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Tataraneto de Darwin, diretor Chapman fala de religião em 'A Tentação'

Diretor diz que os EUA se dividem entre parte sofisticada à Woody Allen e fanatismo bíblico

Luiz Carlos Merten - O Estado de S. Paulo,

10 de agosto de 2012 | 21h08

Marido da atriz Denise Dumont e tataraneto de Charles Darwin - as duas coisas, obviamente, não guardam relação entre si, mas compõem a biografia de Matthew Chapman. É o diretor e roteirista de A Tentação, que estreou nesta sexta-feira, 10, na cidade. O filme discute questões que não são frequentes na produção norte-americana. Como Chapman gosta de dizer, os EUA se dividem entre a América sofisticada de Woody Allen e o meio Oeste dos brucutus que tomam a Bíblia ao pé da letra e encaram a religião com fanatismo. O filme dele é sobre isso.

Abre-se com um policial chamado a atender a uma ocorrência - um sujeito está no alto de um prédio e ameaça se jogar. Ele conta sua história - é ateu e está sendo chantageado por um ortodoxo de cuja mulher se tornou amante. O próprio policial vive um momento de crise - acaba de descobrir que é estéril e, portanto, foi traído pela mulher. Os dois filhos do casal não são crias biológicas de ambos.

O parentesco com Darwin, criador da teoria evolucionista, ajudou bastante para que Chapman se interessasse pela discussão de assuntos religiosos e científicos. Mas também gera preconceito. Ele disse que, em suas andanças pelos EUA, conheceu muita gente como o personagem interpretado por Patrick Wilson - o marido que praticamente joga a mulher, Liv Tyler, nos braços do outro, com sua intransigência. "Um religioso me disse certa vez que meu tataravô era o Diabo e eu, como decorrência, seria seu filho (do Demônio)."

Chapman não sabe o que é pior - se esse tipo de preconceito brutal ou se as boas intenções equivocadas da espectadora que, após a exibição do filme em Sundance, levantou-se e pediu desculpas pelo mal que a religião, o cristianismo, havia feito a ele como homossexual. "Mas eu não sou!", afirma (desculpa-se, rindo) o diretor. A grande discussão ‘teológica do filme’ começa quando o personagem de Charlie Hunnan e o sujeito que divide apartamento com ele - e esse, sim, é gay - vão comer na casa de Wilson e ele propõe uma reza para os que se ‘desviaram do caminho’.

O diretor conta que nenhum estúdio quis botar dinheiro na história que mostra o confronto de um ateu com o religioso. "É um assunto tabu nos EUA", ele diz. Até para filmar rapidamente, baixando os custos, ele admite que o filme foi muito escrito e planejado. As raras improvisações decorreram de necessidades técnicas. "Tivemos apenas três dias para filmar as cenas no alto do prédio", conta. Atores muitas vezes pedem para adaptar diálogos a uma forma mais naturalistas de falar. Liv (Tyler) radicalizou. Quando ensaiávamos, ela me disse que seria capaz de suprimir diálogos, dizendo o texto só com gestos e olhares. Ela fez e ficou muito bom", avalia.

Como roteirista, Chapman participa atualmente de dois projetos no cinema brasileiro. Ele escreveu o roteiro de Flores Raras, de Bruno Barreto, sobre Elizabeth Bishop, e está adaptando para Daniel Filho O Silêncio da Chuva, um dos melhores livros de Luiz Alfredo Garcia-Rosa com o delegado Espinosa.

 
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