Tom Cruise diz que só conhecia o Brasil pelo samba e cinema

Ator está no Brasil para lançar seu filme 'Operação Valquíria' e disse que pode voltar para filmar no País

Ubiratan Brasil, enviado especial ao Rio e Teresa Ribeiro, do estadao.com.br,

03 de fevereiro de 2009 | 14h31

Tom Cruise está no Brasil para participar de uma entrevista coletiva para a imprensa no Rio nesta terça, 3, após passar o fim de semana na ilha do cirurgião plástico Ivo Pitangui, em Angra dos Reis. O astro hollywoodiano falou para cerca de 200 jornalistas durante 50 minutos, no hotel Copacabana Palace, onde se hospedou na cidade. Começou a entrevista dizendo que sua viagem ao País foi "adorável, maravilhosa, inesquecível" tanto para ele, quanto para a mulher Kate Holmes e a filha Suri.  Tom Cruise, o protagonista de 'Operação Valquíria'. Foto: EFE Veja também: Trailer de 'Operação Valquíria''Operação Valquíria' domina bilheterias mundiaisLeia trecho de 'Operação Valquíria', de Philipp Freiherr von BoeselagerFilme impulsiona lançamento de três livros Cruise  disse ainda que ao ver as pessoas jogando vôlei de praia teve vontade de jogar também: "Um dia vou voltar para fazer isso", prometeu. O ator lembrou que antes só conhecia o Brasil pelo samba e pelo cinema, e que foi o cinema que o fez se interessar pela cultura do País, que agora teve a chance de conhecer mais de perto. "É lindo, eu gostei muito. As pessoas são incríveis, eu amei a música, a comida, as lindas paisagens. Seria muito divertido voltar aqui para fazer um filme", disse.  À noite, participará do lançamento de Operação Valquíria, no cine Odeon, no centro do Rio, filme de Bryan Singer (X-Men 2), que estréia nos cinemas em 13 de fevereiro, e no qual o ator faz o papel do coronel alemão Claus von Stauffenberg.  Ele não tinha um olho, a mão direita e dois dedos da esquerda, mas, no cinema, ganhou o bem alinhavado rosto de Tom Cruise - von Stauffenberg participou de uma espetacular tentativa de assassinato do ditador Adolf Hitler que, depois de sobreviver por obra do acaso, iniciou violenta onda de repressão.  O título empresta o nome da malfadada tentativa de se eliminar o Fuhrer e, por extensão, o nazismo. Stauffenberg e outros sete oficiais acreditavam que o regime estava condenado ao fracasso e, no dia 20 de julho de 1944, prepararam uma emboscada dentro do bunker de Hitler, conhecido como Toca do Lobo. Lá, durante reunião de militares, Stauffenberg deixou uma pasta contendo explosivos, que detonariam quando ele já estivesse a caminho de Berlim, onde um golpe de Estado era preparado para entrar em ação tão logo fosse confirmada a morte de Hitler. A pasta, no entanto, foi casualmente deslocada de seu local de origem por um dos participantes da reunião. Alguns centímetros que garantiram a sobrevida de Hitler por mais alguns meses: ele foi protegido da explosão pela pesada mesa ao redor da qual ocorria o encontro, sofrendo escoriações pelo corpo. Menos sorte teve o responsável pelo leve empurrão na valise, que perdeu uma perna na detonação, morrendo horas depois. 'Valquíria' teve a maior bilheteria de um filme estrangeiro na Alemanha, onde foi rodado. Foto: Divulgação Embora seu desafio seja bem menos arriscado que o de Stauffenberg, Cruise enfrentou problemas durante a produção. No início, as autoridades alemãs se negaram a deixar o longa ser gravado no memorial de Benderblock, em Berlim, por Cruise pertencer à Igreja da Cientologia, que sofre forte resistência na Alemanha.  Sem citar a Cientologia - assunto proibido na coletiva - Cruise comentou as dificuldades enfrentadas na Alemanha: "Geralmente a gente enfrenta vários tipos de problemas, foi assim também com Nascido em 4 de Julho e outros filmes", disse. "Sou muito visado, o foco fica só em mim, mas aos poucos vou aprendendo a lidar com isso". O filme é uma co-produção alemã e segundo o ator, os produtores alemães ficaram bastante constrangidos com o problema.  Números recentes indicam que na Alemanha, o filme é um sucesso de bilheteria: Valquíria rendeu até agora 7,3 milhões de dólares - a maior bilheteria de qualquer filme estrangeiro já exibido no país, segundo a EFE.  Tom Cruise também é produtor do filme e falou sobre essa dupla função, dizendo que isso aumenta muito o trabalho, mas que uma coisa ajuda a outra. "Como ator vejo os melhores caminhos para a produção, mas depois eu contrato pessoas para fazerem a produção", disse, explicando que após o início das rodagens só pensa no seu trabalho como ator. Ao responder a uma pergunta sobre a semelhança entre esse personagem e os outros que já interpretou, como em Guerra dos Mundos, Cruise disse que são muito diferentes e que não se preocupa com essas diferenças, mas reconheceu que em Guerra dos Mundos fez o papel de um pai que foi aos poucos se tornando um pai de verdade, enquanto em Operação Valquíria ocorreu o contrário, ele teve de interpretar um pai que foi se distanciando dos filhos, para que não soubessem de seu envolvimento no golpe e a fim de manter a integridade de sua família. Sobre os comentários de que em seu país, os Estados Unidos, o filme ter registrado uma bilheteria mais fraca do que em outros países, Cruise afirmou que as informações que ele tem indicam que o filme vai bem por lá também e que suas viagens ao exterior não estão ligadas à performance financeira da produção. Operação Valquíria liderou as bilheterias internacionais pelo segundo fim de semana consecutivo, segundo a EFE, arrecadando estimados US$ 18,6 milhões, em 26 países, e elevando seu total acumulado fora da América do Norte para US$ 38,9 milhões.  

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