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Tom Cruise volta a viver o herói Jack Reacher em 'Sem Retorno'

'Muita gente quer ter a liberdade de Jack Reacher', diz o astro

Cleide Klock - ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2016 | 05h00

NEW ORLEANS -  Sem lenço, dinheiro, cartão de crédito ou documento, Jack Reacher se joga no mundo desprovido de qualquer bem material, apenas com as habilidades que acumulou durante a vida. Bem diferente do ator que dá a cara e faz as peripécias do personagem na tela grande. Por onde vai, Tom Cruise arrasta uma comitiva impossível de contar nos dedos. Na entrada do hotel, homens de preto faziam uma ronda, na porta da sala desta entrevista exclusiva ao Estado, três seguranças. Enquanto conversávamos, mais de uma dezena de assessores de ‘tudo’ estavam alertas a qualquer palavra que poderia ser mal colocada ou mal interpretada no meio das perguntas. Uma deslizada significa ser cortada para sempre da seleta lista de jornalistas que recebe a aprovação do mais cativante dos astros para uma conversa. Hoje em dia, o ator e produtor Tom Cruise dá pouquíssimas entrevistas, quase não fala com a imprensa norte-americana - que o tempo todo especula sobre sua vida pessoal e as conexões dele com a cientologia - e responde apenas a questões rápidas em tapetes vermelhos. 

Cara a cara com ele, na mesma cidade onde deu vida ao vampiro Lestat (Entrevista com o Vampiro, 1994) dá para dizer que Cruise, de 54 anos, compartilha vários adjetivos dos seres mitológicos e imortais: sedutor, lindo, sorridente e atencioso ao extremo. E o tempo não passa para ele. Parece também ter um mantra que precisa ser dito a cada momento: “Eu amo meu trabalho e sou grato por poder fazer todos os dias o que gosto”, repete o ator durante a entrevista.

Cada palavra também parece ser minuciosamente pensada e colocada estrategicamente nas frases, nada daqueles impulsos improvisados como aconteceu no programa da Oprah, quando Tom anunciou que estava ‘in love’ com Kate Holmes, em 2005. Até tem uma maneira espontânea, talvez meio ensaiada ou atuada, mas perfeita para nos fazer sentir bem-vindos.

O seu novo filme, Jack Reacher - Sem Retorno, é baseado no 18.º livro da coleção do britânico Lee Child, o título acaba de ser lançado no Brasil (Jack Reacher - Sem Retorno, Editora Bertrand Brasil). Mas ao todo a série já coleciona 21 episódios com as aventuras de Reacher.

“Ele é um ex-militar, um cara desconectado da sociedade, viaja os Estados Unidos de ônibus, de carona, gosta das pessoas mas não tolera a burocracia dos governos e de como os outros a encaram. Não procura encrenca, mas as encrencas encontram Reacher e ele precisa se proteger. Faz isso de uma maneira bastante criativa”, afirma também Tom Cruise. 

“Acho que muita gente sonha em ser como ele, que não tem telefone, cartão de crédito, nada. Isso faz com que Reacher olhe para o mundo de outro modo, aliás, que olhe para o mundo, coisa que as pessoas não fazem mais hoje, já que estão todos grudados nos celulares.” 

Mas ele gostaria de ser Reacher? “Só quando estou filmando. Mas, acho que me sentia um pouco como Jack quando era criança, viajei o mundo e tinha essa liberdade. Eu me sinto privilegiado de fazer o que faço, tenho minha própria liberdade, a liberdade de fazer algo que amo, entreter pessoas. Essa é a liberdade que preciso.”

Lee Child escreve um livro por ano dessa coleção, todo início de setembro começa a rabiscar uma nova jornada para Reacher e lança o livro exatamente um ano depois. Quantas sequências Tom Cruise pretende levar às telas? 

“Quem sabe, quando estiver nos meus 90 anos, já terei conseguido fazer uns 30 filmes da sequência”, brinca Tom, e não duvide, projetos não faltam e nada parece impossível para ele.

Neste filme, Cruise reencontrou o cineasta Edward Zwick, que dirigiu o ator também em O Último Samurai (2003), indicado para quatro Oscars. 

Tom Cruise conta que assiste a pelo menos um filme por dia, vê, revê, estuda as cenas, frame por frame, presta atenção na composição, na música. Leva anos para ter certeza que uma produção está pronta para chegar aos sets de filmagens e se assume perfeccionista ao extremo. “Fico anos me preparando, vejo e revejo, penso e repenso tudo. Mas o instinto da hora da filmagem é infalível, é ele que dá o tom final de qual direção devemos seguir.”

O ator, que também parece nunca relaxar, confessa que em todo lugar que vai olha para os lados tentando achar algo para colocar em seus filmes. Principalmente dos que são o seu maior xodó, os da franquia Missão Impossível. “Se vejo um prédio que gosto muito, por exemplo, pode ter certeza que entrará no próximo Missão.” Aliás, o sexto da série já está no forno. O ator conta que o diretor e roteirista Christopher McQuarrie está escrevendo as últimas cenas e as gravações começarão em março.

Nos últimos anos, Tom Cruise lançou um grande filme por ano, mas para 2017, pelo menos dois já estão confirmados: A Múmia e American Made (ainda sem título em português). Neste último, o ator interpreta um piloto que trafica drogas e armas para o cartel de Medellín e é recrutado pela CIA. Cruise contou que assistiu à série Narcos, estrelada por Wagner Moura, na qual o brasileiro interpreta Pablo Escobar, mas garante que seu novo filme é completamente diferente. “É muito colorido, tem humor, é uma produção bem diferenciada. Uma história vista pela perspectiva desse piloto, é algo, digamos, chocante”, conta.

Mas o que mais intriga o ator perfeccionista é a esperada sequência do clássico dos anos 1980 Top Gun - Ases Indomáveis. “Quero que tenha a mesma vibe do primeiro, o mesmo impacto, quero que seja filmado com a mesma luz, da mesma maneira, que tenha uma trilha sonora incrível, então estamos pensando, pensando, mas ainda não deu aquele clique”, acrescenta. 

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