The Rock é a força de "O Escorpião Rei"

Milhares de anos antes dasPirâmides, quer nos fazer crer O Escorpião Rei, os guerreirosversados em "artes mortais", sejam quais forem eles, usavamapliques e maquiagem pesada. É parte da diversão que o filme deChuck Russell promete, com seu jeitão de gibi meio vagabundo.O Escorpião Rei estréia nesta sexta-feira, em São Paulo. Tem mais. É impossível, por exemplo, desgostarcompletamente de um filme que tem um diálogo tão impossivel, compérolas do tipo: "Depois de um dia duro de saques e pilhagens,não há cidade melhor que Gomorra." Uma pausa. "A não serSodoma". O fato do herói ter sido o vilão de um filme passadomilênios depois, O Retorno da Múmia, também não tem a menorimportância. Nem o fato do astro, o lutador The Rock, aliásDwayne Douglas Johnson na carteira de identidade, ter apenasduas expressões como ator: arregalar os olhos e fazer cara debravo. Aliás, mentira. São três. Ele tem uma marca registrada naluta livre, que é levantar uma das sobrancelhas quando perguntaao público se deve nocautear o adversário. Quando, no filme, elese vê dentro de um harém, cercado de odaliscas, adivinhem o queele faz? The Rock parece um aluno pouco aplicado da Escola Conande Arte Dramática. Mas luta bem. Tanto que nocauteou de verdadeo ator Michael Clarke Duncan numa filmagem das lutas. E vejamque Duncan é aquele sujeito avantajado que tinha um ratinho naprisão de À Espera de um Milagre. Como Schwarzenegger, TheRock tem presença, estampa de herói de ação, além de lutar bemde verdade. O que pode garantir sua carreira no gênero. Elecomeçou com a ponta de O Retorno da Múmia como aquela lagostagigante que tinha o rótulo de deus escorpião ou coisasemelhante. Aqui ele é Mathayus, o último dos acadianos, que devem,como não param de nos lembrar pelo filme inteiro, viver livres emorrer com dignidade. Ou vice-versa, não importa. Algumas tribosrenegadas contratam-no para liquidar Memnon (Steven Brand, umclone mal-acabado de Russell Crowe), que quer, bem, conquistaro mundo. Para isso, conta com uma arma secreta, a feiticeiraCassandra (como se nota, o filme não tem medo de usarlugares-comuns). Os dons mais evidentes dela surgem em roupasbem sumárias -- aliás todas as mulheres do filme parecem sesentir num episódio de Baywatch. Porém, a atriz que ainterpreta , a bela Kelly Hu, é faixa-preta de caratê e mostraisso em rápidas cenas. A feiticeira prevê como serão as batalhas, o que é muitoútil para quem quer conquistar o mundo. Mas ela se apaixona porMathayus e acaba perdendo os poderes quando passa uma noite comele. Mas antes, ela tem uma discussão filosófica com o vilão.Diz ele: "Você acha que sou cruel, mas sou apenas a ordem apósséculos de caos". Ela: "Rios de sangue nunca trazem paz".Ele: "Mas podem trazer obediência, e isso é o que basta porenquanto." Além da teoria política, Memnon é o maior espadachim quemundo já viu. Mas não dá nem para o começo ao brigar comMathayus, o que mata formigas de fogo com o queixo, fazendo carade ah, se eu não estivesse preso aqui (ele está num buraco, sócom a cabeça de fora), eu acabaria com a raça de vocês. O filmeé assim: cenas de ação, diálogos edificantes e intervençõesdivertidas de um ladrão de cavalos caricato e do melhor ator dofilme, um camelo. Se você encarar, este é o seu filme.Serviço - O Escorpião Rei (The Scorpion King) Drama.Dir. ChuckRussell. EUA/2002. Dur. 92 min. Com The Rock, Steve Brand,Michael Clarke Duncan. 12 anos

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