Doane Gregory/Netflix/Divulgação
Doane Gregory/Netflix/Divulgação

‘The Adam Project’, uma sessão de terapia que é sucesso de bilheteria

Ryan Reynolds estrela como um piloto que viaja no tempo e relutantemente se une a seu eu de 12 anos em ‘The Adam Project’

Lindsey Bahr, AP

12 de março de 2022 | 11h37

Ação e comoção aparecem em partes iguais no longa The Adam Project, a mais recente tentativa da Netflix de criar o tipo de sucesso de bilheteria que você provavelmente pagaria para ver nos cinemas.

Estrelado por Ryan Reynolds como um piloto que viaja no tempo e dirigido por Shawn Levy, o filme pega o velho clichê sobre o que você diria ao seu eu mais jovem e adiciona sarcasmo, ação espacial, uma certa energia de Guardiões da Galáxia, uma empresária megalomaníaca, um pai morto e um amor perdido. É um saco de pipoca bastante satisfatório, com algumas partes genuinamente comoventes. Só falta um pouco de Harry Chapin.

É um projeto que existe há uma década – em dado momento, Tom Cruise esteve ligado ao filme. Mas foi definhando nas fases de desenvolvimento e reescrita (há quatro roteiristas creditados e Jonathan Tropper foi o último a mexê-lo) até que a Netflix o adquiriu e em menos de dois anos chegou ao produto final.

Em The Adam Project, somos apresentados a Adam (Reynolds), 40 e poucos anos, no meio de uma perseguição espacial. Ele é perspicaz e imperturbável, então é um choque quando o filme corta para o Adam do ensino médio (estreia de Walker Scobell) como um carinha que tem a boca grande demais e costuma entrar em brigas e perder.

Adam e sua mãe (Jennifer Garner) estão passando por maus momentos um ano depois da morte do pai (Mark Ruffalo) num acidente. Mas, antes que as coisas fiquem ruins de verdade, o Adam adulto aparece na sua casa no passado e quebra todas as regras conhecidas da viagem no tempo quando acidentalmente encontra o jovem Adam. É um universo onde existe o filme De Volta para o Futuro 2.

O Adam adulto não está lá por causa do jovem Adam, ele só precisa tratar sua ferida antes de procurar sua esposa (Zoe Saldaña). O eu mais velho é desdenhoso, o mais novo está desesperado para saber quando ele vai começar a ficar chapado e se dar bem com as garotas. Reynolds e Scobell formam uma bela dupla.

E, claro, o Adam adulto está numa jornada para fazer as pazes com seu eu mais jovem e seus pais – mamãe tem direito a cinco minutos num bar (é uma boa cena) e papai fica com o resto do filme. É, em última análise, um filme sobre meninos e seus pais.

Levy é um diretor que encontrou um caminho de sucesso em filmes de estúdio como Uma Noite Fora de Série, Uma Noite no Museu e Free Guy’, que também estrelou Reynolds. Embora possam não ser o tipo de coisa que se ensina nas escolas de cinema, eles têm seu lugar como filme-pipoca nostálgica e reassistável (até mesmo no estilo da produtora Amblin, se for preciso), com coração suficiente para fazer você se sentir como se não estivesse consumindo junk food.

Mas a nostalgia pode ser um jogo complicado para pessoas fora do grupo dominante e os cineastas de The Adam Project talvez precisem de uma pequena introspecção sobre o fato de terem feito um filme amoroso sobre família e perdão que tem como vilã uma empresária de grande sucesso (Catherine Keener) cuja história de origem deriva de sua amargura por não ter marido nem filhos, porque dedicou a vida ao trabalho.

Keener parece estar se divertindo bastante com os efeitos especiais e uma versão rejuvenescida de si mesma. Mas é difícil afastar a sensação de que, de alguma maneira, voltamos a outro traço dos filmes dos anos 80 que deveriam ter ficado no passado: quando mulheres solteiras e sem filhos eram as ameaças aos casamentos e à domesticidade. Isso, tenho certeza, não faz parte da vibe retrô que eles buscavam. Mas, infelizmente, foi o que fizeram.

Levy disse que quer que seus filmes tenham ideias e, embora haja algumas boas em O Projeto Adam, a existência da personagem de Keener indica que as mulheres precisam encontrar tempo para filhos e companheiros antes que seja tarde demais.

Em outras palavras, The Adam Project deveria ter prestado atenção a uma de suas próprias lições: a única maneira de salvar o futuro é se reconciliar com o passado.

The Adam Project, lançado pela Netflix na sexta-feira, tem classificação indicativa de 13 anos pela Motion Picture Association of America por “Linguagem, violência, ação e referências sugestivas”. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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