Tecnologia a serviço do samurai Keanu Reeves

Ator estrela o filme '47 Ronins', que estreia nesta sexta-feira, 31, no País

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

31 Janeiro 2014 | 03h00

Keanu Reeves fez a passagem do cinema de autor – Garotos de Programa, de Gus Van Sant – para os blockbusters, com Velocidade Máxima. A série Matrix, dos irmãos Wachowski, consolidou seu prestígio em Hollywood. Poderia facilmente ser um ‘astro’. Mas Keanu – cujo nome quer dizer ‘brisa fresca que sopra do mar’ – não faz o jogo das celebridades. E faz escolhas erráticas que desconcertam o público. Depois do remake de O Dia em Que a Terra Parou, ele faz agora Oishi, o mestiço de 47 Ronins.

 

 

 

 

A história – verdadeira ou lenda – remonta a fatos que teriam ocorrido no Japão do século 18. O país viveu fechado no feudalismo até o limiar do século 20. Lorde Asano, o senhor feudal, foi acusado de atacar o favorito do xogun. Foi condenado a fazer haraquiri. Morto o chefe, seus samurais – guarda-costas – caíram em desgraça e viraram ronins. Mas eles se uniram para vingar Asano. Viraram um símbolo de resistência contra a tirania. Mais que isso – por agirem, mesmo colocados à margem, segundo os códigos do bushido, tornaram-se representações da coragem, da dignidade e da honra na sociedade japonesa.

Grandes diretores contaram essa história. Agora mesmo, saiu em DVD, pela Versátil, uma caixa com diferentes versões da história dos 47 ronins. Kenji Mizoguchi, Hiroshi Inagaki e Kunio Watanabe são os diretores. Carl Rinsch é quem assina a versão estrelada por Keanu Reeves. Há uma explicação para a mestiçagem do herói – ele é filho de um marinheiro inglês com uma camponesa do Japão. Não é aceito como samurai, mas possui as melhores qualidades a eles associadas.

O vilão da nova versão de 47 Ronins, responsável pela morte de Lorde Asano, é protegido pela amante feiticeira. Mas Oshi (Reeves) foi criado pelos seres da floresta e possui habilidades especiais. Os 47 reúnem-se para vingar Asano e libertar sua filha. Por conta da feiticeira, existem muitas cenas fantásticas – de monstros –, narradas com efeitos que exigem tecnologia de ponta. Mas a essência é a clássica história de samurais. Amor impossível, dignidade, honra. Difícil não se lembrar de O Último Samurai, de Edward Zwick, com Tom Cruise. São filmes que trafegam entre diferentes culturas. Que buscam harmonizar diferentes culturas.

A história dos 47 ronins é tão bonita. Pode ser contada, e vem sendo, de muitas formas. O fato de se preferir outras à de Mizoguchi, mais austera – não anula a eficiência da de Rinsch e Reeves como (grande) espetáculo.

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