Tecnologia digital não convence em "Lucia e o Sexo"

Famoso por filmes como EsquiloVermelho e Os Amantes do Círculo Polar, o cineastaespanhol de origem basca Julio Medem confirma, mais uma vez, quenão é do tipo que gosta de contar uma história com começo, meioe fim. Medem é o diretor de Lucia e o Sexo, que estréiaamanhã. É difícil deixar de concentrar-se no sexo num filmeque, sem ser pornô, mostra a protagonista masturbando (mesmo) umhomem em cena. Ela é Lucia e é a melhor coisa do filme.É interpretada por um furacão chamado Paz Vega, tãodevastador que a atriz ganhou o Goya, o Oscar do cinema espanhol, como a revelação do ano passado. O filme conta a história de umescritor e suas duas mulheres. Nada é muito explicado e nem éesse o objetivo. Medem gosta de trabalhar com climas poéticosque precisam permanecer um tantinho nebulosos para seremeficientes.Esqueça, portanto, a lógica do relato e concentre-se noque deveria ser a fruição de uma narrativa à base de conflitosde tempo e espaço e a uma boa dose de imaginação. É aqui queestá o problema de Lucia e o Sexo. Medem resolveu aderir àsnovas tecnologias e gravou as imagens em digital, numa praiaensolarada. A tecnologia, no caso, não é a opção mais adequadapara o tipo de imagem que o cineasta quer criar. E a coisa nãose reduz só à imagem: a própria dramaturgia, um tanto incipiente, não pede o digital. Cria-se o problema que compromete tantasexperiências que se pretendem inovadoras. Por que Medem usa odigital? Para baratear, talvez. Não por exigência do tema.Poucos diretores (o mexicano Arturo Ripstein) criam umaverdadeira estética a partir do digital. Medem não criou.Lucia e o Sexo (Lucía y el Sexo). Drama. Dir. de JulioMedem. Esp/2000. 130 min. 18 anos.

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