Telecine Cult exibe <i>Amores Brutos</i>, de González-Iñárritu

Amores Brutos (22 horas no Telecine Cult) bem poderia se chamar Bruta Flor do Querer. O filme de estréia do hoje badalado Alejandro González-Iñárritu (de Babel, que concorreu a vários Oscar) põe o dedo nas feridas humanas. Não as comuns, mas aqueles buracos abertos na alma, na mente e, por que não, no corpo, que remédio nenhum dá jeito. Nesse drama visceral, nem mesmo vale a máxima de que o tempo tudo cura. Às vezes, o tempo tudo piora. Quem reina no centro do palco armado por Iñárritu é o deus destino. Caprichoso que é, faz com que três carros se choquem em um cruzamento qualquer. Depois disso, a vida de seus passageiros nunca mais seria a mesma. Duro, cruel, lírico e poético. Muito mais autêntico que Babel que, sem desmerecer este grande filme, não possui o mesmo frescor e a certeza de um diretor que filma em seu quintal a história de pessoas que poderiam ser seus vizinhos, sem a pretensão de retratar em um único longa todos os males da globalização e da civilização. Não por acaso, o episódio mais consistente de Babel é exatamente o que envolve os mexicanos e a eterna fronteira que os separa de Deus e dos Estados Unidos. Volt

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.