Tim Allen volta às telas como Papai Noel

Mais conhecido por ter emprestado a voz ao patrulheiro espacial Buzz Lightyear, da franquia Toy Story, Tim Allen vive mais um personagem com apelo infantil a pedido da Walt Disney Pictures. O ator, de 49 anos, retoma o papel do velhinho de barba branca, barriga avantajada e roupa vermelha em Meu Papai É Noel 2, lançamento de Natal em cartaz nos cinemas brasileiros. "Só reclamo do figurino. A cola usada para fixar a barba cheira mal e me deixa todo grudento. Sem falar na estranha sensação de ter cabelos de outra pessoa na minha cara", brincou. Nessa continuação do filme Meu Papai É Noel, lançado em 1994, o protagonista é obrigado a arrumar uma namorada, a futura Mamãe Noel, para continuar no cargo no Pólo Norte. Ainda precisa enfrentar o mau comportamento do filho, um adolescente que se revolta por não poder contar ao amigos da escola quem é o pai. "Relutei durante anos porque não queria rodar uma seqüência qualquer. Só aceitei filmar a segunda parte porque finalmente os roteiristas encontraram a história certa", diz Allen, que migrou para o cinema após ganhar popularidade com a série de televisão Home Improvement. Foram oito temporadas (de 1991 a 1999) na pele do Sr. Conserta Tudo, papel que lhe valeu um Globo de Ouro e uma indicação ao Emmy na categoria de melhor ator em comédia. "Por eu ter sido lançado em sitcoms, voltados ao público adulto, é irônico que eu esteja hoje fazendo filmes para crianças", disse o ator, acostumado a ganhar US$ 1,2 milhão por episódio de Home Improvement, ainda hoje exibido no Brasil, pelo canal Sony. "O cinema paga muito menos, mas as produções infantis me dão a satisfação de ver a minha filha (Kady, de 13 anos) curtir o meu trabalho." Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista, concedida à Agência Estado, em Los Angeles.Agência Estado - Como foi revisitar o personagem do Papai Noel, oito anos depois?Tim Allen - Foi como visitar um amigo que não via há muito tempo. O processo foi longo porque não queria cair na tentação da seqüência que visa simplesmente o lucro. Entendo como funciona esse negócio, que a Disney ganha dinheiro com isso, mas não podia me vender. Meu Papai É Noelconseguiu deixar as pessoas entusiasmadas com o Natal. Como há tempo não ficavam. Uma delas foi Arnold Schwarzenegger, que se animou tanto a ponto de desenvolver o próprio projeto natalino com Um Herói de Brinquedo, em 1996. Só que o Papai Noel não poderia voltar por voltar. Tive de esperar até que a história recuperasse o espírito do filme original, precisando passar pelas mãos de inúmeros roteiristas.Você deu palpites no roteiro? Sim. Alguns elementos da história são meus. Primeiramente tive de convencer a Disney de que o filho do Papai Noel, Charlie (interpretado por Eric Lloyd), teria de fazer algo ruim, como pichar os muros da escola, para entrar na lista dos peraltas. Só isso poderia legitimar a saída do Papai Noel do Pólo Norte para supervisionar o filho e, posteriormente, conhecer a mulher ideal.O segundo filme abre as portas para um "Meu Papai É Noel 3"?Agora eu toparia fazer mais uma continuação. Principalmente por termos aberto a possibilidade de relacionamentos do Papai Noel com outros seres míticos que fazem parte da imaginação infantil, como a fada do dente, etc. Só a idéia de vestir aqueles enchimentos e de botar a maguiagem é que me incomoda (risos). Depois de passar mais de três meses rodando o segundo filme, aquele figurino me dá claustrofobia (risos).Quantas horas levava para se aprontar no set? Como sou energético demais, não consigo ficar de três a quatro horas parado, sentado na cadeira do maquiador. Para piorar, o meu personagem enfrentou transformações físicas que exigiram diferentes maquiagens. A pior parte foi representar a transição, de gordo para magro, quando o Papai Noel começa o processo de reversão. Enquanto não encontra a namorada, vai perdendo os quilos a mais, a barba e os cabelos brancos até ficar como eu sou, ao natural. Ainda é reconhecido nas ruas como o Sr. Conserta Tudo, de "Home Improvement"?Sim. Ainda existe um público que parece desconhecer o fato de eu fazer cinema. Para eles, não importa o que eu faça. Serei eternamente o cara do Home Improvement. Houve uma época em que eu queria mudar isso. Hoje, não. Já aceitei.Sentia-se superexposto na época do seriado? Eu ainda me sinto. Às vezes, tenho a impressão de que Home Improvement é mais visto hoje, nas reprises, do que quando os episódios eram inéditos. Agora a série é reapresentada duas vezes ao dia na maioria dos mercados americanos, seis dias por semana. Sem falar nos outros países. Muitos telespectadores só estão conhecendo o programa agora. Obviamente não atingimos 23 milhões de telespectadores toda terça-feira à noite, o que era a média de audiência na época. Mas, ao somarmos os índices de todas as reprises, deve dar no mesmo. Não acredito que a superprodução Titanic foi vista por tanta gente nos EUA. Outro personagem marcante em sua carreira foi Buzz Lightyear. Alguma perspectiva de você retomar o bordão "ao infinito e além!"?Ainda que a tarefa seja dura para o dublador, porque trabalhamos contra o relógio, sozinhos no estúdio, eu já disse que topo fazer o terceiro filme da série. Assim como Tom Hanks (que dublou o caubói Woody). Afinal, Toy Story 2foi uma das raras continuações que não apenas fizeram jus como superaram o original, como O Poderoso Chefão 2. Isso nos incentiva a tentarmos uma terceira vez. O único problema é que a Pixar e a Disney, responsáveis pela franquia, tiveram alguns desentendimentos. Portanto, agora depende deles. Às vezes, eu digo "ao infinito e além!" quando estou com crianças desconhecidas em algum elevador. Faço isso só para ver a reação delas. As crianças menores me olham assustadas. Como se eu estivesse engolido Buzz (risos).

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