Theo Angelopulos impressiona com sua trilogia

O cineasta grego Theo Angelopoulos apresentou hoje na mostra competitiva do Festival de Berlim seu projeto mais ambicioso, Trilogy: The Weeping Meadow, primeira parte de um épico sobre a formação da Grécia moderna. Angelopoulos usa o ponto de vista de uma jovem camponesa, Eleni (Alexandra Aidini), para atravessar quase meio século de história grega. Os planos excessivamente elaborados, esteticamente bem acabados e extremamente longos estão de volta, tornando esse sofisticado exercício de reflexão histórica uma tour-de-force que dura pouco mais de três horas. Boa parte dos jornalistas resistiu ao filme na projeção de quarta-feira à noite, mas houve quem tenha jogado a toalha após uma hora e meia de projeção.Angelopoulos falou sobre o filme nesta tarde, acompanhado de parte do elenco e dos produtores. Disse que seus trabalhos são percebidos como grandes elegias mitificadoras, o que nem sempre é verdade, mas este em especial é uma grande elegia à dor e ao sofrimento do homem. E fez um elogio ao academicismo quando perguntado sobre movimentos modernos como o Dogma. "Não há nada mais moderno do que o clássico", disse ele. "Porque é no clássico que as novas tendências vão beber para se aprimorar."Sobre seus personagens, o diretor disse que freqüentemente é acusado de tratá-los apenas como objetos ou símbolos, tirando-lhes qualquer possibilidade de humanidade. "Essa é uma das lendas que circulam a meu respeito", disse. "Mas não há como contar a história de um personagem sem ter cuidado com ele. De qualquer maneira, as pessoas podem sentir os meus filmes de maneiras diferentes. Essa é uma interpretação."Veja galeria de fotos

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