Tom Cruise volta a toda velocidade no novo filme da franquia ‘Missão Impossível’

Como sempre, o marketing de MI repousa no fato de Cruise recusar dublês

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

24 de julho de 2018 | 06h01

Tãrãrã... Tãrãrã... Tantantan. Talvez seja difícil, senão impossível, colocar no papel, sem notas musicais, o tema imortal de Lalo Schifrin para a série criada por Bruce Geller nos anos 1960 (e que foi ao ar nos EUA até 1973). Na primeira temporada, em 1966, o líder da special unit chamava-se Dan Briggs e era interpretado por Steven Hill, que, por ser judeu ortodoxo, não queria gravar durante o shabat.

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Em 1967 e até 73, ele foi substituído por Peter Graves e o protagonista passou a chamar-se Jim Phelps. Em 1988, houve uma tentativa de retomar a série, e Graves foi o único ator do elenco original recrutado para mais uma missão impossível. Mas foi preciso esperar até 1996 para que o cinema, por intermédio do astro Tom Cruise, resolvesse reinventar o material criado por Geller.

Brian De Palma dirigiu o primeiro filme, John Woo, o segundo, e JJ Abrams, o terceiro. Missão Impossível (1), 2 e 3. A partir do quarto filme, em 2011 – e o diretor era Brad Bird –, a série ganhou títulos suplementares. Protocolo Fantasma, Nação Secreta, em 2016, e o diretor era o também roteirista Christopher McQuarrie, um homem de confiança de Tom Cruise.

tom cruise

Rebecca Ferguson e Tom Cruise em cena de 'Missão Impossível: Efeito Fallout'. Foto: Chiabella James/Paramount Pictures and Skydance via AP

O herói passou a chamar-se Ethan Hunt e, além do tema de Lalo Schifrin, muita coisa foi conservada, incluindo a mensagem que direciona Hunt para suas missões – e ela se dissolve em cinco segundos. Mais importante, em todos os seus episódios, MI conta a história de um ‘team’, uma equipe, integrada por Ving Rhames e, a partir do 3, Simon Pegg.

Houve, pelo caminho, muitos agentes agregados – Jonathan Rhys Meyers, Jeremy Renner, Paula Patton. Em Nação Secreta, entrou uma certa Ilsa, Rebecca Ferguson, que permanece em Efeito Fallout.

É o título da nova superaventura, a sexta da série, que estreia nos cinemas brasileiros nesta quinta, 26, um dia antes – sexta, 27 –, antes dos EUA. Sensacional, espetacular. Exagero? A partir de agora, e para evitar qualquer risco de spoiler, siga lendo o texto por sua própria (vale a redundância) conta e risco.

De cara somos informados que, após a ‘nação secreta’, o mundo do crime disseminou-se por meio dos ‘apóstolos’. Eles pregam a destruição total da velha ordem, liderados por um cientista maluco que desenvolveu o projeto de três ogivas nucleares interligadas. Colocado sob suspeita na agência por haver perdido as bases de plutônio – preferiu salvar o amigo Luther/Ving Rhames –, Ethan ganha um parceiro, Walker, que não é outro senão o próprio Superman Henry Cavill, com bigodes de galã mexicano, à la Emilio Fernández ou Pedro Armendáriz.

Ethan e seu time caçam um tal Solomane Lane, inimigo do herói que será trocado pelo plutônio, e dessa forma espera chegar a... Um agente infiltrado que está trabalhando para os Apóstolos! Tãtãtã tãtãtã... Como diria Margo Channing – a inesquecível Bette Davis – apertem os cintos que a sessão será turbulenta. Mas o bom é que, em meio a tanta ação – nas ruas de Paris, principalmente –, o diretor e roteirista McQuarrie encontra pausas para humanizar seu personagem. A vulnerabilidade de Ethan é a agora ex-mulher Julia. E o anjo da guarda, Ilsa, que também poderá ser a próxima, mas, para isso, teremos de esperar por MI (7).

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As mais belas cenas, as íntimas, do filme envolvem Michelle Monaghan. Um diálogo de Luther, explicando para ‘Ilsa’ porque Ethan e a mulher se separaram. E uma fala de Julia/Michelle. Cada um tem de seguir seu caminho e, com o ex, ela sabe que estará sempre segura. Ela, e o mundo.

A essa altura, você com certeza já se terá perguntado o que significa o subtítulo – Efeito Fallout. A palavra tem múltiplos significados em inglês. Fallout pode ser efeito colateral – título de outro filme de Tom Cruise, direção de Michael Mann –, resto, poeira radioativa.

No passado, muitos críticos já andaram reclamando de Christopher McQuarrie – quando ele adaptou Jack Reacher, por exemplo, também com o astro Cruise. Mas não há do que reclamar. O quarto e, dessa vez, quinto filme da franquia mantêm a força, o dinamismo e agregam muito mais. Como sempre, o marketing de MI repousa no fato de Cruise recusar dublês. Você encontra na internet o making off do duelo de helicópteros no desfecho.

O astro até ficou ferido – fraturou o tornozelo, ao saltar de um prédio. Tudo pelo realismo – no meio do que é uma imensa extravagância. Felizmente, A Múmia ficou para trás. Com MI, não tem erro.

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