"Titan A.E." é desenho americano para adultos

Os cineastas Don Bluth e Gary Goldman - as mentes por trás de desenhos animados consagrados como Um Conto Americano e Anastasia - se encheram de filmes bonitinhos, transformando o tradicional tema de ficção humanos vs. aliens hostis numa luminosa aventura em animação, que resume uma das mais deslumbrantes pancadas visuais do ano, chamada Titan A.E..Editado com a velocidade de um video game de última geração, Titan tem um poder e uma força de atração muito mais forte que várias ficções científicas da atualidade. Felizmente, os roteiristas Bem Edlund (do desenho The Tick), John August (do filme Vamos Nessa) e Joss Whedon (do seriado Buffy, a Caça-vampiros) conseguiram colocar no filme momentos empolgantes e personagens bem concebidos o suficiente para que ele não se perdesse no espaço.O ano é 3028 e a Terra como conhecemos foi incinerada por uma raça alienígena conhecida como Drej. Mas foi tão incinerada que o planeta virou, praticamente, um imenso deserto de cinzas. Algumas naves terrestres que escaparam da tragédia estão vagando pela galáxia, mas extremamente indefesas, colocando em risco de extinção também seus tripulantes e passageiros. Para evitar a extinção total da raça humana, a única saída seria encontrar um meio de recriar o Titan, um gigante clonado que há algum tempo estava em teste, num laboratório. Eles pedem que Cale (com a voz de Matt Damon), um humano que foi abandonado pelo pai, o criador do Titan, ajude a encontrar a fórmula genética da criatura.Outras estrelas dão ao desenho suas vozes, como Drew Barrymore, John Leguizamo, Nathan Lane e Janeane Garofalo.Decididamente um desenho animado mais adulto e obscuro que a maioria dos que aparecem nos cinemas, Titan não economiza a morte de alguns inocentes. Às vezes num grande coletivo, como nas cenas iniciais, com as impressionantes cenas de destruição da Terra e da lua. As cenas são tão impactantes, que a garotada que for ao cinema talvez nem note o suave romancinho existente entre Cale e a pilota da nave Akima (Drew Barrymore). E não se trata do recurso exagerado de computação gráfica - desenho convecional e arte digital (bastante inspirados em anima japonês) foram muito bem balanceados por Bluth e Goldman.O filme está sendo exibido com censura para crianças com menos de 10 anos nos Estados Unidos, pela violência, piadas e assuntos que, muitas vezes, são de entendimento pouco "infantil". Dá para se ter a impressão de que os clássicos quadrinhos da Heavy Metal, bem como filme Aliens são algumas das fontes de inspiração para esta animação espetacular.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.