Telecine Cult exibe <i>A Menina Santa</i>, de Lucrecia Martel

Lucrecia Martel é míope, muito míope. Ela própria diz, brincando, que é por isso que coloca a câmera tão próxima dos personagens, para vê-los melhor. Com apenas dois filmes, O Pântano e A Menina Santa, Lucrecia virou um dos grandes nomes do cinema latino contemporâneo. Mas seu cinema crítico e exigente faz mais sucesso fora da Argentina.Esta segunda-feira é dia de (re)ver A Menina Santa no Telecine Cult, às 22 horas. O filme carrega várias obsessões da diretora - o peso da tradição católica; a busca de organicidade, a coisa física que a leva a aproximar a câmera dos personagens (e não a miopia); as águas túrgidas, de pântanos ou piscinas.A história trata desta garota que vive com a mãe num hotel no interior. Quando o local acolhe uma convenção de médicos, a menina tem um toque acidental com um dos profissionais que participam do evento. Ela passa a persegui-lo e o espectador pressente o desastre próximo, o escândalo.Complexo e fascinante, A Menina Santa constrói uma metáfora da Argentina. O toque não é só um estopim dramatúrgico. O filme foi produzido pela empresa El Deseo, de Pedro Almodóvar, no ano de Má Educação, 2004. Não deixa de ser outra história de ´mala educación´.

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