Tecnologia vai recriar gol mais bonito de Pelé

Foi o gol mais bonito da carreira de Pelé. Dia 2 de agosto de 1959, na Rua Javari. Santos e Juventus. Os 4 a 0 do placar final não traduzem as dificuldades que o Santos experimentou em campo. Pelé não estava jogando bem. Foi vaiado pelo público. E, então, ele fez o último gol da partida. Quatro chapéus sucessivos que culminaram num golaço. O jogo parou. Os jogadores, adversários e do próprio time, foram cumprimentar Pelé. O juiz e os bandeirinhas, também. O público aplaudiu entusiasticamente durante dez minutos. Pelé tinha 19 anos e um ano antes havia pavimentado seu caminho para a glória na Copa da Suécia.Não há registro filmado desse gol maravilhoso. Por isso mesmo, ele terá de ser recriado para o documentário que Anibal Massaini Neto roda sobre Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. O autor da façanha - a recriação do gol - é Luiz Briquet. Publicitário, ele possui uma empresa especializada em animação para comerciais. Na sede da Briquet Filmes (www.briquetfilmes.com.br), na República do Líbano, com vistas para o trevo da 23 de Maio e para o Parque do Ibirapuera, Briquet contou como pretende reconstituir o gol famoso de Pelé.Ele vai utilizar tecnologia de ponta, a mesma que permitiu a criação da bonequinha de luxo virtual de Final Fantasy. Essa técnica tem um nome - motion capture. É uma máquina cara. Custa cerca de US$ 150 mil. É muito usada na criação de games e desenhos de última geração (para cinemas e comerciais). Não existe no Brasil. Briquet embarca no fim do mês com Pelé para os EUA. Vão em busca do tempo perdido e de um gol que só existe na memória de algumas pessoas.Briquet explica o processo. Ele vai fazer o scanner de Pelé, ou seja, vai colocar o corpo do Rei no computador, como um boneco tridimensional. Depois, com a ajuda do próprio Pelé, ele vai animar o boneco. Sensores vão ser colocados nas extensões e articulações de Pelé. Ligados ao computador, vão permitir que o scanner - o boneco - reproduza os movimentos do Rei. Embora com larga experiência de animação, Briquet nunca fez isso antes. Está otimista.Amigo de Massaini Neto, foi dele que partiu a idéia de utilizar a tecnologia de animação mais avançada do mundo para (re)criar essa imagem tão importante. Massaini contou a Briquet de sua dificuldade em conseguir a imagem daquele gol. Havia testemunhos, assim mesmo incompletos e até contraditórios. Briquet convenceu-o de que não faria sentido colocar pessoas falando diante da câmera. Para mostrar o que não se tem, só (re)criando. Entra em cena o motion capture.Será um dia de trabalho intenso. A Rede Globo vai acompanhar toda a operação, fazendo o making of que será exibido no Fantástico. Há dificuldades e não só as decorrentes de usar um processo que Briquet conhece, conceitualmente, mas nunca utilizou na prática. Pelé era um garoto, na época. Magrinho, franzino. Hoje é um senhor. Mas sua ossatura, o esqueleto é o mesmo, diz Briquet. A proporção dos ossos não mudou e, com o computador, será possível emagrecer o boneco do Rei, afinar seus braços e pernas, o rosto. Talvez não saia o Pelé perfeito daquela época, mas o gol será visto a distância e isso deve ajudar, também.Todo esse esforço vai se refletir em 12 (ou 15) segundos de filme. Briquet também pensa em reconstituir, por meio do motion capture, outro gol famoso de Pelé que desapareceu - o de placa, em 1963, contra o Fluminense, no Maracanã. Mas pede: "Põe no jornal que estamos atrás deste gol; talvez alguém tenha alguma cópia." E informa: os interessados em saber mais sobre o motion capture podem acessar, na Internet, o site: www.modernuprising.com.

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