WARNER BROS
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'Tenet' arrecada US$ 20,2 milhões com os americanos voltando às salas de cinema

Longa é aposta para revitalização dos cinemas dos Estados Unidos: mais americanos foram ao cinema neste fim de semana do que nos últimos seis meses

Jake Coyle - AP, NOVA YORK

08 de setembro de 2020 | 05h00

Num teste decisivo para o público cinéfilo americano na pandemia, o filme de Chistopher Nolan rendeu US$ 20,2 milhões de bilheteria no fim de semana prolongado nos Estados Unidos e Canadá. O resultado pode ser comemorado como uma revitalização dos cinemas dos Estados Unidos – mais americanos foram ao cinema neste fim de semana do que nos últimos seis meses – ou um reflexo dos padrões radicalmente diminuídos no caso dos grandes blockbusters de Hollywood devido às atuais circunstâncias.

Cerca de 70% das salas de cinema nos Estados Unidos estão hoje abertas, mas aquelas dos principais mercados do país. Em Los Angeles e Nova York, continuam fechadas. Os cinemas que estão operando limitaram o número de pessoas a um máximo de 50% da capacidade de modo a se respeitar o distanciamento social. Tenet é exibido em 2.810 salas nos Estados Unidos, cerca de três quartos do registrado normalmente no caso dos grandes lançamentos.

A Warner Bros não quis separar as receitas das bilheterias canadenses e dos Estados Unidos. Os cinemas no Canadá, onde o número de casos de covid-19 é muito menor do que nos Estados Unidos, começaram a exibir o filme uma semana antes. Tenet foi lançado nos Estados Unidos com pré-estreias nas noites de segunda a quarta-feira antes do lançamento oficial na quinta-feira. A Warner incluiu todo o valor arrecadado em sua estimativa bruta no domingo, juntamente com as receitas esperadas do feriado do Dia do Trabalho na segunda-feira.

Tenet registrou uma arrecadação mais forte na China. No seu lançamento foram contabilizados US$ 30 milhões em ingressos vendidos de sexta a segunda-feira. En nível internacional, o filme superou as expectativas. Em duas semanas de lançamento a arrecadação no exterior alcançou US$ 126 milhões, e até agora são US$ 146,2 milhões.

A Warner Bros tem enfatizado que os cálculos usuais num fim de semana de lançamento ficam de fora. Alguns observadores acham que é possível calcular qual foi a renda do filme no lançamento. O filme de Nolan, cuja produção custou US$ 200 milhões e pelo menos US$ 100 milhões foram gastos para ser comercializado, precisará fechar com US$ 500 milhões para igualar despesas e receitas. Mas o filme tem pontos a favor: está atualmente nos cinemas praticamente sem concorrentes. Algumas salas multiplex o exibiram 100 vezes durante o filme de semana. Com pouca coisa mais no horizonte, a Warner Bros está confiando num prazo longo de exibição da película.

Mas também há pontos desfavoráveis: o público não gostou desta última encenação de Nolan. Os cinéfilos deram ao thriller estrelado por John Davis Washington, Robert Pattinson e Elizabeth Debicki uma nota B, a mais baixa para um filme de Nolan desde O Grande Truque, de 2006. As críticas (75% positivas no ranking do Rotten Tomatoes) foram boas, mas longe de arrebatadoras.

A Warner não colocou seus executivos à disposição para falarem sobre o lançamento, mas em comunicado declarou que Tenet tem de ser julgado de modo diferente. “Estamos num território sem precedentes, de modo que qualquer comparação com o mundo antes da covid-19 seria injusta e sem base”.

Analisar o desempenho do filme é virtualmente impossível, disse o analista de mídia Paul Dergarabedian, que trabalha para a empresa de dados Comscore. Ele admitiu que a América do Norte continua um mercado mais desafiador do que Europa ou Ásia, mas qualificou o lançamento como um início sólido numa exibição de longo prazo do filme. “Vai levar mais tempo para avaliar. Já é uma vitória termos as salas de cinema abertas. Para mim, isto diz muito”.

Hollywood está muito atenta. Com a maioria das grandes produções dos estúdios adiada para o próximo ano, o setor vem procurando experimentar outras alternativas para exibir seus filmes mais caros na era da covid. Este fim de semana a Walt Disney Co. também lançou Mulan,  filme de ação que custou US$ 200 milhões, mas apenas para os assinantes do Disney+ que pagam US$ 30 pela compra.

No domingo, a Disney não divulgou a receita obtida por Mulan – prática que é comum da parte das companhias de streaming e no caso de lançamentos previstos antes, como Trolls World Tour, da Universal, e Hamilton, da própria Disney. Mas Mulan também vem sendo exibido em cinemas no exterior. Arrecadou US$ 5,9 milhões na Tailândia, Taiwan, Oriente Médio, Singapura e Malásia. Na próxima semana será lançado no mercado mais importante, a China.

O lançamento de Tenet também foi debatido acaloradamente diante dos riscos à saúde ligados a aglomerações em espaços fechados. Vários críticos conhecidos disseram que fariam uma resenha do filme no tocante a problemas éticos.

As cadeias de cinemas, por outro lado, vêm lutando para continuar amortizando suas contas. As empresas exibidoras afirmam que necessitam de novos filmes para conseguirem sobreviver. O último fim de semana foi a primeira grande oportunidade para os cinemas dos Estados Unidos convencerem os cinéfilos a retornarem. Os novos mutantes, a aguardada continuação de X-Men, arrecadou US$ 7 milhões, exibido em 2.412 salas no último fim de semana. Caindo muito no seu segundo fim de semana, o total arrecadado até agora é de US$ 11, 6 milhões.

Muito apropriado num ano que virou do avesso, o palindrômico Tenet – um thriller em que o tempo é invertido – basicamente deu início à temporada de cinema no verão no fim de semana em que ela normalmente acaba. O fim de semana do Dia do Trabalho, que este ano foi histórico em se tratando de filmes, normalmente é um dos  mais sonolentos do ano nos cinemas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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