"Tenha Fé" ri das armadilhas do amor

Edward Norton já provou que é um bom ator em As Duas Faces de Um Crime e A Outra História Americana, arrancando elogios da crítica e levando-o duas vezes à noite do Oscar. Não levou nenhuma estatueta mas seu talento ficou comprovado. Agora o ator resolveu bancar o diretor. Na produção Tenha Fé (Keeping The Faith) ele atua e dirige ao mesmo tempo. Sua interpretação é competente. A direção funciona, mas não se compara ao seu talento de ator.O roteiro traz uma história incomum: um triângulo amoroso abala a amizade de dois velhos amigos, um padre (Edward Norton) e um rabino (Ben Stiller), apaixonados por Anna Reilly (Jenna Elfman), uma ex-colega de escola. Enquanto o rabino sofre porque tem medo de se envolver com uma moça não-judia, o padre entra em verdadeira confusão mental para não quebrar o celibato ao ceder aos prazeres da carne. Mas a moça cai de amores por apenas um deles o que causa estragos no coração de todos. As convicções religiosas dos amigos e a forma como lidam com isso cria situações curiosas. Quando a história de amor se intensifica, a comédia perde um pouco de sua graça. Stuart Blumberg, colega de Edward Norton na Universidade de Yale, assina o roteiro. Provavelmente, a amizade dos dois inspirou a história já que o ator é católico e Blumberg judeu. Mas o que se sobressai no filme mesmo é a boa interpretação do elenco. A química entre Norton e Ben Stiller está perfeita.Com Tenha Fé, Edward Norton não entrará, é certo, na lista dos grandes diretores cinematográficos. Talvez por ser sua primeira tentativa como diretor, ele optou por uma comédia romântica leve sem se aprofundar em nenhum assunto polêmico. O final feliz demonstra que Norton quer agradar o público sem arriscar muito, e consegue.

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