Lá (2001) e Barton Fink - Delírios de Hollywood, que ganhou a Palma de Ouro e os prêmios de melhor direção e melhor ator (John Turturro) em 1991.Na entrevista coletiva, Hanks falou sobre a inevitável comparação de sua interpretação com a de Alec Guinness: "É preciso ter uma certa filosofia quando se trata de remakes. A interpretação de Guinness era magnífica, mas "eu tratei de ignorá-la o máximo possível", disse. "Abordei o papel como um clássico, "um pouco como se interpretasse Ricardo III", explica Hanks.Godard critica Moore - Jean-Luc Godard, o reverenciado diretor suíço, que acompanhou a exibição de seu Notre Musique, fora da competição, disse algumas palavras duras sobre o filme de Michael Moore, Fahrenheit 9/11. "Não vi seu último filme, mas isso não vai me impedir de falar a respeito", ele disse aos jornalistas. O filme de Moore, que ataca as decisões do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, após os atentados de 11 de setembro, fez muito sucesso em Cannes. Godard, que ajudou a fundar o movimento Nova Era nos anos 60, chamou Moore de "inteligente pela metade", pois os filmes dele não atingiam o efeito desejado. "Acho que eles ajudam Bush, de uma maneira que eles (os diretores) não são conscientes. Bush é menos estúpido do que Moore acha. Ou então ele é tão estúpido que não consegue mudar", disse.Estilo francês - A diretora francesa Agnés Jaoui não mediu suas palavras para tocar em assuntos delicados quando falou sobre a dificuldade em escolher a atriz principal de seu filme. ?Tínhamos que achar uma atriz que fosse excelente, e gorda?, disse Agnés na coletiva de imprensa. A diretora, cujo filme Comme une Image é um dos hits de Cannes, disse que está cansada de ver pessoas envergonhadas em falar abertamente sobre o próprio peso. ?A ditadura da beleza é totalmente aceita atualmente?, disse Agnés que também fez O Gosto dos Outros. No seu novo filme, Marilou Berry faz uma mulher de 20 anos que se sente invisível para o mundo por causa de seu peso. Sua personagem quer que o pai famoso lhe dê atenção. Na verdade, todos no filme tentam impressionar alguém.

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