Christian Black
Christian Black

Tom Cruise faz turnê com o novo 'Missão Impossível - Nação Secreta'

No 5º filme da série, ator mantém vigor nas cenas de ação e dispensa dublês

Entrevista com

Tom Cruise

Cleide Klock, Especial para o Estado

09 de agosto de 2015 | 05h09

VIENA - Indomável, impossível e incansável. Tom Cruise é um caso a ser estudado pela ciência. Há 35 anos, aglomera fãs apaixonados ao redor do mundo, faz loucuras a cada novo filme com a premissa “de entreter a audiência”, tem uma fama intacta, principalmente fora dos EUA, mesmo com várias polêmicas obscuras a seu respeito atreladas à Cientologia. E não parece ter seus 53 anos. Sob o sol de Viena, fazendo quase 40 graus e rodeado por mais de mil fãs, ele não sua, atende a todos com um sorriso onipresente, abraços apertados, dá autógrafos e distribui selfies, para uma plateia que vai, pelo menos, dos 5 aos 80 anos. Cenário que relembra a época de ouro das grandes estrelas de Hollywood quando não era apenas o mundo adolescente que comandava as bilheterias.

“É essa energia que me move, faço os filmes para eles, então esse momento é mais do que especial”, diz o ator ao Estado. Na estrada para divulgar o novo Missão Impossível – Nação Secreta, o quinto em quase 20 anos de franquia, além de Viena, ele foi aos EUA, ao Japão e à Coreia, e em todos os lugares arrastou multidões. Só lamenta não ter conseguido incluir, desta vez, o Brasil na turnê.

No primeiro final de semana em cartaz nos EUA, o filme arrecadou US$ 55,5 milhões, segundo melhor lançamento de toda franquia, dobrando os números do filme anterior, Protocolo Fantasma. No Brasil, estreia na quinta-feira. O sucesso do longa coloca o ator novamente entre os mais queridinhos de Hollywood – se é que, algum dia, ele deixou de ser.

A cena mais divulgada desse novo filme é você – sem dublê – pendurado do lado de fora de um avião que está levantando voo. Isso não é uma loucura?

Foi tudo muito intenso. A gente trabalhou na cena por muito tempo para tentar ver qual seria a melhor maneira de fazê-la. O avião era novo e tínhamos que decidir onde colocar as câmeras, qual a velocidade que poderíamos atingir e eu queria mostrar um ângulo perfeito do Airbus levantando voo e dos meus pés contra a fuselagem. Tive que usar lentes de contato para proteger meus olhos pois poderia chocar contra partículas diversas do ar. Se eu colidisse com um pássaro, poderia ser um grande problema e teriam que parar de repente o avião para me resgatar. Quando começamos, foi algo como ‘Ohhh Jesuuus’, foi incrível e divertido.

Tem muita gente que precisa de adrenalina para viver, tem que se superar sempre buscando novos desafios. Você é uma pessoa desse tipo?

Faço essas loucuras porque eu quero entreter a audiência. Acho que agora as pessoas podem olhar para trás e ver que, nos meus 35 anos de carreira como ator, dei tudo de mim, tentei de tudo em diferentes gêneros em que me arrisquei. Quando pensei nessa cena do avião, achei que as pessoas iriam se divertir. É só o que me interessa.

Quais as suas melhores lembranças do início da carreira lá na década de 80?

É incrível porque, quando fiz Toque de Recolher (1981), já foi a realização de um sonho. Lembro de pensar: ‘Eu amo isso tanto, espero que eu tenha mais alguma chance de conseguir outro papel’. Eu nunca tinha frequentado uma escola para atores, de cinema ou estudado dramaturgia. Fui apenas sortudo de me chamarem para aquele trabalho. Eu queria fazer filmes desde quando eu tinha quatro anos. Quatro! Adorava contar histórias para as pessoas. Um pouco mais tarde, comecei a escrever esquetes para apresentá-las para minhas irmãs e para minha mãe e tentava fazê-las rir. Tudo parece surpreendentemente extraordinário. Quando realizei o sonho pela primeira vez, queria aprender o máximo possível, cada aspecto e papel das pessoas: da fotografia, dos roteiristas, bastidores, para poder me encontrar, e eu soube o que mais me interessava na arte de contar uma história.

Você tem a preocupação de sempre fazer algo diferente, de se reinventar a cada filme?

Não penso em me reinventar ou reinventar alguma coisa. Sempre estou de olho nas histórias. Sei que tenho uma vida privilegiada. Quando criança, sonhei em viajar o mundo, conhecer diferentes culturas e trabalhar com elas. Essa é a razão pela qual eu faço Missão Impossível, porque posso fazer filmes em outros países, com pessoas de lá, mostrar para o mundo esses lugares e o que achei de bonito. Isso é também o que eu gosto de ver em um filme, quero ser transportado para algum lugar.

O que você e seu personagem aventureiro em Missão Impossível, Ethan Hunt, têm em comum?

Alguns traços definidos em termos de persistência. Também dirijo motos desde os 12 anos e corro de carro. Sou piloto de acrobacias aéreas, então no filme tem coisas que eu realmente gosto. Quando comecei a fazer Missão Impossível, eu queria mesmo era ter muita ação real e ser capaz de colocar uma câmera em um lugar e estar na história. O melhor de fazer esses filmes é que, a cada nova produção, eu também aprendo algo.

Em algumas cenas do filme, o diretor faz questão de mostrar seu corpo, seus músculos… Isso é um desafio aos 53 anos?

Sempre fui um atleta, treino muito e isso também vai melhorando com o tempo. Eu tinha que estar forte, é algo que preciso mostrar. Mas definitivamente meu preparo tanto físico quanto como ator tem melhorado muito durante os anos. Geralmente, quando estou fazendo um filme, já estou me preparando para o próximo. Minha vida é assim: trabalho muitas horas por dia e tenho que ser muito específico e direto para chegar aos resultados.

Podemos esperar uma sequência de Top Gun – Ases Indomáveis, que faz aniversário de 30 anos no ano que vem?

Eu realmente ainda não sei, não tenho certeza absoluta, pelo menos por enquanto. Estou filmando Mena, com o diretor Doug Liman, previsto para ser lançado em 2017. Paramos a produção de modo que eu pudesse terminar Missão Impossível. Aí voltarei para a Colômbia para finalizá-lo e logo depois começo Jack Reacher, em outubro. Na sequência, devo fazer outro trabalho com Liman (No Limite do Amanhã 2) e, na metade do ano que vem, vamos iniciar Missão Impossível 6. Essa é minha agenda por enquanto.

O diretor Christopher McQuarrie me disse que o que ele aprendeu com você nesses sete anos que trabalham juntos é que nada é impossível. Essa é uma verdade para você?

Eu acredito nisso.

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