Tim Robbins critica atitude do prefeito de Madri

O ator americano Tim Robbins, que está em Madri para apresentar o filme Em Nome da Honra e apoiar o 1.º Festival Internacional de Cinema Solidário da Cidade (Fics), confessou ter se sentido "usado" pelo prefeito da capital, Alberto Ruiz-Gallardón, que posou ao seu lado numa sessão de fotos."Minha intenção era apoiar o festival, não aparecer em fotos com políticos de direita. Sinto que fui usado", reclamou o ator americano diante de um grupo de jornalistas, após a exibição do seu novo filme, que abriu a 1.ª edição do Fics. Alberto Ruiz-Gallardón (do conservador Partido Popular) apresentou o festival para a imprensa e compareceu, posteriormente, à sessão de fotos."É curioso que um prefeito possa fazer o esforço de vir tirar uma foto com um ator americano, mas que não o faça para se unir ao povo em uma manifestação", apontou o ator em referência à ausência de Ruiz-Gallardón na manifestação contra a organização terrorista ETA, que aconteceu no sábado em Madri."É suspeito que o representante do povo seja incapaz de escutar a voz destes a favor da paz", disse Robbins, que se confessou "surpreendido e entusiasmado" pela forma como os espanhóis reagem à violência. "Meu coração estará sempre com as vítimas", acrescentou Robbins, cujo ativismo político de esquerda é bem conhecido.FilmeEm Nome da Honra - um filme sobre terrorismo na África do Sul na era do Apartheid - abriu o festival que faz parte de um projeto da Prefeitura de Madri batizado como "Oportunidades para o mundo", que pretende criar um espaço de debate "para todos os que se negam a ter um olhar indiferente em direção aos problemas que afetam à população mundial", explicou Ruiz-Gallardón.Com o cinema como instrumento para divulgar "valores solidários", o prefeito explicou os três objetivos do Fics: "apresentar o fenômeno da imigração positivamente, fomentar a igualdade entre homens e mulheres, e fazer do trabalho voluntário uma atividade cotidiana das pessoas".O Fics contribuirá "para que a solidariedade de Madri com os cidadãos de todas as culturas chegue e seja sentida onde faz falta", assinalou Ruiz-Gallardón, que espera que o evento se torne "um dos mais importantes da Europa".

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