Tom Cruise estréia novo filme em paz com a mídia

O novo filme de Tom Cruise, MinorityReport - A Nova Lei, estréia hoje nos cinemas norte-americanos e inaugurauma mudança de estratégia na carreira do astro: ele finalmentefaz as pazes com a imprensa. Por trás do maior ator de Hollywoodestá uma das mais influentes e temidas assessoras do mundo, PatKingsley, que subverteu regras básicas do jornalismo e transformou Cruise no nome mais cobiçado do mundo - justamente por torná-lo quase inacessível.Kingsley entrou em cena em 1992, na época da promoção do filmeFar and Away, uma bomba estrelada por Cruise e NicoleKidman. A assessora, que sempre acreditou que as estrelas nãopodem aparecer em muitas publicações, achava que o esquema dos"junkets" - as entrevistas em série promovidas pelos estúdios - não ajudava a imagem dos atores. Foi aí que ela lançou a moda dos contratos de exigências: o material das entrevistas só poderia ser publicado uma vez, na época do lançamento do filme. Apesar de uma série de protestos, a grande maioria dos jornalistas acabou concordando. Cruise apareceu e conseguiu salvar o filme de um fracasso totalde bilheteria.Nos anos seguintes, Kingsley e sua empresa PMK, se tornaram umaforça incomparável no mundo do showbiz, representando os maioresnomes de Hollywood (Demi Moore, Arnold Schwarzenegger, JodieFoster, Sharon Stone, Al Pacino, etc.) e abertamente chantageandoeditores das principais revistas do país. São notórios osepisódios em que ela coloca jornalistas em sua lista negra porconta de uma crítica ruim ou ameaça proibir o acesso a todos osseus clientes caso a publicação não concorde com suasexigências. Quando Courtney Love decidiu "limpar" sua imagem ese lançar no cinema, a assessora enviou novas fotos da ex-junkiepara as principais revistas e disse que quem publicasse asimagens antigas iria "se arrepender".Quando os rumores sobre a sexualidade de Cruise começaram aficar mais fortes, ela proibiu o ator de falar coma imprensa escrita. Na época de A Few Good Man, chegou aexigir aprovação para os comerciais dos programas de entrevistasem que ele iria aparecer. Uma das poucas repórteres de revista ater acesso ao astro nessa época, Stephanie Mansfiels, da GQ,foi colocada na lista negra da PMK por entrevistar umaantiga colega de escola de Cruise.O poder de Kingsley ficou tão forte que as principais revistasamericanas chegaram a se reunir para tentar entrar em um acordosobre o que deveriam ser as regras para a cobertura de celebridades.Não funcionou. Nos últimos anos, as reportagens fazendo críticasao astro simplesmente desapareceram da imprensa.Com Minority Report, as regras parecem ter mudadosensivelmente. A.I. mostrou que Steven Spielberg não éinvencível e o fracasso de Vanilla Sky fez com que Cruisenão aparecesse nem entre os cem mais poderosos de Hollywood nalista compilada pela Forbes, que ele havia liderado noano anterior. Assim, ele concordou em aparecer em um maiornúmero de programas de TV (na noite de ontem, estava no programa de Jay Leno) e abrir a intimidade para umareportagem (de capa, é claro) da revista Time, entreoutras.O sucesso da fita é muito importante para o ator, já que suapróxima chance de emplacar um arrasa-quarteirão só deve aparecer comMissão Impossível 3. A troca de Nicole Kidman por Penélope Cruz também nãoestá ajudando a promover a carreira dele: a espanhola não temnem um pingo do carisma da australiana, cuja carreira segue em alta. Mas Cruise, que completa 40 anos no dia 3 dejulho, também quer aproveitar para fazer filmes de ação antes deter de escolher outros tipos de produções em função da idade.Difícilmente vai deixar seu posto de astro poderoso tão cedo, mas, com certeza, Kingsley terá de rever sua estratégia.

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