Akasha Rabut/ The New York Times
Linda Hamilton conta que teve depressão após o primeiro filme da série 'O Exterminador do Futuro' Akasha Rabut/ The New York Times

'Tem algo muito feroz dentro de mim, que funciona bem para Sarah Connor', diz Linda Hamilton

Após 27 anos do último filme, atriz fala do amadurecimento de sua personagem e sobre o casamento com James Cameron

Kyle Buchanan, The New York Times

12 de novembro de 2019 | 08h00

O filme O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, em cartaz nos cinemas, traz Linda Hamilton de volta ao papel de Sarah Connor pela primeira vez desde 1991, quando O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final fez dela um ícone da cultura pop. Em uma entrevista anterior, Hamilton falou sobre sua volta aos holofotes depois de começar uma vida nova em Nova Orleans, mas ela tinha muito mais a dizer sobre essa decisão, sobre sua história com a franquia Exterminador e sobre seu casamento com o diretor dos dois primeiros filmes, James Cameron. Aqui estão mais trechos editados dessa conversa.


O primeiro Exterminador foi todo feito em sessões de filmagem noturnas, intensas e emocionalmente extenuantes. Como isso afetou você?

A noite virou minha realidade muito mais do que o dia. Era difícil para o psicológico – muito difícil mesmo. Você está sempre correndo, sem mãe, sem namorado, sem amigas, por três meses. Quando as filmagens acabaram, enfrentei uma depressão, sonhei que o Exterminador estava na casa dos meus pais.


Como foi sua relação com James Cameron no primeiro filme?

A gente não gostava nem desgostava um do outro no primeiro filme. Explodi de raiva na única vez que pedi para ver a gravação – Jim foi um dos primeiros diretores a fazer isso. Normalmente, não preciso ver nada, mas o dia tinha sido difícil, acho que eu tinha perdido um pouco da confiança e, quando pedi para ver a fita, ele disse: “Não temos tempo. Vamos em frente!”. Eu absolutamente surtei.


O que aconteceu?

Puxei o Jim para fora do set e disse: “Se você quer ver um ser humano na tela, precisa me tratar como um ser humano”. Quando as filmagens acabaram, pensei: “Bom, esse cara está do lado das máquinas”. É um cara que passa o tempo livre estudando o voo dos helicópteros, é assim que ele descansa a cabeça!


Quando Sarah Connor se tornou uma guerreira sarada em O Exterminador do Futuro 2, isso mudou a maneira como você se relacionava com a personagem?

Sinceramente, me senti muito melhor que no primeiro filme, porque estava interpretando uma mulher empoderada. Era muito melhor que interpretar a vítima apavorada o tempo todo. Além disso, sou gentil e compassiva, mas não sou muito delicada. Eu abraçava meus filhos quando eles eram pequenos e eles faziam “ai!”. Tem algo muito feroz dentro de mim, contra o que tenho de lutar sempre, mas essa ferocidade funciona bem para Sarah Connor.


De onde vem sua ferocidade?

Lembro que, no começo da carreira, um diretor me disse: “Uau, você manda bem nessas coisas de raiva”. Meu pai morreu quando eu era criança, minha mãe ficou viúva com quatro filhos muito pequenos. Acho que ela ficou sobrecarregada. Sem dúvida, lutou contra a depressão, e nós realmente não tínhamos autorização para nos expressar. Uma vez, perguntei a ela: “Por que a gente não podia falar e expressar nossa raiva?”. E ela respondeu: “Bom, vocês eram quatro, e eu, só uma”. Acho que tive muita sorte de poder expressar minha raiva em um ambiente seguro e ainda ganhar por isso.


O que você lembra da reação a Exterminador 2?

“Os-braços-da-Linda-Hamilton”. Virou uma palavra só, e não era o efeito que eu estava procurando. Um cara chegou para mim em um posto de gasolina e disse: “Eu vi o filme! Eles bombearam ar nos seus músculos?”.


E você se aborrecia com isso?

Passei muito tempo tentando ser outra coisa. Só usava vestido, cortava o cabelo e pintava de vermelho ou branco – qualquer coisa que não lembrasse a imagem de Sarah Connor. Sei que muitas pessoas abraçam uma personagem e ficam fazendo a mesma coisa por anos. Mas quero abrir portas diferentes. E não sempre a mesma porta!


Como você reage quando os fãs a tratam como um ícone?

Se as pessoas choram quando me veem, eu imediatamente dou o meu número de telefone para elas. Sou tipo, “oh, querida, venha aqui, vamos conversar. Aqui está o meu número”. Quero ser verdadeira com essas pessoas, e não só dizer “obrigada, foram meus momentos de glória”.


Você pensava em como Sarah Connor estaria após esses anos?

Eu ficava tipo: “E se ela estiver gorda? Não seria demais?”. Você quer surpreender o público, porque as pessoas se impressionaram com a mudança que aconteceu entre o primeiro e o segundo filmes. Também pensamos deixá-la alcoólatra, como Rooster Cogburn em Bravura Indômita, mas era algo que já tinham feito, além disso havia o problema de misturar alcoolismo com armas de fogo. 


No fim das contas, você teve que voltar à forma de lutadora por causa do filme, um regime que incluía hormônios e treinamento intenso. Como foi isso?

Contava com uma verdadeira equipe de especialistas tentando tirar o máximo proveito desse corpo, mas devo ser muito sensível aos hormônios porque, em dois meses, eu já estava mandando mensagem para meu médico às duas da manhã, ficava furiosa com qualquer coisa, minha pressão arterial estava lá em cima. Andava por aí dizendo, “quem quer cair na porrada?”. E eles ficavam adiando as filmagens!


Os fãs querem ver Sarah arrasando na tela, mas agora ela está mais velha, então não dá para ser a mesma coisa. Como você lidou com isso?

Não quero vender a imagem de que ela continua sendo alguém que pode fazer tudo o que ela fez naquele dia, porque já se passaram 27 anos. Fiz questão de me levantar mais devagar quando ela era atingida – você não levanta com um pulo, como se tivesse 32 anos. Foi uma experiência muito mais rica trazer tudo o que tenho para essa mulher. Foi incrível. 


(Tradução de Renato Prelorentzou)

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Crítica: Novo 'Exterminador' traz Linda Hamilton mais poderosa do que nunca

Rugas da protagonista e a barba branca de Schwarzenegger trazem uma interessante reviravolta, que no final é mais do mesmo, só que diferente

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2019 | 07h00

Cofundador e diretor criativo da Blur Studio, uma empresa especializada em efeitos especiais, Tim Miller ganhou projeção ao dirigir Deadpool, com Ryan Reynolds na pele de um super-herói, digamos, diferente. Miller dirige agora o novo Exterminador do Futuro, o sexto filme da franquia, que estreou na quinta, 31. Destino Sombrio traz Arnold Schwarzenegger na pele do Terminator, mas o personagem sofreu uma mudança conceitual, você vai ver. O foco está nas mulheres, não apenas em Sarah Connor/Linda Hamilton, de volta às armas (se alguma vez as abandonou), amargurada porque conseguiu salvar bilhões de pessoas, mas não o próprio filho, John. Em fase de empoderamento na indústria, não surpreende que Grace venha do futuro para ser o anjo da guarda, a protetora de Daniela, dita Dani.

“Por que eu? Sou uma pessoa comum”, diz Dani, tentando entender por que, de repente, sua vida foi subvertida e ela se tornou alvo da caçada movida por um perseguidor implacável. Grace é uma humana aprimorada e o filme joga com o tempo para resumir sua história e também para justificar a virada da trama criada por James Cameron e sua então mulher, a produtora Gale Anne Hurd, em 1984, quando fizeram o primeiro Exterminador. Se o personagem de Schwarzenegger veio do futuro para matar Sarah/Linda, impedindo-a de gerar o salvador, John Connor, o que o fez mudar de ideia para se converter em guarda-costas? “Então você (uma máquina!) desenvolveu uma consciência!”, exclama Grace, ao fim do relato do Terminator, que aparece brevemente no início e depois some por quase uma hora, deixando as espetaculares cenas de ação para as mulheres da trama.

O filme já começa mil, com a chegada de Grace e do Terminator de última geração, dando origem a uma sucessão de assassinatos e perseguições. E tudo começa na América espanhola, com uma mexicana (Dani) assumindo o posto de salvadora, no que não deixa de ser um desagravo da série ao presidente Donald Trump em sua campanha contra os vizinhos de fronteira. Tem todo um episódio relativo ao muro e que carrega uma interessante conotação simbólica – quem transpõe, quem comanda, quem é o inimigo –, mas o foco está na ação e ela só é interrompida por diálogos que revelam quem é quem. As versões dubladas agregam certa confusão porque, embora todo mundo fale português, alguns diálogos em portunhol causam estranhamento – a relação de Dani com o irmão e o pai.

Arnie/Arnold está de volta para acertar os erros do passado e do futuro, e em entrevista à Empire, o diretor Miller, fã da série, disse o que você vai conferir e concordar – ele nunca esteve melhor desde os dois primeiros filmes, dirigidos por James Cameron. Justamente, Cameron como produtor, se empenhou em garantir que sua ex, Linda Hamilton, voltasse ao papel de Sarah. Ela hesitava, mas quando saiu do trailer, vestida como Sarah, Linda viu a aprovação no rosto das pessoas e respirou fundo: “Ok, posso fazer isso de novo”. As novas aquisições são ótimas – MaCkenzie Davis (Grace), Natalia Reyes (Dani) e Gabriel Luna como o modelo avançado Rev-9 Terminator. Mais do mesmo, mas diferente. O tempo passou e está impresso nas rugas de Sarah, na barba grisalha de Schwarzenegger. Um ciborgue barbado? É que, ao adquirir consciência, ele se humanizou. Venha para o dia seguinte ao julgamento final, conclama o cartaz. É o melhor Terminador desde o bíblico Judgment Day.

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Linda Hamilton não consegue fugir de seu papel em 'O Exterminador'

Décadas após o primeiro filme, atriz hesitou em retornar ao seu papel icônico

Kyle Buchanan, The New York Times

26 de setembro de 2019 | 06h00

NOVA ORLEANS - Linda Hamilton dá uma gorda risada de desafio. Seria intimidadora se não saísse com facilidade, e se não ela não estivesse rindo de si mesma. A atriz costuma contar o episódio de quando foi a um salão de bilhar, pouco depois de O Exterminador do Futuro 2: o Dia do Julgamento, tê-la lançado no panteão da cultura pop. Ela percebeu que as pessoas foram notando a sua presença. 

Era mesmo a atriz que havia feito o papel da garçonete e virou guerreira, Sarah Connor, no maior filme de 1991? Nisto, ela ouviu alguém comentar: “Não pode ser ela. Ela jogaria muito melhor do que isso aí!” Lembrando disto, ela deu uma gargalhada. “Sarah Connor poderia jogar de maneira brilhante, não sou Sarah!,” afirmou. “Isto me fez sentir muito real”. Depois de quase trinta anos tentando livrar-se da sombra de Sarah, a atriz de 62 anos finalmente retomou a personagem para fazer O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, que estreará em novembro.

Quando estava filmando o primeiro filme do Exterminador, lançado em 1984, jamais poderia prever o impacto que isto teria na sua carreira. “Por acaso pensei que pensar que eu me tornaria uma estrela de filmes de ação e aventura? Nunca!” ela disse. “Eu pretendia ser uma atriz shakespeariana, e com O Exterminador, minha carreira tomou outro rumo completamente diferente”.

Naquele filme de ficção científica, Sarah Connor, uma mulher comum, tornava-se alvo de um ciborgue que viajava no tempo (Arnold Schwarzenegger) porque mais tarde ela daria à luz ao salvador da humanidade. Linda passou grande parte do seu papel escondendo-se ou fugindo. Anos mais tarde, quando o diretor James Cameron perguntou se ela gostaria de fazer O Exterminador 2, ela fez apenas um pedido: em lugar de ser mais uma vez a jovem desesperada, ela queria que Sarah enlouquecesse. “Eu escrevi o roteiro inteiramente baseado na sua recomendação”, afirmou Cameron.

Esta Sarah Cameron tinha a guerra nos seus olhos e o seu corpo era uma arma. Linda teria de ficar com uma silhueta surpreendentemente perfeita. “Só havia uma coisa: eu estava grávida de seis meses quando Jim falou comigo”, disse. Ela estava casada com o ator Bruce Abbott na época em que Cameron sugeriu uma continuação; quando voltou com o roteiro definitivo, ela estava cuidando do seu filhinho, Dalton, e Abbott havia pedido o divórcio.

Linda considerou aquele momento a chance de despejar em Sarah tudo o estava sentindo. O resultado foi uma das heroínas de filmes de ação mais inesquecíveis de todos os tempos. A desvantagem foi que Hollywood simplesmente mandou para ela mais mulheres guerreiras, nenhuma tão interessante quanto o personagem que ela acabara de fazer. Durante o primeiro Exterminador, nenhuma chama romântica brotou entre Cameron e a sua protagonista, mas não muito depois de fazerem Exterminador 2, eles foram morar juntos e tiveram uma filha, Josephine.

“Este relacionamento foi um mistério para todos - até para Jim e para mim mesma - porque somos terrivelmente diferentes”, disse Linda. “Acho que o que aconteceu ali foi que ele, na realidade, estava apaixonado por Sarah Connor,” afirmou, “e eu também”. Seu relacionamento durou sete tumultuados anos.

Depois de Exterminador 2, estudos diferentes tentaram estender o seriado sem Linda ou Cameron, com escasso sucesso. Ela se surpreendeu, há dois anos, quando Cameron perguntou se ela seria Sarah mais uma vez. Tim Miller seria o diretor de um novo filme da série Exterminador que Cameron produziria , e ambos achavam que iria funcionar, Linda Hamilton precisava retornar. Precisaram convencê-la. “Não que eu tivesse medo de decepcionar os fãs,” ela disse. “Eu tinha medo de decepcionar Sarah Connor”.

Linda teve de ir mais fundo do que nunca no personagem: aprendeu a usar um lançador de foguetes e adquiriu a silhueta de uma lutadora de 60 anos, e ainda treinou com os Boinas Verdes, enquanto os médicos lhe ministravam suplementos e hormônios para que criasse músculos. “Isto equivaleu a dez vezes o esforço que coloquei no segundo filme”, afirmou.

Em Exterminador: Destino Sombrio, Sarah luta em terra, no ar e na água, e Linda quis fazer a maior parte das cenas de acrobacias. Quanto mais as coisas iam ficando difíceis, Miller suspeitou que ela estava se divertindo mais do que deixava transparecer. Terminado Destino Sombrio, Linda admitiu: “Passei três meses no sofá comendo bolo, e depois um dia acordei e disse: ‘Que se dane! aquilo foi muito divertido!’”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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'Foi bom ter a gangue junta de novo', diz Arnold Schwarzenegger sobre novo 'Exterminador'

Linda Hamilton e James Cameron voltaram quebrando tudo após quase trinta anos do último filme da série em que trabalharam juntos

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

30 de outubro de 2019 | 06h00

LOS ANGELES - Ele sempre promete que vai voltar – e cumpre. Arnold Schwarzenegger retorna à série O Exterminador do Futuro, que começou 35 anos atrás, agora com O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, dirigido por Tim Miller (Deadpool) – e que estreia nesta quinta, 31. Mas, agora, o astro, que participou de quatro dos cinco longas anteriores, vem em companhia luxuosa, com James Cameron, o criador da saga, como um dos autores do argumento, e Linda Hamilton, a Sarah Connor. Os dois não participavam ativamente da franquia desde O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final (1991). “Foi bom ter a gangue junta de novo”, diz Schwarzenegger em entrevista ao Estado, em Los Angeles

Linda Hamilton, que sempre achou que tinha dito tudo o que tinha para dizer com a sua icônica personagem, viu que estava errada e que a passagem do tempo justificava sua volta. “Deixamos o último filme com um fio de esperança, mas ela continua na sua guerra contra as máquinas, sem estar muito enamorada dos seres humanos. Quem é Sarah Connor hoje era a minha pergunta”, afirma a atriz. A presença de James Cameron, seu ex-marido e pai de sua filha Josephine, também foi fundamental para garantir sua volta. “Ele tem uma visão, isso é inegável. Não fiz um terceiro filme antes porque ele não estava participando”, diz a atriz. 

Em O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio, Sarah Connor aparece do nada para ajudar Grace (Mackenzie Davis), uma humana que recebeu implantes para melhorar sua visão, velocidade e força, a proteger a jovem mexicana Dani Ramos (a colombiana Natalia Reyes), que está sendo perseguida pelo novo Exterminador do Futuro (Gabriel Luna), capaz de se liquefazer e se dividir em dois.

“Nunca fiquei tão empolgada com um grupo como fiquei com Mackenzie e Natalia”, diz Linda. “Somos três mulheres completamente diferentes. Elas são extraordinárias. Ficamos muito impressionadas umas com as outras, rimos demais, temos um grupo de SMS chamado ‘Já são 6?’, porque ou trabalhávamos até seis da tarde ou até seis da manhã.” 

Natalia Reyes nem tinha nascido quando O Exterminador do Futuro foi lançado, em 1984, mas ela assistiu aos dois primeiros filmes quando era criança e disse ter se apaixonado pelo universo – e por Sarah Connor. “Ver aquela mulher forte fazendo aquelas flexões de braço foi inspirador. Queria ser como ela”, conta a atriz. 

Já Mackenzie Davis nunca tinha visto os dois longas até seis meses antes dos testes para Destino Sombrio. “Foi completamente aleatório, alguém me recomendou os dois filmes, disse que era importante ver porque tinha uma personagem feminina fundamental”, diz. “E, claro, quando vi, fiquei apaixonada.” Depois disso, a atriz correu atrás de um papel no longa. Escolhida, teve um momento de pânico. “Achei que não ia conseguir fazer, que não ia ser boa. Porque é tudo muito novo para mim, parecia que era uma atriz de pequenos filmes independentes de repente selecionada para uma ópera”, conta ela, que fez Tully e o famoso episódio San Junipero, de Black Mirror. 

O trio feminino vai topar com o T-800 de Arnold Schwarzenegger em algum momento – e ele está levando uma vida mais pacata. A idade também chegou para o Exterminador. “Estabelecemos lá atrás que seu esqueleto não envelhece, mas seu exterior é humano. Ele sua, tem mau hálito, e seu cabelo fica grisalho”, diz o ator. Mas claro que a relação de T-800, que agora atende pelo nome de Carl, com Sarah Connor não vai ser das mais fáceis. 

Linda é só elogios a seu companheiro de cena. “Foi mais divertido do que nunca. Não mantivemos contato depois de ele virar governador. Mas fiquei tão feliz de reencontrá-lo!”, diz a atriz. Os fãs também vão ficar: as cenas entre Schwarzenegger e Linda, à la Um Estranho Casal, são das melhores coisas do filme. 

 

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‘Exterminador’ é franquia inesgotável com alguns tropeços, mas que nunca deixou de atrair

Os dois primeiros filmes têm direção de James Cameron - e talvez por isso sejam melhores. O novo põe o foco em Linda Hamilton

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2019 | 06h00

Criada em 1984 pelo produtor James Cameron e sua então mulher, Gale Anne Hurd, a franquia Exterminador do Futuro/Terminator chega ao seu sexto filme com Destino Sombrio, que estreia nesta quinta, 31, em salas de todo o Brasil. Derivada da franquia, em uma época que não se falava em spin-off, surgiu, em 2008/2009, a série The Sarah Connor Chronicles, centrada na personagem de Linda Hamilton, que agora volta ao papel em mais um longa. Há 35 anos, o jovem Cameron – com 30 anos na época (ele nasceu em 1954) – engatinhava em Hollywood. Havia feito apenas um filme, Piranha 2, mas já possuía experiência com efeitos especiais, direção de arte e fotografia, adquirida no trabalho com Roger Corman e John Carpenter, em Fuga de Nova York.

Inicialmente, Cameron sonhava ser quadrinista, mas depois de assistir ao clássico de Stanley Kubrick, 2001 – Uma Odisseia no Espaço, trocou o rumo e orientou-se para o cinema. Obcecado pelo computador Hal-000, que controla a nave da odisseia kubrickiana, imaginou um futuro distópico em que raros sobreviventes humanos enfrentam as máquinas que dominaram a Terra. Na fantasia de Cameron, um hipotético sistema digital defensivo montado pelo governo dos EUAGlobal Digital Defense Network, operado por Cyberdyne Systems – escapa ao controle humano e se estabelece como poder absoluto. No filme, esse sistema de inteligência chama-se Skynet e, para protegê-lo, que chega do futuro um ciborgue indestrutível. Sua missão é caçar e, presumivelmente, matar uma mulher, Sarah Connor, que, ao longo da trama, descobriremos, ser á mãe do futuro líder da resistência dos homens às máquinas.

Arnold Schwarzenegger já havia feito Conan, baseado no personagem de Robert E. Howard, mas foi com o Terminator que virou astro, e fundou seu mito. O homem-máquina, que não expressa emoção e não pode ser parado. Para contar essa história, Cameron fez um filme que também não para nunca – são 108 minutos de ação contínua e muitas cenas espetaculares. Um modelo para futuras ficções que surgiram,nessa trilha aberta por Cameron e Gale, que escreveram o roteiro inspirados em trabalhos de Harlan Ellison. O sucesso foi imenso, mas, só em 1991, sete anos mais tarde, surgiu O Exterminador do Futuro – Julgamento Final. O título apocalíptico refere-se ao julgamento bíblico, o Juízo Final, e dessa vez o Terminator, convertido em protetor de John Connor, o salvador, enfrenta um ciborgue rival, que, esse sim, veio do futuro para matar o garoto, interpretado por Edward Furlong.

Inspiração. Entre os dois filmes, Cameron realizara Aliens – O Resgate, em 1986, e O Segredo do Abismo, em 1989. Veio desse último o homem-máquina aterrador de Michael Biehn.

Produto de ponta de uma geração mais acurada que a de Schwarzenegger, ele é líquido e consegue assumir as mais variadas formas, o que o torna ainda mais perigoso. O sucesso foi estrondoso, mas Cameron, embarcando na aventura de Titanic (1998), distanciou-se de sua criação para abraçar outra. O terceiro Exterminador, A Rebelião das Máquinas, de 2003, teve direção de Jonathan Mostow, que havia feito Breakdown – Perseguição Implacável. Como Edward Furlong se envolvera com drogas, foi substituído, no papel de John Connor, por Nick Stahl e a novidade é que o ciborgue era agora do gênero feminino, outra máquina destruidora sob a bela aparência de Kristanna Loke. Schwarzenegger envolvera-se com a política e sonhava com a cadeira presidencial – que, numa cena, Mostow mostra sugestivamente vazia. É considerado o mais fraco da série, mas tem seus momentos. E Schawrzenegger repete a fala emblemática do Terminator“I’ll be back”. No quarto, o astro caiu fora e outros atores assumiram o centro da ação.

Em Salvação (2009), de McG, John Connor (Christian Bale) combate as máquinas quando chega esse formidável estranho (Sam Worthington) – o ator de Cameron em Avatar – que não se lembra de onde esteve, nem de como adquiriu essa força. Em Gênesis (2015), de Alan Taylor, a Skynet aciona uma máquina do tempo da qual sai Schwarzenegger (um pouco mais velho), retomando a franquia, mas levando-a em outra direção. No novo Destino Sombrio, de Tim Miller, o foco está em Sarah Connor, de novo Linda Hamilton. Empoderamento feminino. O trailer é espetacular, e fã nenhum da franquia vai querer perder.

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