Tizuka Yamasaki é homenageada em Gramado

A cineasta Tizuka Yamsaki foi a grande homenageada do Festival de Gramado de 2004. A diretora, que nasceu no Rio Grande do Sul, subiu ontem ao palco do Palácio dos Festivais para receber o troféu Eduardo Abelin. Emocionada, mas muito segura de si, ela lembrou que foi naquele mesmo palco que, então uma desconhecida, apresentou seu primeiro filme para competir pelos Kikitos ? o prêmio do festival. Era Gaijin, sobre a saga dos imigrantes japoneses, um filme que, de forma ficcional, falava de sua própria experiência como filha de gente que tinha vindo do outro lado do mundo para tentar melhor sorte no Brasil. Tizuka disse que o primeiro filme era mais doloroso do que o primeiro parto e ficou surpresa quando saiu daquele longínquo festival de 1980 com seis estatuetas na bagagem. Esse reconhecimento, ela diz, lhe abriu muitas portas na carreira. Daí sua gratidão ao tradicional festival da serra gaúcha. Com as homenagens e a presença de artistas, Gramado, nesta sua 32.ª edição, começa a ganhar clima, quer dizer, temperatura emocional. É um evento movido tanto pelos filmes quanto pela badalação, e portanto faziam furor as presenças de estrelas como Cláudia Liz e Paula Burlamaqui. Mesmo a hoje meio esquecida Susana Alves, a Tiazinha, teve seus momentos de brilho junto aos fãs, na entrada do cinema. Para o leitor ter idéia: na entrada do cinema estende-se um longo tapete vermelho por onde passam as celebridades convidadas para o evento. O modelo, claro, é a subida da escadaria do Palais, em Cannes (a famosa montée des marches) ou a passarela do Lido, no Festival de Veneza. Ao longo do tapete aglomeram-se adolescentes que batem fotos, gritam e uivam à passagem dos ídolos. E, quando esses não aparecem, costumam agredir e apupar os desconhecidos que com seus pés anônimos ousam macular o tapete vermelho. Enfim, trata-se de um verdadeiro corredor polonês, dura experiência proposta a todo aquele que se dispõe a assistir ao Festival de Gramado. Gramado é também um desfile de modas que, para ser completo, precisa do frio, que por enquanto não apareceu. Há dois anos, uma neve amiga permitiu às mulheres exibir seus visons sem nenhum constrangimento. Infelizmente, depois disso, nos meses de agosto, tem reinado um inesperado verão na serra. Sol durante o dia, calor, e temperatura no máximo amena durante a noite. Suficiente, talvez para botar um casaquinho de couro, mas vestimentas mais pesadas, ou botas forradas, nem pensar. Ontem, caiu uma chuva promissora, mas o frio não veio. E hoje o dia amanheceu ensolarado. Com isso tudo, as ruas estão cheias, há gente tomando chimarrão pelos bancos da praça e as estrelas, de luminosidade variável, prometem ainda dar as caras, e outros atributos, no festival. Infelizmente, na tela o que se viu até agora foi um tanto decepcionante. Araguaya ? a Conspiração do Silêncio foi julgado pífio pela crítica e O Quinze, adaptação do romance homônimo de Rachel de Queiroz, apesar de honesto, também parece cheio de problemas de produção que se refletem no resultado final. Procuradas, longa-metragem catarinense, põe em cena um time nada desprezível de belas mulheres, mas também é muito irregular em sua tentativa de olhar para o universo das garotas de programa de Florianópolis. Na parte latina do certame, a boa impressão ficou para o cubano Suite Habana, comovente registro sem diálogo dos habitantes da capital da ilha. O português O Fascínio, de José Fonseca e Costa, adaptado de um romance do gaúcho Tabajara Ruas, também não disse a que veio: é um thriller confuso, com pitadas políticas da época do fascismo em Portugal e na Espanha. Mas estamos apenas na metade do festival e muita coisa boa ainda pode vir. Talvez até neve e bons filmes.

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