Em novo projeto,Thalita Carauta faz humor com gastronomia

‘Duas de Mim’ é seu primeiro papel de protagonista, e com grandes chefs

Luiz Carlos Merten / RIO, O Estado de S.Paulo

23 Julho 2016 | 16h00

No projeto original de Duas de Mim, a personagem de Thalita Carauta era uma produtora de cinema possivelmente tão atarefada quanto Iafa Britz, que produz o longa de Cininha de Paula através de sua produtora Migdal. Mas Cininha não botava fé que a metalinguagem pudesse atrair o público – não atraiu em Porta dos Fundos, só para lembrar – e fez algumas mudanças.

O que interessa a todo mundo? Comida. O que está na moda? Gastronomia. E foi assim que a personagem de Thalita, Suryellen, ou Ellen, como prefere ser chamada, virou cozinheira. Ellen desdobra-se para dar conta das múltiplas funções, no lar e no trabalho. Reza por uma clone. Seu desejo se realiza. E é assim que, no filme, existem duas Thalitas.

O repórter visita o set de Duas de Mim, num estúdio além da Barra. Neste dia, filma-se uma cena importante. Ellen participa de um reality show de gastronomia. No set estão três chefs, fazendo os próprios papéis – Claude Troisgros, André Mifano e Flávia Quaresma. Ellen concorre com a dona do restaurante em que trabalha, e por sinal a patroa, interpretada por Alessandra Maestrina, é uma peste.

Thalita. Dose dupla para enfrentar as duras tarefas cotidianas do trabalho e do lar

Entre um plano e outro, o repórter conversa com Troigros e Mifano. O assunto cai nas estrelas Michelin. No seu português carregado de sotaque francês, Troigros diz que as tais estrelas sempre fizeram parte de sua vida. “Meu pai era um chef conceituado na França. Todo ano vivia o estresse de manter ou não suas estrelas.” Mifano diz que o melhor seria não ligar para elas. “Muita pressão tolhe a liberdade.”

Troisgros diz que gastronomia é ‘arte’. Mifano retruca que é ‘artesanato’. O primeiro comenta que virou ‘moda’, e nisso estamos atrasados. “Nos EUA foi há 15 anos. Na Europa, há 20.” E ambos concordam que o bom de cozinhar é criar pratos, testar ingredientes.

Quer ver um chef feliz? É só vê-lo escolher seus ingredientes e, depois, misturá-los naquelas receitas saborosas que dão água na boca. Na cena filmada, Alessandra Maestrina, que faz ‘Valentina’, ouve a crítica de Mifano. “Falta tempero”, mas, mesmo assim, ele vai deixá-la passar. Ufa! Troisgros adora o clima do set. “Estou fazendo pela novidade. Não estamos ganhando nada”, conta.

Sucesso na TV e no cinema, Thalita Carauta é aquela atriz que rouba cenas. Você já morreu de rir com ela no Chapa Quente, ou fazendo ‘escada’ para Giovanna Antonelli como a amiga de S.O.S, Mulheres ao Mar. Thalita encara o desafio de fazer sua primeira protagonista, e ainda por cima, em dose dupla. Não é fácil contracenar consigo mesma.

Thalita 1 serve de ‘escada’ para Thalita 2, entregando a piada de bandeja. “Estou adorando”, ela resume, enquanto é maquiada. É outra Thalita, com banho de butique. “Não tô chic? Tô chic, né?” A velha Thalita se faz presente por uma característica. O repórter tem de esperar porque ela está cochilando. “Na TV também é assim. Tem uma hora que encosto e durmo. Podem ser cinco ou dez minutos, mas tem de ter. Senão, não aguento”, conta.

“Humor é uma questão de timing”, reflete a diretora Cininha de Paula. Aos 57 anos, bem sucedida na TV – fazia, entre muitos outros, o programa de Chico Anísio, de quem era sobrinha, o Sai de Baixo e o Pé na Cova –, ela estreia na direção de filmes. “Viviam me convidando, mas nunca dava. Era agora ou nunca.” A Globo ajudou e, juntando férias com licença, permitiu-lhe testar a nova mídia. “Dirigir esse filme tem sido uma experiência diferente de tudo que já fiz, e não se trata só de colocar em exercício o processo criativo.

Na televisão, tenho controle do meu orçamento, aqui sou contratada e tenho de me adequar às locações e às possibilidades. Estou brigando para ganhar mais um dia. Terminamos em 16 (de julho). Gostaria de ter mais um dia e encerrar em 17.” E Cininha reflete – “Isso aqui tem a convivência de um quase casamento com pessoas que nunca tinha visto e também com profissionais com quem sempre convivi, mas não nesse formato. Às vezes, parece assustador, mas também é leve e divertida. E ainda vamos ter uma pós-produção complicada, porque são nada menos de 37 efeitos especiais. Se você acha pouco é porque não sabe o trabalhão que dão.”

A produtora Iafa Britz acompanha o set. Ela lança Duas de Mim no primeiro semestre de 2017. a data ainda será acertada com as duas parceiras, Paris Filmes e Downtown Filmes. Antes disso, na virada do ano, lança Minha Mãe É Uma Peça 2, com Paulo Gustavo, que foi filmado nesse mesmo estúdio. Na Migdal, Iafa soma sucessos como Minha Mãe É Uma Peça, Linda de Morrer e o recordista Nosso Lar. Diversificando sua linha de produções ‘comerciais’, fez o documentário Cássia Eller e também Casa Grande, de Fellipe Barbosa, reconhecido e apreciado como obra artística e autoral.

Até hoje Iafa tenta entender porque Irmã Dulce fracassou na bilheteria. “Adoro o filme, vou fazer outro com Vicente Amorim (o diretor).” Na TV, a Migdal vai estrear a quinta temporada de 220 Volts e a segunda de Mais Cor, Por Favor! Iara estampa seu maior sorriso ao contar a novidade: “Estamos exportando teledramaturgia.” As Canalhas, série que produziu na GNT, vai ganhar versão norte-americana, The Bitches. “E sabe quem vai dirigir? John Turturro! Não é o máximo?”

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