Thomaz Farkas
Thomaz Farkas

Thomaz Farkas é homenageado na abertura do É Tudo Verdade

Curta de Walter Lima Jr. sobre o fotógrafo, morto no dia 25, foi apresentado no festival

Julia Baptista - Estadão.com.br,

01 Abril 2011 | 17h18

"Fotógrafo não é artista. Fotógrafo é fotógrafo", conclui Thomas Farkas (1924-2011), enquanto prepara uma caipirinha na sua casa de Paraty, no litoral fluminense. A fala aparece no final do curta-metragem de 15 minutos, Thomas Farkas, Brasileiro (2004), dirigido por Walter Lima Jr, sobre a vida e obra do fotógrafo, morto no último dia 25.

O filme abriu a 16ª edição do festival É Tudo Verdade, que aconteceu na quinta-feira, 31. "Thomaz Farkas estimulou gerações de documentaristas", disse Amir Labaki, diretor do festival, antes da projeção. "Farkas é um doce sonhador de nossos documentários, pois acreditou firmemente que um dia eles chegariam às escolas e às televisões",definiu Walter Lima à época do lançamento do curta. Foi uma surpresa que o festival preparou para homenagear o fotógrafo, já que o curta não era esperado pelos convidados que foram assistir ao filme The Black Power Mixtape, projetado logo depois.

Realizado com patrocínio do programa Petrobrás Cinema e produzido pela Urca Filmes, o curta, que abriu as comemorações dos 80 anos de Thomas Farkas, em 2004, começa com uma narração em off do diretor, mostrando a sua chegada à casa do fotógraafo, em Paraty. A direção de fotografia da obra é de Pedro Farkas, filho de Thomaz,  parceiro de Walter Lima Jr. em Desafinados entre outros, e Walter Carvalho.

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O curta, que recebeu o Prêmio de Melhor Edição do RECINE, em 2004, mistura entrevista do fotógrafo feita por Walter Lima Jr e imagens de filmes dirigidos ou fotografados por ele. Conta desde a infância de Farkas, período em que o fotógrafo chega ao Brasil vindo de Budapeste, capital da Hungria, com mãe, aos 6 anos, passando pelo interesse dele pela fotografia na adolescência até a produção em cinema em geral, e documentário em particular.

A carreira de Farkas como documentarista é abordada pelo diretor.  Em 1965, Farkas organizou a produção de quatro médias-metragens depois reunidos no formato de longa com o título Brasil Verdade (1965):  Memória do Cangaço, de Paulo Gil Soares, Subterrâneos do Futebol, de Maurice Capovilla, Nossa Escola de Samba, de Manuel Horacio Giménez, e Viramundo, de Geraldo Sarno. Entre 1969 e 1970, ele comandou a produção de uma série de curtas e médias metragens, todos focados na cultura popular brasileira, em especial a nordestina, ao lado de jovens cineastas, o que foi chamada de Caravana Farkas. 

Farkas ajudou a consagrar documentaristas como Geraldo Sarno, Maurice Capovilla, Paulo Gil Soares e, um pouco mais tarde, Sérgio Muniz, Guido Araújo e Eduardo Escorel. Nas equipes desses filmes destacavam-se nomes como os de Jorge Bodanzky, Hermano Penna, Vladimir Carvalho e o fotógrafo Affonso Beato.

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