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Tintin revive em ritmo de realismo fotográfico

Com uso de 3D e técnica de captura de movimentos reais, Spielberg dirige adaptação do personagem criado em 1929

Jotabê Medeiros - O Estado de S.Paulo,

13 Abril 2011 | 06h00

Como diria o Capitão Haddock: com mil borrascas! Estreia mundial em 26 de outubro um filme que não vai deixar opção de meio-termo: muitos vão amá-lo ardentemente, mas os que o odiarão vão detestá-lo também com igual ardor. As primeiras fotos da produção correm o mundo pela internet, causando rebuliço por causa das expressões meio "borrachudas" dos personagens.

Trata-se de O Segredo do Licorne, o primeiro filme de uma trilogia de Steven Spielberg que revisita Tintin, o clássico personagem das HQs criado por Georges Remi, o Hergé, em 1929. Os tradicionalistas já torcem o nariz: é um filme em 3D, cercado por toda a moderna tralha tecnológica da era do Multiplex, o que vai dividir os milhares de fãs pelo mundo.

O projeto nasceu nos anos 1980, quando Spielberg lançou Os Caçadores da Arca Perdida, a aventura de Indiana Jones. Em 1982, um jornalista comparou as aventuras do personagem de Spielberg às do intrépido repórter dos quadrinhos Tintin. O cineasta se interessou e entrou em contato com Hergé em 1983. Iam se encontrar, mas o desenhista morreu pouco depois.

O álbum em que se baseia o novo filme de Spielberg foi publicado no jornal belga Le Soir em 1942. Trata da busca do navio Licorne, uma nau de terceira linha da frota de Luís XIV que fora tomada pelo pirata Rackham, o Terrível (no filme de Spielberg, quem o dubla é o 007, Daniel Craig). O diretor o "remixou" com duas outras aventuras: O Caranguejo das Pinças de Ouro, de 1940, e O Tesouro de Rackham, o Terrível, de 1943.

 

O coprodutor do filme de Spielberg é Peter Jackson (de O Senhor dos Anéis), que impeliu o filme a buscar a técnica de "performance capture", um sistema que se baseia nos movimentos de um grupo de performers humanos e depois é redefinido em computador. Simplificando: é um filme de animação com "avatares" do mundo real.

Pelas primeiras imagens, divulgadas em revistas como Empire, Cahiers du Cinéma e Première, dá para ver que o hiper-realismo predomina na visão Spielberg-Jackson do herói. O resultado lembra um pouco aquele do filme O Expresso Polar, dirigido por Robert Zemeckis. Haddock parece o Hagrid de Harry Potter. Segundo Peter Jackson, o filme "faz viver o mundo de Hergé, respeita a estilização caricatural dos personagens, mas com um realismo fotográfico".

Depois da invasão de super-heróis da indústria americana (Thor, Homem de Ferro, Lanterna Verde), é hora dos pequenos heróis europeus serem "atualizados" pela cultura pop americana. Outro tesouro nacional belga, Os Smurfs, do cartunista Peyo, foram filmados pelo diretor de Scooby-Doo, Raja Gosnell. Mais dentes rangendo de raiva em Puritanoland.

Spielberg e Peter Jackson, ao lançarem o projeto, fizeram um "pronunciamento" no festival de Angôuleme, na França, vestidos como os gêmeos Dupont e Dupond (de bengala e chapéu-coco).

Todos os álbuns nas livrarias

 

Miseráveis, pamonhas, coleópteros, tatuís, aletrias, filoxeras, piróforos, coloquintos, fulustrecos, gargarejos, emplastros, zambureque.

O Capitão Haddock nunca xingou tanto como nas três aventuras em que se desvenda o paradeiro do tesouro do Licorne. Os três álbuns estão disponíveis nas livrarias brasileiras, relançados pela Companhia das Letras. Custam R$ 38 cada um. Tudo começa com uma onda de batedores de carteiras na cidade. Os atrapalhados irmãos gêmeos detetives Dupont e Dupond são escalados para descobrir os larápios, e começam a investigar no Mercado de Pulgas.

Daí em diante, é uma sequência admirável de fatos. Réplicas de navios afundados, engenhocas submarinas, ilhas tropicais esquecidas, papagaios falastrões, mergulhos submarinos. É impressionante a imaginação de Hergé, que coloca seus heróis em situações inusitadas em cenários os mais instigantes, de florestas intrincadas a castelos mirabolantes. Tudo que Spielberg ama: fantasia e impossibilidade. / J.M.

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