Tiros e mortes no novo desenho da Disney

A Atlântida sempre esteve na mente dos sonhadores, com sua civilização fabulosa submersa por uma catástrofe. É um tema de sonho para o cinema e a Disney não deixou por menos: Atlantis - o Filme estreou nos EUA sexta-feira e estará nos cinemas brasileiros no dia 29.Mas quem espera apenas o Disney da vez vai ter umas surpresas. Atlantis, para começar, não tem bichos engraçadinhos nem coadjuvantes humanos bonzinhos. É um filme de aventuras, de ritmo rápido, na tradição de um antigo sucesso do estúdio, 20 Mil Léguas Submarinas. Outra novidade: não há aqueles números de música e dança interrompendo a história. Na verdade, a única música que existe no filme é uma canção que acompanha os créditos finais.Porém, o que deve horrorizar mais os puristas é que há batalhas contra monstros robôs com armas disparando - e matando gente. Muita gente. Personagens piromaníacos, pervertidos (é verdade que são franceses, à maneira dos velhos melodramas de Hollywood) e que fumam como chaminés. A garota da Atlântida, a princesa Kida, faz um strip-tease que acaba num minúsculo biquíni. E, mais ainda, o filme até censura o estilo de vida capitalista de personagens que querem descobrir a cidade perdida por dinheiro.Assim, Atlantis, embora tendo os ingredientes que vão agradar às crianças, não descuida totalmente dos adultos. A Disney quis fazer um filme de aventuras à velha maneira, algo que lembra o Júlio Verne de Viagem ao Centro da Terra e o Edgar Rice Burroughs das histórias de Pelucidar, o mundo que ele inventou, que ficaria no interior do nosso. O herói de tal aventura é Milo Thatch, o maior nerd do cinema desde que aquele sujeitinho encolheu as crianças. Ele usa óculos, claro, é um rato de biblioteca, tem o dom de aprender línguas, interpretar mapas e consertar caldeiras e aquecedores. Está na cara que ele não tem namorada . Usa roupas que o fazem parecer outra imortal criação de Disney, o professor Pardal.A Atlântida é descrita por ele como um lugar de máquinas voadoras e eletricidade. O lugar aparece na seqüência de abertura do filme, que mostra como o mar engoliu toda uma civilização. Milo tem mania de Atlântida por causa de seu avô. Quando um velho amigo dele financia uma expedição para o continente perdido, recorrem a um diário que mostraria sua localização. Com uma turma que inclui uma mecânica adolescente, um perito em escavações apelidado O Toupeira e um capitão mal-humorado. A viagem começa num submarino e os aventureiros enfrentam um monstro marinho hiperdesenvolvido e, caindo num vulcão adormecido, o grupo encontra os atlantes, liderados pela princesa Kida e pelo rei Nedakh (na versão original, os trekkies vão adorar se reencontrar com a voz de Leonard Nimoy, o vulcano sr. Spock) .Combates aéreos, caçadas submarinas, fugas por paisagens impressionantes com efeitos da melhor computação gráfica, tudo isso foi empregado pelos diretores Gary Trousdale e Kirk Wise, veteranos do estúdio, responsáveis por A Bela e a Fera e O Corcunda de Notre-Dame. Outra arma secreta foi o uso do quadrinhista Mike Mignola, criador do personagem Hellboy, que injetou modernidade e angulosidade no desenho, sobretudo dos personagens, diferenciando-o do padrão Disney habitual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.